A 100ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, um dos eventos mais tradicionais do calendário esportivo brasileiro, consagrou novos campeões e marcou o fim de uma era de domínio queniano. Pela primeira vez desde 2014, o Quênia não subiu ao degrau mais alto do pódio em nenhuma das provas, vendo a Tanzânia e a Etiópia levarem os títulos.
Na prova feminina, Sisilia Panga, da Tanzânia, cruzou a linha de chegada com o tempo de 51min09s, superando a queniana Cynthia Chemweno. Entre os homens, Muse Gizachew, da Etiópia, garantiu a vitória com 44min28s, após uma emocionante ultrapassagem sobre o queniano Jonathan Kamosong nos metros finais da disputa. O Brasil teve motivos para celebrar, com Núbia de Oliveira e Fábio Jesus Correia conquistando o terceiro lugar em suas respectivas categorias.
A quebra da hegemonia queniana é notável, considerando que o país africano vinha de oito vitórias consecutivas entre as mulheres e duas entre os homens, consolidando sua força na São Silvestre ao longo dos anos.
A Prova Masculina: Virada Dramática na Paulista
A corrida masculina começou com uma estratégia ousada do queniano Wilson Maina, que imprimiu um ritmo forte nos primeiros quilômetros, distanciando-se do pelotão. Contudo, por volta do km 5, sua liderança começou a diminuir, sendo superado por um quarteto de africanos, que incluía os quenianos Jonathan Kamosong e Reuben Poguisho, o tanzaniano Joseph Panga e o etíope Muse Gizachew, além do brasileiro Fábio Jesus.
A ponta da prova foi intensamente disputada, com Jonathan Kamosong assumindo a liderança isolada na altura do Theatro Municipal e mantendo-a firme, inclusive na desafiadora subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio. O brasileiro Fábio Jesus Correia demonstrou grande resistência, mantendo-se na terceira posição e garantindo um lugar no pódio.
Quando a vitória de Kamosong parecia certa, Muse Gizachew protagonizou uma reviravolta espetacular. Nos momentos decisivos, já na Avenida Paulista, o etíope lançou um sprint final impressionante, ultrapassando Kamosong e sagrando-se o grande campeão da 100ª São Silvestre.
A Disputa Feminina: Domínio da Tanzânia
A prova feminina teve um início mais equilibrado, com um grupo de líderes se formando nos primeiros minutos. A queniana Cynthia Chemweno, a tanzaniana Sisilia Panga e a brasileira Núbia de Oliveira destacaram-se do pelotão, liderando boa parte do percurso. Após cerca de oito minutos de prova, a queniana Chemweno assumiu a ponta de forma mais isolada, com Panga em sua cola.
Pouco antes da metade da corrida, Sisilia Panga demonstrou sua força, ultrapassando Chemweno e abrindo uma distância considerável. A atleta da Tanzânia manteve um ritmo constante e dominante, chegando à Avenida Brigadeiro Luís Antônio já com uma vantagem confortável. Sem ser ameaçada, Panga cruzou a linha de chegada na Avenida Paulista, garantindo o título e marcando a história da 100ª edição da São Silvestre.

