O ano de 1995 no futebol brasileiro foi um turbilhão de emoções, rivalidades acirradas e a explosão de uma cultura que moldaria o país: o funk carioca. Agora, a série documental “1995: no tempo dos bad boys”, lançada pelo Sportv e Globoplay, mergulha nessa época dourada e caótica, revelando os bastidores de um período inesquecível, com destaque para a complexa relação entre os craques Romário e Edmundo.
A Era dos “Bad Boys” e a União Inesperada no Flamengo
A série, dividida em três episódios, transporta o espectador para uma viagem nostálgica aos anos 90, focando no centenário do Flamengo e na chegada de Romário para vestir a camisa rubro-negra. O documentário explora a formação do “trio dos sonhos” com Edmundo e Sávio, mas também as intrigas que surgiram em meio à “fogueira das vaidades” da Gávea. Personagens icônicos como Renato Gaúcho e Túlio Maravilha também ganham destaque, com suas atuações que marcaram a temporada e a disputa pelo título de “rei do Rio”. A trilha sonora, embalada pelo funk, reflete a revolução cultural carioca e sua conexão intrínseca com o futebol.
O “Hino dos Bad Boys”: O Funk que Selou a Amizade e Iniciou as Divergências
Um dos pontos altos da série é a investigação da parceria musical entre Romário e Edmundo. O “Hino dos bad boys”, um funk composto pela dupla com o amigo Raposão, virou hit e simbolizou a amizade e o estilo de vida dos craques na época. No entanto, essa colaboração musical também foi o estopim para as primeiras desavenças entre os dois. Segundo o jornalista Maurício Menezes, vice de comunicação do Flamengo em 1995, a divisão desigual dos direitos autorais da música gerou um sentimento de lesão em Edmundo, marcando o início de conflitos que iriam além dos gramados.
Rivalidades e Provocações: O “Rei do Rio” e a Guerra nos Jornais
A disputa pelo protagonismo no futebol carioca se estendeu para além das quatro linhas. Provocações em forma de “informes publicitários” em jornais eram comuns, com torcedores pagando para alfinetar rivais e defender seus ídolos. A rivalidade entre Romário, Renato Gaúcho e Túlio era palpável, e as provocações mútuas, como a manchete “calamidade em Botafogo – recolher enTÚLIO”, após uma vitória do Flamengo, ilustram bem o clima da época. A série conta com mais de 20 entrevistados, incluindo jogadores, treinadores, dirigentes e músicos como DJ Marlboro e MC Leonardo, que revivem esses momentos icônicos.
Bastidores de um Ano Marcante: Acidentes, Fugas e o Legado dos “Bad Boys”
O documentário também detalha episódios marcantes como a crise no “ataque dos sonhos”, o “Show do Apolinho” com a chegada do radialista Washington Rodrigues, e o trágico acidente de Edmundo dias antes da final da Supercopa. A série aborda ainda as tensões entre Romário e o então técnico Vanderlei Luxemburgo, que chegou a acusar Paulo Angioni de acobertar as escapulidas do “Baixinho”. Apesar das polêmicas, o ano de 1995 deixou um legado cultural e esportivo que ecoa até hoje, com o funk e a figura dos “bad boys” do futebol para sempre marcados na memória brasileira.

