Jorginho Paulista detalha bastidores do Tetra do Vasco: “Um êxtase total”
O lateral-esquerdo, peça fundamental na conquista de 2000, relembra o gol que sacramentou o título e o susto vivido com o desabamento do alambrado em São Januário.
O dia 18 de janeiro de 2000 ficou marcado para sempre na memória do torcedor vascaíno. Há 25 anos, o Gigante da Colina conquistava o seu quarto título brasileiro, o histórico Tetra, ao vencer o São Caetano por 3 a 1 no Maracanã. A decisão, no entanto, foi precedida por um incidente chocante em São Januário: o desabamento de um alambrado que deixou centenas de torcedores feridos.
O susto em São Januário: “Foi bem do meu lado”
Jorginho Paulista, autor de um dos gols e de uma assistência na final, era o lateral-esquerdo do Vasco e estava próximo ao lance quando o alambrado cedeu. “A gente estava atacando para o lado das piscinas de São Januário. Então, o lateral-esquerdo ficava bem próximo da arquibancada que caiu, foi bem do meu lado. O alambrado cedeu para a minha direção, porque caiu para frente. Tomei um susto, sem entender o que estava acontecendo”, relembrou o ex-jogador em entrevista exclusiva ao ge.
A confusão tomou conta do gramado, com torcedores invadindo o campo e muitos gritos. Jorginho conta que a evacuação para o vestiário foi imediata, e a incerteza sobre a continuidade do jogo pairou no ar até a decisão de transferir a partida para o Maracanã. “Depois avisaram: ‘vamos todo mundo para o vestiário’. Nos recolhemos e começou toda a movimentação para decidir se o jogo continuaria ou não”, disse.
Gol e assistência decisivos: “Sempre era algo muito surpreendente”
A final foi disputada em dois jogos. O primeiro, no Parque Antártica, terminou em 1 a 1. No Maracanã, o Vasco, com mais de 60 mil torcedores presentes, garantiu o título. Jorginho teve participação crucial, anotando um gol e dando uma assistência. “Eu não era um lateral de fazer muitos gols. Na minha carreira, tenho pouquíssimos. Então, sempre era algo muito surpreendente. Fazer um gol em uma final no Maracanã foi um êxtase total, ainda mais em um jogo de desempate”, afirmou o ex-lateral, que completou sobre a assistência: “Eu sinto como se fosse um gol. E ainda mais para o Romário, isso engrandeceu ainda mais. Estou no DVD dele”.
Um título histórico e o orgulho de vestir a camisa do Vasco
O Tetra foi o último Campeonato Brasileiro conquistado pelo Vasco até o momento. Para Jorginho, a conquista representa um marco em sua carreira e um motivo de imenso orgulho. “Para mim, viver esse momento é motivo de muito orgulho. Até hoje, quando ando pelo Rio de Janeiro, as pessoas me reconhecem como jogador daquele time do Vasco. Eu me coloco como uma parte importante da história do clube”, declarou.
O ex-jogador fez questão de ressaltar o valor do Vasco em sua trajetória: “O Vasco foi o clube pelo qual eu tenho mais orgulho de ter jogado, pelo histórico e pelo que representa. É um clube que transformou a sociedade no Rio de Janeiro e no Brasil. Tenho o maior orgulho de ter vestido essa camisa”.
Relatos de torcedores: Emoção e superstição
Carla Marques, que esteve presente nos dois jogos, relembrou o dia do acidente em São Januário com apreensão. “Eu estava mais em cima, atrás da bateria da torcida. Fiquei muito mal depois. Costumo dizer que foi Deus na minha vida eu ter subido, porque, se não, teria me machucado. Eu estava praticamente na grade.” Ela também contou que foi ao Maracanã escondida da mãe, em uma jornada sob o sol do meio-dia.
Sidney Loureiro, outro torcedor presente nas duas partidas, descreveu o silêncio ensurdecedor após a queda do alambrado, seguido pelo alvoroço. Ele também compartilhou uma história curiosa: “Esse dia, no Maracanã, é muito marcante para mim. Na época, eu tinha acabado de conhecer minha esposa. Hoje, estamos casados há 25 anos. Ela era flamenguista, mas depois daquele jogo virou vascaína”.
Fábio Rangel, que estava próximo à curva em São Januário, descreveu a cena como uma “avalanche de pessoas”. Apesar do susto, ele reforçou o clima de festa e a paixão pelo Vasco. “Fomos campeões. Não foi aqui, infelizmente, mas fomos. Esse título é nosso. A gente é Vasco, independentemente da forma como se torce, do sentimento de cada um. Acho que o clube merece. Que em 2026 essa seca acabe”, finalizou, demonstrando a esperança por novas conquistas.

