A temporada de 2025 do Corinthians foi um turbilhão de emoções, marcada por conquistas inéditas em meio a crises políticas, éticas, administrativas e financeiras. Em um ano que viu o impeachment do presidente, investigações criminais contra ex-dirigentes e uma dívida que atingiu a marca de R$ 2,7 bilhões, o clube conseguiu, surpreendentemente, levantar duas taças importantes: o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil. Jogadores e comissão técnica descreveram o período como “doloroso”, mas a alegria dos títulos amenizou as adversidades.
Impeachment e Investigação: O Fim de Uma Era para Augusto Melo
O ano começou com a novela do impeachment do ex-presidente Augusto Melo, que se arrastava desde 2024. Após a aprovação da admissibilidade em janeiro, o Conselho Deliberativo votou o afastamento provisório em maio, e a destituição definitiva ocorreu em agosto, em assembleia-geral. A base para o impeachment foram acusações de irregularidades no contrato de patrocínio com a VaideBet, infração à Lei Geral do Esporte e desrespeito ao estatuto do clube. Augusto Melo, que sempre negou as irregularidades, tornou-se réu em um processo criminal por associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto, ao lado de outros ex-dirigentes.
Devassa em Ex-Dirigentes e Uso Indevido de Cartão Corporativo
A investigação não se limitou a Augusto Melo. Os ex-presidentes Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves também foram denunciados pelo Ministério Público por suposto uso indevido do cartão corporativo do Corinthians para despesas pessoais. Relatórios e notas fiscais obtidos pela reportagem revelaram gastos com produtos e serviços para uso pessoal durante a gestão de Duílio, incluindo medicamentos. Ambos negam as irregularidades e respondem a processos internos no Conselho Deliberativo.
Em Campo: Títulos e Desafios Técnicos
Apesar do caos nos bastidores, o Corinthians mostrou força em campo. O primeiro título veio com o Campeonato Paulista, conquistado em final contra o Palmeiras, encerrando um jejum de seis anos sem troféus estaduais. A campanha foi sólida, com 11 vitórias, quatro empates e apenas uma derrota. No entanto, a alegria durou pouco. Três semanas após o título paulista, o técnico Ramón Díaz foi demitido devido ao mau início no Campeonato Brasileiro e à insatisfação pública do atacante Memphis Depay. A busca por um substituto foi marcada por um susto: Tite recusou o convite por problemas de saúde mental. Dorival Júnior, recém-demitido da Seleção Brasileira, aceitou o desafio e assumiu o comando em abril, em meio à efervescência política do clube.
Dívidas, Transfer Bans e a Luta por Reforços
A situação financeira do clube se agravou, com a dívida alcançando R$ 2,7 bilhões. A diretoria de Osmar Stabile, que assumiu interinamente em maio e depois em definitivo, reformulou o orçamento prevendo um déficit de R$ 83,3 milhões. A falta de recursos levou a dois transfer bans. O primeiro, em 12 de agosto, foi motivado por uma dívida de R$ 40 milhões com o Santos Laguna, do México, pela contratação do zagueiro Félix Torres. O segundo ocorreu em outubro, devido ao atraso no pagamento de parcelas de dívidas negociadas na CBF. A proibição de registrar novos jogadores ainda está em vigor, limitando as opções do técnico Dorival Júnior, que contou com apenas dois reforços durante o ano e precisou recorrer à base para suprir desfalques.
Copa do Brasil: A Glória em Meio à Adversidade
Se no Campeonato Brasileiro o Corinthians oscilou e terminou na 13ª colocação, na Copa do Brasil o time mostrou um desempenho diferente. Chegou às semifinais sem sofrer gols e eliminou o Palmeiras nas oitavas. Na semifinal contra o Cruzeiro, a classificação veio nos pênaltis, com grande atuação do goleiro Hugo Souza. Na final contra o Vasco, após um primeiro jogo ruim em casa, o Timão arrancou o empate e venceu a partida de volta no Maracanã por 2 a 1, conquistando o tetracampeonato da Copa do Brasil. A conquista foi celebrada como um feito heroico diante de tantas turbulências.
Mudanças na Diretoria e o Futuro da Base
As pressões políticas também levaram a mudanças no departamento de futebol. Marcelo Paz, ex-CEO do Fortaleza, foi contratado para substituir Fabinho Soldado. Nas categorias de base, a gestão Stabile buscou cortar gastos, extinguindo divisões e demitindo funcionários, além de dispensar dezenas de jovens contratados na gestão anterior. Erasmo Damiani foi o nome escolhido para ser o novo executivo da base.
Futebol Feminino: Mais Um Ano de Sucesso
Em contraste com as dificuldades do masculino, o time feminino do Corinthians, conhecido como “As Brabas”, manteve sua hegemonia, chegando a todas as cinco finais possíveis e conquistando o heptacampeonato Brasileiro e o hexacampeonato da Libertadores.

