O Encontro Surpresa em Alto Mar
Em um domingo de setembro de 1995, a então jovem Tércia Figueiredo, de 19 anos, partiu para um treino de vela no litoral cearense. Seu plano era assistir ao clássico entre Flamengo e Botafogo no Castelão, mas o destino reservava um encontro inusitado antes mesmo do jogo. Uma peça de seu barco quebrou, deixando-a à deriva por mais de 40 minutos. Foi quando um iate se aproximou: para seu espanto, era Romário.
“Eu paralisei. Como assim ele aqui? Daqui a quatro horas tem jogo. O que esse homem está fazendo aqui, gente?”, Tércia relembrou em entrevista ao ge. O jogador, auxiliado por seu assessor, Rodrigo Paiva, ofereceu ajuda, água e comida, mostrando-se atencioso e cordial, desmistificando a fama de “marrento”. Tércia descreve o momento como um misto de alívio e incredulidade, especialmente por ser um de seus ídolos.
Da Fama Repentina ao Esporte Paralímpico
O resgate inesperado rendeu a Tércia uma fama repentina em Fortaleza. Convidada pelo Flamengo, ela acompanhou o time ao estádio, visitou o vestiário e jantou com a delegação. A história chamou tanta atenção que a revista Playboy chegou a sondá-la, algo que ela recorda com bom humor: “Vocês estão pensando que eu sou o quê? É brincadeira?”.
Anos depois, em 2011, a vida de Tércia mudou drasticamente após uma queda de um barranco durante um exercício militar. Um erro médico no tratamento subsequente de uma fratura no pé e torção no joelho resultou na perda do movimento das pernas, tornando-a cadeirante. A aceitação da nova condição levou quatro anos, mas, ao abraçar a cadeira de rodas em 2014, Tércia redescobriu o esporte.
Tiro com Arco: Uma Nova Paixão
Apresentada ao paradesporto através de um projeto social e um acampamento militar do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Tércia conheceu o tiro com arco. A modalidade a cativou, e em menos de dois anos, ela já integrava a seleção brasileira, conquistando medalhas.
Mesmo diante de adversidades como a Covid-19, que a deixou com sequelas, Tércia manteve o espírito de atleta. Após uma recuperação difícil, ela voltou a competir, como nos Jogos Parapan-Americanos de Santiago em 2023, onde, apesar de um quinto lugar que a frustrou inicialmente, demonstrou resiliência e determinação, conquistando diversas medalhas no ano seguinte.

