A aguardada tecnologia de impedimento semiautomático, considerada um divisor de águas na arbitragem mundial, não estará presente em todos os estádios na estreia do próximo Campeonato Brasileiro. Embora a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tenha assinado um contrato com a Genius Sports, mesma empresa responsável pelo sistema na Premier League, a complexidade da instalação e a necessidade de padronização levaram ao adiamento da sua implementação total nas primeiras rodadas da Série A.
Em novembro do ano passado, a CBF selou o acordo com a Genius Sports, com sede em Londres, para trazer ao Brasil o que é considerado o melhor sistema de impedimento semiautomático do mundo. A expectativa era de que a novidade estivesse em pleno funcionamento desde o pontapé inicial, previsto para 28 de janeiro. No entanto, o diretor de arbitragem da Genius Sports, Harry Lennard, que atuou por 12 anos como assistente na Premier League, fez uma ressalva importante à ESPN.
A Complexidade da Instalação e o Posicionamento da CBF
Lennard explicou que a tecnologia, apesar de avançada, é um sistema complexo que exige um processo rigoroso de gestão de projeto, incluindo múltiplas etapas de instalação, testes e validação. “Eu garanto que esta é a melhor tecnologia semiautomática de impedimento do mundo. Mas é um sistema complexo e requer um processo de gestão de projeto muito claro, onde instalamos, testamos, validamos, testamos novamente e validamos mais uma vez para garantir que entregamos aos clubes um produto consistente”, afirmou. Ele ressaltou que é “altamente improvável” que o sistema esteja pronto em todos os estádios para o dia 28 de janeiro.
Apesar dos esforços, apenas o Maracanã, palco da partida entre Fluminense e Grêmio na primeira rodada, tem a instalação da tecnologia garantida. A Genius Sports está trabalhando para concluir o máximo possível, mas o curto prazo entre a assinatura do contrato e o início do campeonato impõe desafios inevitáveis.
Diante desse cenário, a CBF tomou uma decisão crucial: a entidade só utilizará o impedimento semiautomático quando ele estiver completamente instalado em todos os estádios da Série A. Isso significa que as primeiras rodadas do Brasileirão não contarão com a novidade, garantindo que nenhum clube seja beneficiado ou prejudicado pela ausência da tecnologia em seu campo.
Como a Tecnologia Semiautomática de Impedimento Funciona?
Para o funcionamento do sistema, são necessárias pelo menos 28 câmeras de celular instaladas em cada estádio. Essas câmeras capturam imagens que criam uma réplica digital do jogo, permitindo seguir cada movimento dos jogadores e da bola com uma precisão muito maior do que as câmeras de transmissão, atualmente usadas pelo VAR. O objetivo principal é agilizar as decisões de arbitragem, reduzindo o tempo de espera e aumentando a fluidez das partidas.
Impacto e Precedentes Internacionais
A promessa da tecnologia é uma redução significativa no tempo de decisão. Na Premier League, por exemplo, essa diminuição foi de pelo menos 30%. Contudo, é importante notar que mesmo na liga inglesa, a tecnologia só foi implementada de forma plena a partir da 32ª rodada da temporada 2024/25, mostrando que a adaptação e a instalação demandam tempo.
Na América do Sul, o impedimento semiautomático já foi testado em grandes palcos, como nas finais da CONMEBOL Libertadores e Sul-Americana em 2025 (referindo-se ao ano de uso, não necessariamente de disputa), além da final do último Campeonato Paulista. A experiência em outras competições reforça o potencial da ferramenta para o futebol brasileiro, mas também sublinha a necessidade de uma implementação cuidadosa e padronizada para garantir a equidade e a credibilidade do espetáculo.

