Entenda o impasse
O Botafogo enfrenta um desafio significativo para regularizar sua situação com a FIFA e encerrar o transfer ban que impede o registro de novos atletas. A pendência gira em torno do pagamento de US$ 21 milhões (aproximadamente R$ 114 milhões) ao Atlanta United, clube da MLS, pela contratação de Thiago Almada em 2024. A negociação, que se estende desde dezembro de 2023, quando o clube carioca foi condenado em primeira instância, tem como principal entrave a forma de pagamento exigida pela liga americana.
A proposta do Botafogo e a recusa da MLS
O clube carioca apresentou uma proposta de parcelamento extenso para quitar a dívida. No entanto, a Major League Soccer (MLS), que atua como uma entidade única e tem participação igualitária em todas as franquias, recusou o modelo. A liga americana não vê com bons olhos pagamentos de longo prazo, pois isso impacta diretamente o orçamento de todos os clubes associados. As primeiras reuniões para buscar um acordo não foram favoráveis ao Botafogo, que agora busca alternativas para apresentar aos americanos.
As exigências da MLS
A MLS propôs duas alternativas para o Botafogo: o pagamento integral dos US$ 21 milhões à vista, ou a quitação de 50% do valor como entrada, com os 50% restantes sendo pagos em um prazo máximo de um ano. Essa diferença entre o que o clube carioca oferece e o que a liga americana espera representa o cerne do impasse. As negociações são conduzidas pelo CEO do Botafogo, Thairo Arruda, com o aval do dono da SAF, John Textor.
O que o Botafogo alega?
O Botafogo argumenta que o acordo original com o Atlanta United previa o pagamento de US$ 21 milhões parcelados em quatro anos, com as duas primeiras parcelas já quitadas. Segundo o clube carioca, os valores deveriam ser liquidados até junho de 2026. Um ponto adicional de discórdia envolve a questão dos 10% devidos a Thiago Almada, que, segundo a lei da MLS, deveriam ser pagos pelo clube comprador. A Eagle, empresa dona da SAF do Botafogo, chegou a intermediar esse pagamento, mas o clube carioca contesta a cobrança na justiça americana, alegando débitos da própria MLS/Atlanta com o Botafogo em outra esfera.
Impacto do transfer ban
Enquanto as negociações avançam, o transfer ban imposto pela FIFA continua a afetar o Botafogo. Embora não impeça a contratação de atletas, a restrição atrasa os registros, como no caso do meia Cristian Medina, do Estudiantes. Jogadores já contratados, como o zagueiro Ythallo e o atacante Lucas Villalba, também não puderam ser inscritos e, por isso, participam apenas das atividades de preparação. A expectativa do Botafogo é resolver a situação antes do início do Brasileirão, mas a MLS demonstra pouca flexibilidade quanto ao modelo de parcelamento.

