A euforia do acesso em 2025 mascarou problemas profundos que explodiram em 2026.
A conquista do título da Série C em outubro de 2025 deveria ter sido o ápice de uma temporada de superação para a Ponte Preta. No entanto, o que se seguiu à festa no Moisés Lucarelli foi a exposição de uma crise financeira e administrativa que se arrastava nos bastidores e que, no início de 2026, atingiu o campo de forma avassaladora. O desabafo do meia Elvis, após a derrota para o Velo Clube, é um retrato fiel do momento: “Vergonha o que está acontecendo. A gente está sofrendo por causa de uma desorganização do clube.”
Salários atrasados e transfer ban: um ciclo vicioso que paralisa o clube.
Os primeiros sinais de alerta surgiram entre maio e junho de 2025, com informações de atrasos salariais para jogadores e funcionários. Na época, a diretoria tratou o problema como pontual, mas a situação se agravou em julho com o primeiro transfer ban, imposto pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) devido ao atraso no pagamento de parcelas de um acordo. A sanção limitou o planejamento esportivo e evidenciou a gravidade da crise financeira. Mesmo assim, a equipe, sob o comando de Alberto Valentim, conseguiu o acesso e o título da Série C, em meio a relatos de mais de 100 dias de salários atrasados. A conquista, celebrada com discursos de união, escondia um desgaste crescente.
O fim de 2025 e o caótico início de 2026: a crise se intensifica.
O fim de 2025 foi marcado por ações judiciais de jogadores cobrando salários e rescisões indiretas. O então presidente Marco Antonio Eberlin chegou a classificar o clube como estando na “UTI”. A eleição de Luiz Torrano em dezembro não foi suficiente para reverter o quadro. A transição para 2026 foi caótica: reapresentação adiada, corte de gastos e paralisação da pré-temporada pelos jogadores devido a débitos que chegavam a sete meses em alguns casos. Mesmo com o retorno aos treinos em janeiro, o transfer ban seguiu em vigor, impedindo a inscrição de reforços e gerando novas saídas.
Um elenco esvaziado e o risco iminente de rebaixamento.
A Ponte Preta acumula dois transfer bans, um na CNRD desde julho de 2025 e outro na FIFA desde setembro do mesmo ano, somando dívidas de aproximadamente R$ 2,8 milhões. Sem poder registrar novas contratações, o time estreou no Paulistão com um elenco enxuto, formado por remanescentes da Série C e atletas da base. A derrota para o Corinthians e, posteriormente, para o Velo Clube, evidenciou o risco esportivo. Jogadores machucados têm sido obrigados a atuar por falta de opções, e a base, que também enfrenta atrasos salariais, teve seus jovens atletas convocados às pressas para suprir a carência no profissional. Com duas derrotas em dois jogos e na lanterna do Paulistão, a Macaca corre um risco real de rebaixamento, transformando um ano que começou com esperança em mais um capítulo doloroso de sua história recente.

