O ginásio do UTC, em Uberlândia, foi palco de um momento emocionante durante a partida entre Praia Clube e Sesc-Flamengo, pela Superliga Feminina. O técnico Bernardinho, do time carioca, surpreendeu a torcedora Amábile Olivério, de 52 anos, que tem deficiência visual, ao subir na arquibancada para cumprimentá-la e tirar fotos. O encontro aconteceu após a história de Amábile e sua filha, Maria Gabriela, chegar ao treinador.
A paixão pelo vôlei e a superação
Amábile perdeu a visão em 2020 devido a complicações da diabetes, o que a levou a um período de reclusão por medo de acidentes. No entanto, a paixão pelo vôlei, herdada desde a infância quando era levada aos jogos pela mãe, nunca diminuiu. Para continuar acompanhando seu time, o Praia Clube, e o esporte que ama, Amábile conta com a ajuda inestimável de sua filha, Maria Gabriela.
“A Maria é um anjo na minha vida, ela me ajuda muito. Ela me ensina, ela fala: ‘mãe, está acontecendo isso, a Juju está sacando, a Macris levantou’. Ela é ótima narradora”, declarou Amábile, emocionada, referindo-se à narração detalhada que a filha faz durante as partidas.
Um encontro que inspira
A história de dedicação e amor entre mãe e filha chamou a atenção e chegou aos ouvidos de Bernardinho. O técnico, conhecido por sua sensibilidade, fez questão de ir até a arquibancada para conhecer Amábile. O abraço trocado entre eles simbolizou não apenas o encontro de uma fã com seu ídolo, mas também a força da superação e a importância do esporte como ferramenta de inclusão.
“Já estava tudo tão mágico, tão lindo, tão encantador, que eu não sei te explicar o que foi mais emocionante. Se foi estar aqui, ver as meninas, ou ver o Bernardinho, ou estar aqui junto da minha filha, que eu amo tanto”, disse Amábile, visivelmente emocionada. Ela completou, com um novo ânimo: “A gente fica reclusa, igual eu estou, mas eu não vou ficar mais, porque eu sei que tem muita gente boa, que pode ajudar a gente, por causa da minha deficiência. Muitas vezes eu fico com medo de sair de casa, de tropeçar, de cair, ou até medo de machucar alguém. Mas eu sei que é possível”.
Um pedido por mais inclusão
Maria Gabriela aproveitou a visibilidade do momento para fazer um pedido aos narradores de vôlei: que informem o placar com mais frequência. “Como a minha mãe tem deficiência visual, às vezes ela não consegue acompanhar o placar. Eu gostaria de pedir com carinho, com muito carinho, para quem está narrando o jogo, para falar mais vezes quanto que está o placar. Não só pela minha mãe, mas para todas as pessoas que têm algum tipo de baixa visão ou deficiência visual”, solicitou.
A comentarista do sportv, Fabiana Alvim, também se emocionou com a história e ressaltou a relevância de se discutir a inclusão no esporte. “Eu sempre acho que nunca vai ser só sobre esporte se a gente puder falar sobre esses temas de inclusão. Há coisas que, para algumas pessoas, não fazem falta, mas para outros é essencial. A gente tem que pensar sobre isso. Estamos sempre aprendendo a poder contar boas histórias”, afirmou a bicampeã olímpica.
Ao final, Amábile e Maria Gabriela puderam comemorar a vitória do Sesc-Flamengo sobre o Praia Clube por 3 sets a 1, um resultado que manteve as cariocas na liderança da Superliga Feminina.

