Renovação marcada por divergências e críticas
Após a vitória do Flamengo sobre o Vasco no Campeonato Carioca, Filipe Luís comentou pela primeira vez sua renovação de contrato, anunciada no final de dezembro após uma negociação considerada longa e com divergências financeiras. O técnico admitiu que a repercussão negativa, incluindo o uso do termo ‘mercenário’, o deixou triste.
“O que eu escutei e li realmente me deixou muito triste. Os treinadores e jogadores que querem tomar decisões não podem ser mercenários ou chutados pela porta dos fundos. Esse pré-julgamento me machucou e me deixou muito triste com tudo que aconteceu”, desabafou Filipe Luís, ressaltando que, apesar das dificuldades, está feliz por continuar no clube.
Decisões institucionais acima do planejamento individual
O treinador também abordou a polêmica sobre a antecipação do retorno dos jogadores que estavam em pré-temporada, uma decisão que gerou desconforto interno. Filipe Luís minimizou a situação, afirmando que os interesses da instituição sempre prevalecem.
“Os interesses da instituição estão sempre acima de qualquer planejamento. O clube entendeu que era o melhor, nós temos sempre que seguir o melhor para o clube. Eu sempre fiz isso desde que cheguei, o Bap também, o Boto também, somos pessoas com muita coragem porque tomar decisões desse nível requer muita coragem. Uma decisão onde todos tomamos todos, assumimos todos os riscos e bola para frente”, declarou.
Confiança no elenco e nos jogadores
Filipe Luís demonstrou confiança no elenco e na capacidade dos jogadores de se adaptarem às suas ideias, mesmo com o pouco tempo de preparação. Ele elogiou o cuidado dos atletas com o próprio corpo e a qualidade técnica apresentada.
“Não me impressiona porque eu já conheço os jogadores, sei da ambição que os jogadores têm de jogar, performar e se divertir dentro do campo. Quando o time tem tempo para treinar, ele desenvolve todas as ideias, ele pega todos os conceitos. Hoje, por mais que tenha sido um jogo com um volume de finalização muito grande, existem coisas para melhorar sim, com certeza, mas foi um jogo espetacular”, analisou.
O técnico também exaltou a liderança de Bruno Henrique e o sacrifício de Pedro, que atuaram mesmo sem estarem em plenas condições físicas. “Um verdadeiro líder não se mede por palavras, mas sim por atitudes”, pontuou sobre o capitão.
Ousadia e coragem nas decisões
Filipe Luís reforçou a ideia de que decisões importantes no futebol exigem coragem, tanto por parte dos jogadores quanto da comissão técnica e diretoria. Ele citou o exemplo do Campeonato Carioca do ano anterior, que foi utilizado como pré-temporada com riscos, mas resultou em título.
“Riscos sempre existem. No primeiro planejamento que foi feito também havia riscos. Os riscos aconteceram de uma maneira negativa e para a instituição foi importante mudar esse planejamento, com outros riscos. Todos eles têm. Ano passado também teve. Falei aqui ano passado usaria o Carioca como pré-temporada para melhorar a forma física dos jogadores, com os riscos que existiam. Acabou que ganhamos o Carioca. Falei para vocês, pode ser que meu trabalho esteja em jogo, mas quero correr esse risco. Todas as decisões requerem muita coragem das pessoas que estão aqui. Por sorte somos pessoas corajosas e assumimos os riscos. Vamos enfrentá-los”, concluiu.

