Marcos Braz, ex-vice-presidente de futebol do Flamengo e atualmente executivo do Remo, revisitou sua marcante passagem pelo clube carioca em entrevista ao ge, abordando as complexas decisões sobre o comando técnico que pautaram sua gestão. O dirigente, peça fundamental nas conquistas de duas CONMEBOL Libertadores pelo Rubro-Negro, admitiu um grande arrependimento, mas manteve sua convicção em outra decisão controversa.
A Saída de Jorge Jesus: Um Desejo do Treinador
Braz iniciou sua análise relembrando a saída de Jorge Jesus, em meados de 2020, que trocou o Flamengo pelo Benfica. Segundo o dirigente, apesar do alto impacto de perder uma comissão técnica campeã da Libertadores e do Brasileiro, a situação não foi percebida como uma “crise” de gestão.
“A saída do Jorge Jesus, mesmo não tendo uma turbulência muito grande, porque a culpa não era nossa, era um desejo dele, eu tinha a noção exata do que estava acontecendo”, afirmou Braz. Ele reconheceu a dimensão da perda para o clube e para sua própria posição como vice-presidente.
O Amargo Arrependimento com Rogério Ceni
Após a breve passagem de Domènec Torrent, o Flamengo apostou em Rogério Ceni, que assumiu em novembro de 2020. Ceni conquistou o Campeonato Brasileiro de 2020, a Supercopa do Brasil e o Campeonato Carioca de 2021. Apesar dos títulos, o ex-goleiro foi demitido em julho de 2021, uma decisão que Marcos Braz hoje lamenta profundamente.
“Eu errei ao tirar o Rogério Ceni naquele momento. Eu me arrependo muito de demitir e não fui coerente”, confessou Braz. Ele detalhou a incoerência da decisão, lembrando que segurou Ceni mesmo sob pressão da torcida, convenceu-o a permanecer quando ele pediu demissão duas vezes e o viu ser campeão. “Seguro ele, o Flamengo é campeão do Brasil, da Supercopa, tricampeão estadual, e mais na frente por questões internas, pressão de A, de B, eu demiti”, completou, evidenciando o peso das influências externas.
Dorival Júnior: Uma Troca Que Seria Feita Novamente
Outra decisão marcante na gestão de Braz foi a não renovação de contrato com Dorival Júnior. Contratado no meio de 2022, Dorival levou o Flamengo aos títulos da Copa do Brasil e da Libertadores. Contudo, seu contrato, que se encerrava em dezembro daquele ano, não foi estendido, e Vítor Pereira assumiu o cargo, resultando em um período de insucessos e a perda de vários títulos.
Apesar do desfecho negativo com o substituto, Marcos Braz não se arrepende da decisão de não manter Dorival. “A gente iniciou o processo de renovação [com Dorival] e fez uma proposta. Veio uma contraproposta e no meio disso aí entendemos que não deveríamos ficar reféns e fomos por outro caminho”, explicou.
O dirigente reforçou sua posição, afirmando que, mesmo com a retrospectiva, faria a mesma escolha. “Falar desse assunto em cima dos resultados… Na verdade, a análise é essa, em cima dos resultados posteriores, aí é muito difícil. Eu acho… Acho não, eu trocaria de novo”, concluiu Braz, indicando que a decisão foi baseada na dinâmica da negociação e na visão estratégica daquele momento, e não puramente nos resultados pós-troca.

