Mudança de Filosofia e Redução de Elenco
O Flamengo iniciou a temporada de 2026 com uma nova filosofia nas categorias de base, visando formar talentos brasileiros com foco técnico e responsabilidade. A diretoria, que assumiu o clube no início de 2025, identificou a necessidade de um retorno às origens, apostando na liberdade para os jovens errarem e experimentarem, em vez de se prenderem excessivamente a sistemas táticos. Essa mudança de mentalidade resultou na redução do número de atletas de 400 para aproximadamente 250, com o objetivo de focar em jogadores entre 15 e 17 anos, adquiridos por valores considerados baixos, até R$ 2 milhões. A expectativa é que o sucesso de uma única aposta compense todo o investimento.
Investimento em Jovens Promessas e Parcerias Estratégicas
Desde o segundo semestre de 2025, o clube tem buscado reforços pontuais e formado novas parcerias com clubes formadores. Entre os jovens contratados estão o volante Raimundo (16 anos) e o atacante Heitor (17), vindos do Vila Nova; o lateral-esquerdo Samuel (17), da Ferroviária; o zagueiro Paulo César (16), do América-MG; o goleiro Pedro Henrique (17), do Palmeiras; o atacante Isaac (16), do Fortaleza; o goleiro Nicolas (15), do Avaí; e o volante Kaio Júnior (19), do Juventude. O Flamengo também ampliou sua rede de parcerias com clubes como o Inter de Minas e o Tolentino Esportes, somando-se a parceiros antigos como o CEWG e o Clube Trieste.
Prioridade na Formação de Talentos e Resultados a Longo Prazo
A diretoria do Flamengo entende que, por anos, o clube privilegiou atletas mais fortes fisicamente, o que gerou conquistas, mas nem sempre resultou em jogadores prontos para o profissional. Inspirado em modelos europeus, como o do Barcelona, o objetivo agora é colocar o fator técnico no centro do processo. Essa aposta exigirá paciência, pois os resultados esportivos não serão imediatos. O sucesso será medido pela capacidade de formar atletas que alimentem o time principal e gerem retornos financeiros e técnicos. Por isso, em 2026 e 2027, o clube deixará de priorizar títulos para investir na criação de talentos.
Estrutura e Nova Cultura na Base
O diretor José Boto, que trouxe o português Alfredo Almeida para comandar as categorias inferiores, enfatizou a importância de criar um DNA de jogadores talentosos e responsáveis. Alfredo Almeida tem liderado as mudanças, com Kadu Borges (sub-14 ao sub-20) e Danilo Mattos (sub-13 para baixo) como coordenadores. Além disso, foi criado um mecanismo de participação financeira para profissionais da base, que receberão um percentual sobre o saldo entre compra e venda de atletas. O clube também se desfez de “jogadores-problema”, buscando implantar uma nova cultura de esforço, dedicação e responsabilidade, como exemplificado pela rescisão amigável com vários jogadores do sub-20, incluindo alguns com histórico em títulos recentes.

