John Textor enfrenta a maior pressão interna desde que assumiu a SAF do Botafogo no início de 2022. Atualmente afastado do comando da Eagle, sua empresa, o empresário americano vê sua força política diminuir dentro do clube alvinegro. Figuras influentes, tanto do associativo quanto da própria SAF, defendem abertamente a saída de Textor, argumentando que sua gestão tem sido prejudicial ao Botafogo.
A desconfiança em relação a Textor se intensificou devido a promessas não cumpridas e à falta de dinheiro em caixa. A principal delas era a entrada de um aporte financeiro significativo para sanar dívidas urgentes, incluindo o transfer ban imposto pela FIFA devido à dívida com o Atlanta United pela compra de Almada. No entanto, até o momento, não há sinais de que esse dinheiro entrará nos cofres do clube. Essa situação tem gerado um clima de apreensão em todos os departamentos do Botafogo.
Aliados de Textor contestam o comando do americano
Mesmo Thairo Arruda, CEO da SAF escolhido por Textor, tem contestado algumas decisões recentes do americano. O presidente do associativo, João Paulo Magalhães Lins, também demonstra desconfiança com os últimos movimentos do empresário. Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente e figura com grande influência fora da SAF, é um dos mais vocais na oposição à continuidade de Textor. Apesar de tê-lo chamado de “herói” e “ídolo” após conquistas recentes, Montenegro já expressou preocupação com os rumos da SAF, chegando a afirmar que Textor teria buscado dinheiro com agiotas.
Textor se apega a liminar, mas perde prestígio
John Textor parece ciente de seu isolamento no Botafogo e teria admitido receio diante da pressão interna. Ele foi afastado da Eagle, mas se mantém no comando da SAF alvinegra graças a uma liminar concedida pela Justiça do Rio de Janeiro em outubro de 2025. Apesar disso, o empresário confia na manutenção dessa decisão judicial para permanecer no cargo. Em entrevista recente, Textor declarou que não abandona o clube em momentos difíceis e se considera o “dono certo” para o Botafogo.
A realidade financeira, no entanto, é preocupante. Textor não investe dinheiro no clube há pelo menos oito meses, e o caixa atual é sustentado por patrocínios, cotas de TV e vendas de jogadores. Mesmo com a promessa de um aporte para esta semana, o pessimismo prevalece nos bastidores, com a crença de que o americano não conseguirá viabilizar o dinheiro. A dívida da SAF é estimada em R$ 1,5 bilhão, com um passivo de curto prazo de R$ 700 milhões. O aporte prometido seria um empréstimo com juros altíssimos, fornecido por antigos parceiros de Textor, que poderiam ficar com parte da SAF ou com verbas de vendas futuras em caso de não pagamento dos juros. Essa proposta de empréstimo gerou resistência de diversas partes ligadas ao Botafogo, levando Textor a destituir membros do conselho da Ares, o que, por sua vez, irritou Michelle Kang, presidente do Lyon, que iniciou um processo para retirar Textor do comando da Eagle Football.
Ações judiciais e recuperação judicial
Em meio à crise, o Botafogo de Futebol e Regatas (clube associativo) entrou com um processo pedindo ao TJ-RJ a manutenção de uma decisão que obriga a SAF a comunicar previamente atos financeiros relevantes. O clube associativo afirma que a medida busca evitar o esvaziamento patrimonial. Paralelamente, a SAF prepara um pedido de recuperação judicial para lidar com as dívidas contraídas na gestão de John Textor, o que pode ajudar a mitigar problemas urgentes como o transfer ban da FIFA.
Em nota oficial, John Textor reiterou sua posição como presidente e líder do Botafogo, afirmando que assumiu o controle do conselho de administração da Eagle Football devido a preocupações com relatórios financeiros e alterações na governança do Lyon. Ele declarou continuar sendo o acionista controlador da Eagle Football Holdings Limited, apesar dos processos na França.

