O Vasco da Gama se despediu oficialmente de Rayan, um dos talentos mais promissores formados em suas categorias de base no século. Aos seis anos, o atacante já vestia a camisa cruzmaltina, mas sua ligação com o clube transcende as quatro linhas: a paixão pelo Gigante da Colina corre nas veias de sua família. Nascido e criado na comunidade da Barreira do Vasco, ao lado de São Januário, Rayan é filho de Valkmar, ex-jogador do clube nos anos 90 e início dos 2000, e Vanessa, torcedora fervorosa e moradora local.
Raízes Cruzmaltinas e Primeiros Destaques
A identificação de Rayan com o Vasco é um legado familiar. “Ter os dois dentro de casa, que são vascaínos, que trabalharam dentro do Vasco, é muito importante. Meu avô também é vascaíno. A família toda é vascaína”, contou o jogador em entrevista ao ge. Essa forte ligação se refletiu em campo desde cedo. Aos 11 anos, Rayan já chamava a atenção, acumulando a impressionante marca de 280 gols nas categorias de base do clube. Ele integrou a chamada “geração de ouro” da base vascaína, conquistando títulos importantes como a Copa Rio Sub-17 e o Campeonato Carioca Sub-17 (bicampeão), além de ser presença constante nas seleções brasileiras de base.
Anos Turbulentos no Profissional e Superação
A estreia no time profissional, em junho de 2023, foi marcada por um feito histórico: Rayan se tornou o jogador mais jovem a marcar pelo Vasco no século XXI, com 16 anos, 10 meses e 8 dias. No entanto, os anos seguintes foram de instabilidade para o clube e para o jovem atacante. Em 2023, com a chegada de Ramón Díaz, jogadores mais experientes foram priorizados, e Rayan, após um breve período no profissional, retornou ao Sub-20. Já em 2024, a oscilação do time refletiu em seu desempenho. Apesar de ter iniciado o ano com boas atuações na conquista do Sul-Americano Sub-20 pelo Brasil, sua adaptação ao time principal do Vasco foi gradual. Houve momentos de cobrança por parte da torcida, como após a goleada sofrida para o Flamengo, e até mesmo uma expulsão crucial nas quartas de final da Copa do Brasil. O ano terminou com apenas dois gols em 33 jogos, longe do brilho esperado.
A Virada com Fernando Diniz e a Consolidação como Protagonista
A reviravolta na carreira de Rayan no Vasco ocorreu com a chegada do técnico Fernando Diniz. Com total confiança no potencial do jovem, Diniz o escalou como peça fundamental de sua equipe. Os primeiros gols sob o comando do novo treinador, contra Operário, Melgar e São Paulo, sinalizaram uma crescente. Rayan assumiu o protagonismo, tornando-se o dono do ataque mesmo em fases difíceis do Brasileirão. Quando o time engrenou, o atacante explodiu, marcando seis gols em seis jogos contra adversários de peso como Flamengo, Cruzeiro, Vitória, Fortaleza e Fluminense, alimentando o sonho da torcida por uma vaga na Libertadores. Em um momento crucial, contra o Internacional, Rayan novamente apareceu para liderar a equipe a uma vitória expressiva por 5 a 1, afastando qualquer risco de rebaixamento.
Da Final da Copa do Brasil à Venda Recorde
Os jogos da semifinal da Copa do Brasil contra o Fluminense se tornaram emblemáticos. Rayan, sentindo a provocação do rival, deu a resposta em campo, sendo decisivo para levar o Vasco à final. Ele marcou na primeira partida e converteu o pênalti que garantiu a classificação. A final, no entanto, trouxe o capítulo frustrante do vice-campeonato, com um gol anulado por centímetros na ida e a dificuldade em furar a defesa do Corinthians no Maracanã. A derrota foi sentida intensamente pelo atacante, que chorou em campo. O desfecho dessa trajetória foi a venda para o Bournemouth, da Inglaterra, por 35 milhões de euros (aproximadamente R$ 200 milhões na cotação da época), sendo 28,5 milhões fixos e 6,5 milhões por metas. O Vasco receberá cerca de 25 milhões de euros à vista, configurando a maior venda de sua história. Rayan expressou o desejo de atuar na Premier League, visando uma vitrine maior para alcançar outros grandes centros europeus. O clube, embora pudesse negociar valores maiores futuramente, optou por respeitar a vontade do atleta e manter a boa relação com a família, que foi crucial para renovações contratuais anteriores.

