O Palmeiras iniciou sua jornada no Campeonato Brasileiro com um empate em 2 a 2 contra o Atlético-MG, na Arena MRV. Após a partida, o técnico Abel Ferreira abordou a intensa pressão por títulos que o clube enfrenta na atual temporada, utilizando figuras icônicas do esporte mundial para ilustrar sua perspectiva sobre vitórias e derrotas.
A inspiração em Ayrton Senna e a realidade do esporte
Em coletiva de imprensa, Abel Ferreira recorreu ao legado de Ayrton Senna, um de seus ídolos, para contextualizar a inevitabilidade das perdas no esporte de alto nível. “Vocês tiveram o Ayrton Senna, um dos meus ídolos, que ganhou 13 e perdeu sete. Eu entendo perfeitamente, mas as equipes precisam estar preparadas porque vão perder mais do que ganhar. Só um vai ganhar”, afirmou o treinador, reforçando a ideia de que a derrota é parte integrante da competição e que apenas um time pode ser campeão.
Diálogo com Ancelotti e a visão de Guardiola
O técnico português revelou ainda ter conversado com Carlo Ancelotti, um dos treinadores mais vitoriosos do mundo. “O próprio Ancelotti, um dia tive o prazer de falar com ele, perguntei: ‘Mister, você que é o treinador mais campeão do mundo, como é que…’. ‘Ah, poxa, tenho muitas, mas já perdi muitas também’”, contou Abel. Ele também mencionou Pep Guardiola, treinador do Manchester City, para enfatizar que, mesmo com múltiplos talentos e grandes técnicos, a vitória é singular e as perdas são comuns.
Lições do Atlético-MG e a estabilidade do Palmeiras
Abel Ferreira usou o Atlético-MG como exemplo para destacar a importância da estabilidade e da crença no processo. Ele relembrou que, há alguns anos, o Galo chegou à final da CONMEBOL Libertadores e, após a derrota, o comando técnico foi alterado. “A Leila (Pereira, presidente do Palmeiras) aguentou (o vice para o Flamengo, em 2021). O que o Atlético fez? Mandou o treinador embora no final. Tem tudo a ver com o processo, com o que você acredita”, analisou, elogiando a resiliência da diretoria palmeirense em momentos difíceis.
O treinador concluiu sua fala reforçando o compromisso do Palmeiras com a luta por títulos, mas sem a ilusão de invencibilidade. “Felizmente, estou em um clube que é super estável nisso. Não vamos ganhar sempre, mas vamos lutar sempre para ganhar. […] Eu sei que vocês todos gostam de ganhar, o brasileiro gosta de ganhar, está no sangue, mas tenho certeza de que não gostam de ganhar tanto quanto eu”, finalizou Abel, reiterando sua paixão pela vitória, mas com os pés no chão sobre a realidade do futebol.

