Guerra nos bastidores da Eagle Football
O empresário John Textor, dono da SAF do Botafogo, lançou acusações diretas contra Michele Kang, atual administradora do Lyon, e o fundo de investimentos Ares Management. Segundo Textor, ambos seriam os responsáveis diretos pelo transfer ban imposto ao Botafogo pela Fifa. A polêmica surge em meio a uma intensa disputa interna na Eagle Football, empresa controlada por Textor e na qual Kang e Ares são acionistas.
Pagamentos não realizados e bloqueio de fundos
Em uma carta enviada a Kang e Ares, Textor detalha que a punição ao clube carioca foi resultado da “recusa da Sra. Kang de fazer importantes pagamentos ao Botafogo, registrados em transferências de mais de 104 milhões de euros”. Além disso, o americano alega que a Ares Management atuou para “bloquear uma contribuição de US$ 50 milhões para o clube”, o que, em conjunto, culminou no transfer ban.
Textor também levantou a questão de um possível conflito de interesses, uma vez que a organização de Kang, a Kynisca, foi recentemente anunciada como patrocinadora da Copa dos Campeões Feminina pela Fifa.
Acordo secreto e controle do Lyon
O dono da SAF do Botafogo vai além e acusa Kang e Ares de terem entrado em um “conluio para administrar o Lyon sem consultar outros acionistas”, incluindo o próprio Textor. De acordo com o empresário, esse acordo paralelo teria sido orquestrado para assumir o controle do clube francês, que é o principal ativo da Eagle Football, e, posteriormente, prejudicar o desempenho da empresa e seus clubes associados.
“Ela trabalhou incansavelmente com esse conselho secreto de diretores, sem o conhecimento do verdadeiro conselho do clube, para garantir que a Eagle Football e sua família de clubes fracassassem”, afirmou Textor na carta.
Dívida com a Ares e pressão no Botafogo
A relação entre Textor e Ares já é marcada por uma dívida significativa. Em 2022, o fundo de investimentos emprestou US$ 450 milhões para Textor adquirir o Lyon, montante que ainda não foi quitado. A situação se agravou com a tentativa de Textor de remover diretores da Eagle BIDCO, que não teriam concordado com suas recentes atitudes, incluindo o modelo de aporte financeiro para quitar as dívidas urgentes do Botafogo.
A Ares considerou a remoção dos diretores inválida e enviou uma carta a Textor informando sua “saída imediata” do comando da Eagle, embora a decisão ainda não seja oficializada. No Botafogo, a pressão sobre Textor é crescente. A promessa de um aporte financeiro significativo para esta semana, que resolveria o transfer ban, ainda não se concretizou, gerando dúvidas sobre o cumprimento de seus compromissos e abrindo espaço para discussões sobre sua permanência no comando da SAF.

