Reconexão com o passado em Minas Gerais
A pequena cidade de Bicas, no interior de Minas Gerais, com seus cerca de 14 mil habitantes, tornou-se um refúgio especial para Danilo, zagueiro do Flamengo. Após 14 anos atuando na Europa, o jogador reencontra suas origens em um retorno que vai além do campo. Longe dos títulos e do reconhecimento internacional, em Bicas, Danilo volta a ser apenas o “filho do Baiano e da Zezé”, uma conexão que ele considera fundamental para seu bem-estar e sua carreira.
“Aqui eu posso botar o pé no chão da forma literal, porque eu ando descalço, eu boto o pé no barro. É literal mesmo. E aqui eu sou o Danilo filho do Baiano e da Zezé, não o Danilo jogador do Flamengo e da seleção brasileira. Isso me traz de volta para o meu interior, desinfla um pouco o ego, que muitas vezes faz mal. Faz mal para a gente que somos pessoas públicas”, declarou Danilo em entrevista ao ge.
O Museu e o Orgulho da Cidade
A importância de Danilo para Bicas é palpável. Uma placa na frente de sua casa exibe com orgulho a frase “De Bicas para o mundo”, um testemunho do sucesso do jogador que conquistou duas Ligas dos Campeões, um Mundial, foi convocado para Copas do Mundo e agora celebra títulos com o Flamengo. A cidade abriga a “Galeria Danilo”, um museu com artigos raros de sua carreira, que serve de inspiração para as crianças locais, mostrando que é possível alcançar o estrelato partindo de um lugar pequeno.
A equipe de reportagem do ge acompanhou de perto essa reconexão, testemunhando o orgulho dos biquenses e a sensação de tranquilidade do jogador ao retornar às suas raízes. Mesmo com a fama, a abordagem em Bicas é diferente: “Ah, não foi lá em casa, tomar um café, passa lá em casa para comer uma broa”. São convites que o fazem se sentir em casa, um carinho imenso que ele valoriza.
O Sonho do Flamengo e o Protagonismo
A escolha de retornar ao Brasil e, em especial, ao Flamengo, foi motivada pelo desejo de proximidade com a família e amigos, algo que o futebol europeu não permitia. “Foi uma coisa que eu sempre falei ao longo dos anos que se eu voltasse a jogar no Brasil, seria muito para trazer meus filhos para conviverem com os meus pais, meus irmãos, estar perto dos meus amigos um pouco mais”, explicou Danilo.
Apesar de ter aberto mão de uma parte financeira para realizar o sonho de jogar pelo clube de coração, Danilo sente que a escolha foi recompensada, especialmente após momentos decisivos como o gol na final da Libertadores. “E quando eu retornei, eu botei isso como prioridade. Hoje em dia se eu tenho uma tarde livre muitas vezes eu pego o carro e venho para Bicas, venho pescar um pouco e volto no outro dia de manhã. Porque isso me ajuda a relaxar e reconstrói um pouco tudo aquilo que ficou para trás”, completou.
Humildade e o Recomeço Constante
Com um currículo recheado de títulos, Danilo prega a humildade como a principal característica dos grandes. Ele entende que as conquistas do passado não garantem o sucesso futuro e que a mentalidade de recomeçar do zero é fundamental. “O que a gente fez no ano passado está na história, está nos livros, está nos vídeos, mas para esse ano conta zero. Quando a gente entra em campo, está 0 a 0 contra qualquer adversário”, ressaltou.
Para o zagueiro, o futebol moderno exige versatilidade e resiliência. Ele acredita que sua experiência e capacidade de adaptação podem ser trunfos para futuras convocações para a Seleção Brasileira. “Eu diria para aquele menino [de Bicas] coragem. Porque vendo toda a minha trajetória e como as coisas se desenharam sempre, eu sempre tive muita certeza de onde eu poderia chegar… Mas eu achava que seria mais fácil. Tive muitas dificuldades”, concluiu.

