A incrível trajetória de Lucas Paquetá no Flamengo é marcada por um passado surpreendente: o jogador, que retornou ao clube como a contratação mais cara da história do futebol brasileiro, avaliado em 42 milhões de euros (aproximadamente R$ 260 milhões), esteve perto de ser dispensado três vezes nas categorias de base rubro-negras.
A revelação partiu de Carlos Noval, ex-diretor executivo de futebol e gerente geral da base do Flamengo. Em entrevista ao programa Esporte Espetacular, Noval detalhou a resistência que enfrentou para segurar o talento do meia.
Resistência e Aposta no Potencial
“No decorrer da carreira dele no Flamengo, eu, como diretor, tive três pareceres de dispensa na minha mão”, afirmou Noval. Ele explicou que, apesar dos relatórios negativos, sua crença no potencial de Paquetá era inabalável. “Eu acreditava muito nele. E aí é uma coisa que eu acho que faz parte até do diretor executivo não ficar dentro da sala só tratando de contrato. Se você está no campo acompanhando os treinos, você identifica e sabe quem realmente são os jogadores que têm a maturação tardia, que vão poder mais tarde se desenvolver.”
Noval descreveu Paquetá como um menino “pequenininho, mas muito raçudo. Tinha uma gana muito grande, então os caras batiam nele, ele caía, levantava, ia para cima… Ele perturbava os caras.” A principal crítica era a sua fragilidade física, com a justificativa de que ele “não sustenta um jogo”. Noval, no entanto, rebatia: “Mas ele não tem que sustentar um jogo. Quem nasce com esse dom da qualidade técnica, a gente tem que segurar e esgotar todos os nossos objetivos em cima dele.”
A Virada de Chave e o Primeiro Contrato Profissional
A mudança física de Paquetá foi crucial. Com 1,53m aos 15 anos, ele atingiu 1,80m aos 18. Noval creditou parte dessa evolução a um trabalho de força específico realizado entre 2015 e 2016, que beneficiou a geração de Paquetá. “Ele realmente começou a crescer, pegar corpo, a família ajudou muito nesse processo também. E o Paquetá foi se desenvolvendo um atleta que tinha todos os fundamentos. Finalizava muito bem, era muito efetivo nas ações dele, um jogador muito inteligente, que entendia muita leitura de jogo.”
Apesar do brilho na Copinha aos 18 anos, a assinatura do primeiro contrato profissional também enfrentou obstáculos internos. “O Paquetá, eu tenho muita satisfação pessoal. […] Esse eu banquei muito aqui no Flamengo. O primeiro contrato profissional dele, tinha-se muita dúvida se ia fazer ou não, aquele pensamento: ‘Não está desenvolvendo, não está tendo minutos de jogo’. E eu banquei, falei: ‘Não, vamos fazer o contrato profissional desse menino. Vamos deixar porque a maturação dele é tardia’.”
Carlos Noval, que passou 15 anos no Flamengo e foi fundamental na formação de outros craques como Vinícius Júnior e Reinier, expressou grande orgulho em ver a trajetória de sucesso de Paquetá, tanto na carreira quanto na vida pessoal.

