O poder do dinheiro no futebol: Flamengo muda estratégia de contratações
O Flamengo se consolidou como um gigante financeiro no futebol brasileiro, batendo recordes de investimento em suas últimas janelas de transferências. Gastando cerca de R$ 300 milhões em cada período, o clube mudou drasticamente sua abordagem para a aquisição de reforços. Essa nova realidade financeira, impulsionada pela gestão do presidente, permite ao departamento de futebol buscar nomes de peso no mercado europeu e competir diretamente com os maiores clubes do mundo.
De “Juninhos” a estrelas globais: A evolução do scouting
Há um ano, o diretor de futebol José Boto defendia a reestruturação do departamento de scouting para encontrar talentos como Juninho, jogador adquirido do modesto Qarabag por R$ 31 milhões. No entanto, o cenário mudou. “Com toda a reestruturação financeira feita pelo presidente, isso nos permite fazer janelas agressivas em que não precisamos tanto do scouting”, admitiu Boto. Ele exemplifica que a contratação de um nome como Lucas Paquetá, por exemplo, não depende da prospecção do scouting, mas sim do poderio financeiro do clube.
Boto ressalta que, embora o scouting continue importante para jogadores jovens e da base, ele não é mais o fator determinante para o time principal. “Não é fácil encontrar jogadores que sirvam para o elenco e que acrescentem em um patamar de jogadores de 30, 40 milhões de euros”, explicou.
R$ 1 bilhão em contratações e a participação do presidente
O sucesso financeiro do Flamengo foi evidenciado quando o clube alcançou R$ 2 bilhões em receitas. O presidente chegou a declarar que poderia gastar até R$ 1 bilhão em contratações, uma informação que, segundo Boto, pode inflacionar os valores pedidos, especialmente no mercado brasileiro. “Quando, do outro lado, ouvem esse tipo de coisa, as pedidas são maiores”, ponderou.
Boto também esclareceu a participação ativa do presidente nas decisões estratégicas e financeiras, incluindo as contratações de peso como a de Paquetá e a renovação de Filipe Luís. Ele explicou que, embora ele e Filipe tenham autonomia no dia a dia, todas as macrodecisões precisam do aval presidencial. A primeira janela de contratações, mais modesta, foi afetada pela limitação de caixa na época, enquanto as janelas subsequentes refletem a capacidade financeira atual do clube.
Sonho com Vini Jr. e a luta por todas as competições
Sobre a possibilidade de repatriar Vini Jr., Boto afirmou que a porta está sempre aberta, mas o retorno do jogador depende mais da vontade dele do que do clube. Ele também abordou a temporada de 2025, garantindo que o Flamengo lutará por todas as competições, sem abrir mão de nenhuma delas. “O Flamengo, pela dimensão e elenco que tem, precisa entrar em todas as competições para ganhar”, declarou.
O diretor também comentou o início de temporada conturbado, atribuindo-o ao calendário brasileiro e à necessidade de uma reapresentação tardia devido ao sucesso em competições anteriores. Ele descartou a interferência direta do presidente no dia a dia, explicando que as decisões foram tomadas em conjunto com base em análises e circunstâncias.
Base, vendas e o futuro do Flamengo
A estratégia para a base do Flamengo é gerar talentos que possam compor o elenco principal e, ao mesmo tempo, serem fonte de receita com vendas. Boto estima que os resultados desse trabalho levarão de dois a três anos para serem visíveis.
Ao avaliar seu primeiro ano no Brasil, Boto destacou o calendário e a imprensa como os maiores desafios. Ele reiterou seu compromisso com o Flamengo e a possibilidade de permanecer no clube enquanto tiver forças para contribuir, mas ressaltou que sua permanência no Brasil está atrelada ao Rubro-Negro. Ele também comentou sobre as negociações em andamento, incluindo a de Wallace Yan, e a expectativa de um ano mais difícil devido à motivação dos adversários contra o time carioca.

