Mais que jogadas ensaiadas, Luís Castro aposta em princípios de jogo para o Grêmio
Apesar de o Grêmio ainda buscar sua melhor forma, com três partidas sem vitória, o técnico Luís Castro não se limita a definir escalações. O português tem se dedicado a implementar uma série de conceitos táticos que considera fundamentais para o desempenho da equipe. Após o empate contra o Juventude, Castro detalhou, de forma incomum para o cenário brasileiro, os princípios de jogo que pretende ver em campo, utilizando uma linguagem que envolve geometria e números para descrever movimentos coordenados em ataque e defesa.
Um Mês de Trabalho: Desafios e Princípios do Treinador
Luís Castro completou um mês à frente do Grêmio no início de janeiro e reconhece que o tempo é curto para que todas as suas ideias sejam absorvidas e executadas pelos jogadores. No entanto, ele ressalta que não usará a falta de tempo como desculpa, focando no trabalho diário para desenvolver os princípios ofensivos, defensivos, de transição e esquemas táticos.
Os 10 Mandamentos Táticos de Luís Castro
O treinador apresentou uma lista com 10 movimentos cruciais que espera ver em ação, tanto na fase ofensiva quanto na defensiva:
- Construção e Triângulos Ofensivos: Ao construir o jogo pelas laterais com lateral e ala, a formação de um triângulo com um meia por dentro é essencial para a inversão e progressão da jogada. A profundidade dos três homens de frente é ativada quando a bola chega a esses meias.
- Exploração de Espaços e Coberturas: Caso os três atacantes liberem a linha e o espaço ao recuar, o ala ou meia do lado oposto deve avançar. Se um lateral sobe, o outro deve fazer a cobertura, atuando como terceiro homem na rotação defensiva.
- Movimentação do Centroavante e Alas: A aproximação do centroavante abre espaços para os alas buscarem o interior do campo, recebendo a bola no pé para se conectarem com o ataque.
- Reação à Perda de Bola e Bloco Defensivo: Em caso de perda, a reação imediata nos primeiros segundos é crucial. Se a pressão inicial não for efetiva, a equipe deve se organizar em bloco, podendo formar um 4-4-2 ou 4-5-1, dependendo do adversário.
- Bloco Recuado e Diagonal do Ala: Quando jogando mais recuado, o time monta um bloco em 5-4-1, com o ala do lado oposto à bola realizando uma diagonal ou entrando nas costas do lateral adversário.
- Jogo Aéreo e Contra-ataque: Em lançamentos longos que escapam da pressão, a equipe deve se posicionar para a disputa da primeira e segunda bola. A recuperação da segunda bola projeta a equipe em profundidade para um contra-ataque rápido.
- Recomposição Após Contra-ataque: Se o contra-ataque não se concretiza com a subida rápida de toda a equipe, é imperativo reagir em quatro segundos e retornar ao sistema tático original.
- Saída de Bola e Superioridade no Meio: Ao sair jogando desde o goleiro, a equipe se organiza em quadrado ou triângulo (com variações). A vinda do centroavante para formar um quadrado no meio visa ganhar superioridade numérica no setor.
- Opções de Ataque: Com superioridade no meio, o time pode encontrar uma linha de passe na primeira linha de defesa adversária ou lançar diretamente para os pontas, que ficam em situação de um contra um.
Apesar da lista detalhada, Luís Castro enfatiza a necessidade de tempo para que esses princípios se tornem naturais para os jogadores, transformando a teoria em prática no campo.

