Aposta ousada que mudou trajetórias
Há exatos quatro anos, André Jardine tomou uma decisão que muitos consideraram uma loucura: trocar a estrutura da CBF e a Seleção Brasileira por um projeto no futebol mexicano. A proposta inicial era do modesto Atlético San Luis, equipe com baixo orçamento e que lutava na parte inferior da tabela. Na época, Jardine atuava como auxiliar de Tite, auxiliando a Seleção Brasileira em virtude da ausência de Césa Sampaio por Covid-19. No entanto, o técnico brasileiro viu no México uma oportunidade de crescimento e, com seu trabalho, não apenas elevou o patamar do San Luis, mas também ganhou destaque e o apelido de “La Jardineta” da imprensa local.
Do modesto San Luis ao gigante América
A aposta em um projeto promissor no Atlético San Luis surtiu efeito e abriu as portas para o América, o clube mais popular e vitorioso do México. O time passava por um jejum de cinco anos sem títulos quando Jardine foi convidado para assumir o comando em junho de 2023, com o clube pagando a multa rescisória. A recompensa pela aposta do América foi imediata. Em apenas um ano, o técnico brasileiro conquistou quatro troféus: bicampeonato mexicano, título de Campeão dos Campeões e a Supercopa. Sua performance lhe rendeu o prêmio de melhor treinador da temporada pela Liga MX.
Um ciclo de conquistas e recordes
Desde então, André Jardine tem protagonizado um ciclo de conquistas inéditas para o América. Além dos títulos já mencionados, o treinador ergueu mais duas taças, incluindo o tricampeonato mexicano. Essa sequência de vitórias é vista pelo técnico como a prova de que seu trabalho não foi um acaso, mas sim um caminho de progresso com um grupo de atletas que marcou história. “O maior desafio talvez seja se manter sempre no mais alto nível. Tudo isso num contexto de bastante pressão, dentro de uma liga extremamente competitiva”, declarou Jardine, ressaltando a importância de chegar a quatro finais consecutivas e vencer três, demonstrando uma mentalidade de não se conformar com o já conquistado.
Novos desafios e a busca pela glória continental
Com quatro anos de trajetória de sucesso no México, André Jardine se tornou o treinador mais vitorioso da história do América. Seu bom desempenho e o reconhecimento no país o levaram a recusar uma oferta do Botafogo no início do ano passado, optando por permanecer no futebol mexicano onde se sente respeitado. Agora, o foco do treinador e do clube está na Concachampions, torneio que o América não vence há dez anos. Jardine já bateu na trave duas vezes na competição e busca em 2026 reconquistar o título continental, que garantiria também uma vaga no Intercontinental da FIFA e no Mundial de Clubes de 2029.

