O Início Promissor e a Estratégia de Osório
O técnico Osório, do Remo, declarou após o empate contra o Mirassol que sua equipe estava pronta para “60 minutos”. De fato, o time azulino demonstrou segurança e eficiência durante esse período, abrindo uma vantagem de dois gols no Estádio Mangueirão. A escalação inicial, com um esquema tático pouco convencional para o torcedor paraense, surpreendeu, mas se mostrou eficaz. A linha defensiva com João Lucas, Marllon e Léo Andrade, um meio-campo congestionado com Leonel Picco, Zé Ricardo, Patrick de Paula e Vitor Bueno, e Diego Hernândez e Alef Manga abertos nas pontas, com João Pedro como referência no ataque, dificultou as investidas centrais do Mirassol. A posse de bola improdutiva do adversário e os gols marcados em lances de bola parada e jogada de lateral evidenciaram a estratégia bem-sucedida de Osório em anular o rival e atacar com precisão.
A Queda de Produção e as Substituições Questionáveis
Contudo, o cenário mudou drasticamente no segundo tempo. Assim como na rodada anterior contra o Vitória, as alterações promovidas por Osório pouco contribuíram e, em alguns momentos, pareceram comprometer o desempenho da equipe. A transição para um esquema mais clássico, como o 4-4-2, e a entrada de jogadores em posições não ideais, como Patrick de Paula atuando pela beirada, levantaram questionamentos. A utilização do zagueiro Kayky Almeida como lateral-esquerdo, com o titular Cufré no banco, e a falta de uma referência no ataque após as substituições, contribuíram para a queda de produção e para a recuperação do Mirassol, que conseguiu buscar o empate. A equipe perdeu a profundidade e a capacidade de transição, evidenciando a dificuldade em manter a performance durante os 90 minutos.
Osório: Herói, Vilão ou Aprendiz?
Neste início de temporada, classificar Osório como herói ou vilão seria precipitado. O treinador demonstrou capacidade de montar uma estratégia eficiente para neutralizar um adversário qualificado, como foi visto nos primeiros 60 minutos contra o Mirassol. A tendência é que o entrosamento da equipe melhore com o passar dos jogos, especialmente com a estreia de novos jogadores. No entanto, a gestão das substituições e a capacidade de manter o desempenho ao longo de toda a partida são pontos cruciais a serem aprimorados. O técnico precisa encontrar soluções para que as alterações não descaracterizem o time e para que os jogadores reservas possam manter o nível de atuação. A maratona de jogos do Brasileirão exigirá resiliência e adaptabilidade.
O Futuro do Leão no Brasileirão
O empate em casa diante do Mirassol, após ter a vantagem, deixou um misto de esperança e frustração para o torcedor remista. A performance inicial mostra que o time tem potencial para competir na Série A, mas a dificuldade em sustentar o ritmo e a eficácia nas substituições são desafios que Osório precisa superar. A capacidade do Remo de aprender com os erros, ajustar a estratégia e fortalecer o elenco nas próximas rodadas será determinante para o sucesso na competição. A torcida aguarda ansiosamente para ver se o Leão conseguirá transformar os “60 minutos” de bom futebol em uma atuação de 90 minutos, capaz de garantir vitórias e consolidar a equipe na elite do futebol brasileiro.

