O que um investigador de fraude fiscal, um fisioterapeuta e um vendedor de seguros de saúde têm em comum? Todos eles podem estar apitando o Super Bowl, o ápice do futebol americano profissional. Essa é a realidade peculiar dos árbitros da NFL, uma organização multibilionária que, surpreendentemente, emprega seus juízes em regime temporário, mesmo para os jogos de maior visibilidade.
Um exemplo é Shawn Smith, árbitro principal do Super Bowl LX entre New England Patriots e Seattle Seahawks, que será transmitido ao vivo no plano premium do Disney+ no domingo, dia 8 de fevereiro, às 20h30 (de Brasília). Fora dos gramados, Smith atua como gerente de uma filial de uma empresa de seguros de saúde em Detroit.
Ben Austro, fundador do Football Zebras, um site dedicado aos árbitros da NFL, explica que essa prática é uma tradição da liga. “Eles sempre foram contratados em regime temporário. Você vai encontrar advogados, professores, empreendedores que têm a oportunidade de tirar um tempo de folga do trabalho”, afirma Austro. A liga já contou com pilotos, controladores de tráfego aéreo e até um cientista aeroespacial em seu quadro de arbitragem.
A Rotina por Trás do Apito: Seleção e Dedicação
Apesar do status de contrato temporário, os árbitros da NFL são considerados a “crème de la crème”. A liga os seleciona meticulosamente no futebol americano universitário, utilizando uma vasta rede de olheiros. Após a seleção, eles passam por um rigoroso treinamento e avaliação, dedicando entre 40 e 50 horas semanais à preparação durante a temporada. “Não é como se disséssemos: ‘Ah, chegamos à cidade ontem à noite, jantamos um bom bife e depois simplesmente fomos para o campo por três horas’”, ressalta Austro, enfatizando a seriedade do trabalho.
Entre Críticas e Contratos: O Debate sobre o Tempo Integral
A natureza do contrato dos árbitros os torna, por vezes, um alvo fácil de críticas. O wide receiver Puka Nacua, do Los Angeles Rams, chegou a ser multado em US$ 25 mil (cerca de R$ 130,5 mil) em dezembro por insinuar que os árbitros buscavam aparecer na TV. Em contrapartida, outros jogadores pedem melhores condições. O quarterback Aaron Rodgers sugeriu em 2023 que seria “útil se todos trabalhassem em tempo integral”, reconhecendo a pressão sobre os juízes: “Eles têm um trabalho difícil, tomam decisões em tempo real e estão sob tanta pressão quanto os quarterbacks e os kickers”.
Embora o sindicato dos árbitros não divulgue os termos financeiros, estima-se que os mais bem pagos na NFL recebam mais de US$ 200 mil (mais de R$ 1 milhão) anualmente. Contudo, Austro argumenta que exigir um regime de tempo integral poderia, paradoxalmente, reduzir o número de árbitros de elite. Muitos não estariam dispostos a abandonar empregos regulares e mais estáveis, considerando que a carreira na arbitragem pode ser interrompida subitamente por lesões ou rebaixamento de categoria. Além disso, o longo período de entressafra permite aos árbitros um “período de descanso” de janeiro a maio, quando não podem ser contatados pela liga.
A Recompensa da Excelência: Playoffs e o Super Bowl
Ao final da temporada regular, os árbitros que se destacam são recompensados com a chance de apitar jogos importantes nos playoffs. Esse processo é baseado no mérito, com o chefe de arbitragem da NFL, Ramon George, tendo a palavra final sobre quem irá para o Super Bowl. Shawn Smith, o árbitro principal escolhido para a edição LX, ocupa essa posição há oito anos e é elogiado por seu controle de jogo e pela confiança que inspira. Smith, seguindo as regras da liga, recusou um pedido de entrevista, afirmando que os árbitros “não estão autorizados a dar entrevistas durante a temporada”. A expectativa é que ele mantenha o bom nível da pós-temporada, que tem sido marcada por decisões de arbitragem quase sempre indiscutíveis.
Onde Assistir ao Super Bowl LX
O Super Bowl LX, que terá New England Patriots e Seattle Seahawks em campo, será transmitido ao vivo no plano premium do Disney+, no domingo, dia 8 de fevereiro, a partir das 20h30 (de Brasília). O palco da grande final será o Levi’s Stadium, casa do San Francisco 49ers, em Santa Clara, Califórnia.

