A temporada de 2026 da Fórmula 1 se aproxima com um conjunto de mudanças regulamentares que prometem redefinir a categoria. Testes iniciais em Barcelona já permitiram aos pilotos terem um primeiro contato com os novos monopostos, e as impressões gerais são de um carro significativamente diferente, mas, para a maioria, mais divertido de pilotar.
Novos Carros: Menores, Mais Ágeis e com Potência Elétrica Ampliada
O novo regulamento técnico visa carros mais compactos e leves, com redução de 30kg no peso total. As asas, agora móveis e ativáveis ao longo da pista, buscam otimizar a aerodinâmica. A principal novidade, no entanto, reside na unidade de potência. A parte elétrica do motor teve sua importância ampliada, passando de 120kW para 350kW, o que se traduz em uma aceleração mais brutal, especialmente em altas velocidades. O sistema de ultrapassagem foi reformulado: um botão de ‘boost’ elétrico, acionado quando o piloto está a menos de um segundo do adversário, oferece a energia extra necessária para ganhos de tempo.
Kimi Antonelli, da Mercedes, descreveu o novo carro como “muito divertido de pilotar”, apesar de ligeiramente mais lento em comparação com o ano anterior, uma sensação que ele afirma não ser tão perceptível na pista. Lewis Hamilton, heptacampeão mundial e agora piloto da Ferrari, classificou as alterações como “a maior mudança que já presenciou” em sua extensa carreira na F1.
Menos Downforce, Mais Previsibilidade e o Desafio da Gestão de Energia
Pilotos como Hamilton e George Russell notaram uma diminuição no downforce, o que, segundo eles, torna o carro mais previsível nas curvas, especialmente nas de alta velocidade. A redução do ‘porpoising’ (o popular “efeito golfinho”) também foi um ponto positivo destacado. Russell explicou que seguir um adversário ficou mais fácil, pois a menor força aerodinâmica resulta em menor turbulência e velocidades mais controladas nas curvas.
No entanto, a gestão da nova unidade de potência apresenta um desafio considerável. Com a maior dependência da energia elétrica e um sistema de recuperação de energia mais sofisticado (durante as frenagens e reduções de marcha), os pilotos precisam planejar cuidadosamente o uso dessa potência extra. O ‘boost mode’ e a necessidade de recarregar a bateria durante a volta, utilizando técnicas como o ‘lift and coast’ (tirar o pé do acelerador antes da frenagem), exigirão uma nova curva de aprendizado.
George Russell descreveu a gestão de energia como um “desafio para os pilotos”, onde otimizar a recuperação e o uso da energia ao longo de uma volta será crucial para o sucesso. Charles Leclerc, companheiro de Hamilton na Ferrari, qualificou essa curva de aprendizado como “íngreme, mas interessante”.
Velocidade nas Retas e o Futuro da Competição
Apesar das críticas sobre a velocidade nas curvas, a potência nas retas é um ponto forte. Lando Norris e Kimi Antonelli confirmaram que os carros atingem velocidades máximas de 340 a 350 km/h de forma mais rápida. Gabriel Bortoleto, piloto da Audi, comparou os novos carros aos de categorias de base, observando que, embora possam parecer mais lentos em alguns aspectos, a entrega de potência elétrica é notavelmente forte.
Apesar de alguns relatos pontuais de dificuldade em ultrapassagens e na gestão de energia em classificações, a maioria dos pilotos concorda que os carros de 2026, mesmo com todas as suas diferenças, ainda se assemelham a autênticos F1, prometendo um espetáculo renovado e estratégico para a temporada que se inicia.

