O Campeonato Brasileiro da Série B passará por uma mudança significativa em seu formato a partir de 2026. A principal alteração prevê que apenas o campeão e o vice-campeão terão acesso direto à Série A. As duas vagas restantes para a elite do futebol nacional serão disputadas por meio de playoffs, envolvendo os clubes que terminarem entre a 3ª e a 6ª posições na tabela.
De acordo com o novo modelo, o 3º colocado enfrentará o 6º, e o 4º jogará contra o 5º. Os dois vencedores desses confrontos, disputados em partidas de ida e volta, garantirão o acesso à primeira divisão. A proposta, que promete adicionar mais emoção e competitividade à reta final da competição, foi aprovada em uma reunião do Conselho Técnico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Entenda o Novo Formato e a Aprovação
A mudança foi definida após a votação de três propostas pelos clubes. A ideia de alterar o formato tradicional foi encabeçada pelo CRB. Inicialmente, clubes como Fortaleza, Náutico e Sport se mostraram favoráveis à manutenção do modelo antigo, que concedia acesso direto aos quatro primeiros colocados. No entanto, a opção de manter o formato tradicional foi descartada em uma primeira deliberação.
Em seguida, com apenas duas propostas de playoffs em pauta, a que previa o confronto entre o 3º e o 6º colocados, e o 4º contra o 5º, foi a escolhida pela maioria. Essa decisão marca uma nova era para a Série B, buscando revitalizar o interesse e a disputa até as últimas rodadas.
A Voz dos Favoráveis: Mais Emoção e Competitividade
A maioria dos clubes da Série B se manifestou favorável à mudança, enxergando nela uma oportunidade de valorizar a competição. O CRB, um dos idealizadores, destacou que o novo formato torna o campeonato “mais atrativo e equilibrado”, mantendo o interesse do torcedor e estádios cheios por mais tempo. O clube alagoano também mencionou a redução de práticas como a “mala branca” e o aumento da visibilidade comercial.
O presidente do Juventude, Fábio Pizzamiglio, afirmou que o modelo “valoriza muito mais a competição”, premiando a campanha consistente e mantendo vários clubes vivos na disputa. Opiniões semelhantes foram compartilhadas pelo Cuiabá, que prevê um “ambiente de disputa permanente”, e pelo Botafogo-SP, que vê “justiça esportiva e emoção”, além de benefícios financeiros com datas extras.
O Vila Nova, coautor da proposta, defendeu a implementação dos playoffs como uma forma de corrigir o “limbo da tabela”, onde equipes intermediárias perdiam a motivação antes do fim. Atlético-GO, Criciúma, Operário-PR e Novorizontino também expressaram entusiasmo, ressaltando o aumento das chances de acesso, a elevação do nível de competitividade e as novas oportunidades comerciais que o formato pode gerar.
As Resistências e a Adaptação Necessária
Apesar da ampla aprovação, alguns clubes manifestaram posições contrárias ou mais cautelosas. O Sport, por exemplo, informou ter votado contra a criação dos playoffs, mas respeita a decisão da maioria. O Náutico também se posicionou contra a alteração do regulamento, embora tenha concordado com a maioria em não paralisar o campeonato durante a Copa do Mundo.
O Fortaleza, que inicialmente favorecia a manutenção do formato antigo, avaliou o momento como de “troca de ideias” em prol do futebol brasileiro. O CEO Pedro Martins destacou a necessidade de o clube “se adaptar a essas condições” e o desafio que o novo campeonato trará.
O Goiás, por sua vez, defendeu nos bastidores um playoff mais amplo, do 1º ao 8º colocado. No entanto, diante das opções apresentadas (3º ao 6º ou 4º ao 5º), o clube analisou seu retrospecto recente (duas vezes 6º colocado) e viu no modelo aprovado uma “oportunidade adicional de acesso”, entendendo que os playoffs tendem a aumentar a competitividade.
Clubes Sem Manifestação
Até o momento da publicação desta reportagem, alguns clubes não retornaram o contato para comentar sobre a mudança no formato da Série B. São eles: Ceará, Londrina, América-MG, Athletic-MG, Avaí e São Bernardo. A Ponte Preta, por sua vez, optou por não se manifestar sobre o assunto.

