Do Maracanã aos dias atuais: Um vascaíno na torcida
Nas arquibancadas de São Januário, um rosto familiar para os torcedores mais antigos do Vasco acompanhava a partida contra a Chapecoense. Era Brener, ídolo vascaíno nos anos 90, que assistia à estreia de Brenner, atacante com o mesmo nome, como titular. O ex-jogador, hoje com 50 anos, entende a pressão que o jovem atacante enfrenta, especialmente após o empate sofrido nos acréscimos.
“Eu sei como é a vida de atacante. Quando você não faz gol, a cobrança aumenta. Eu espero que ele possa ter bom rendimento no Vasco e nos dar muitas alegrias”, comentou Brener, demonstrando apoio ao seu xará e ao clube que defendeu.
A fama que o tempo e as lesões diluíram
Brener era um xodó da torcida nos tempos em que as categorias de base jogavam como preliminares no Maracanã. Seus gols nas prévias cativavam o público, que o abraçou antes mesmo de sua estreia profissional. No time principal, Brener se tornou um amuleto, entrando no segundo tempo e mudando o rumo de partidas, como na vitória por 5 a 3 sobre o Fluminense em 1996, onde marcou dois gols e deu duas assistências.
Apesar de ter disputado quase 100 jogos e marcado 12 gols pelo Vasco, o ex-jogador relata que o reconhecimento nas ruas, e até mesmo em São Januário, diminuiu com o tempo. “Quando vou aos jogos em São Januário, um ou outro ainda me reconhecem. Mas passaram muitos anos, renova-se as idades, essas coisas. Muita gente não sabe, não me viu jogar”, explicou com bom humor.
Concorrência acirrada e a sombra das lesões
Brener fez parte da vitoriosa campanha do título brasileiro de 1997, mas confessa que nunca conseguiu se firmar como titular absoluto. Para ele, a forte concorrência na época foi o principal fator. “Nessa época, tinha muitos jogadores qualificados. Então ter oportunidade de começar como titular era muito difícil. Peguei uma safra muito boa, na década de 90, principalmente com 97, com ataque com Evair e Edmundo, fomos campeões brasileiros. E em 98, na Libertadores, chegaram Donizete Pantera e Luizão”, relembrou.
Além da concorrência, o ex-atacante também lutou contra um problema crônico no púbis, que o acompanhava desde a base e o prejudicou no profissional, levando-o a cirurgias. Após se recuperar, a dificuldade em encontrar espaço aumentou, e mesmo integrando o elenco campeão da Libertadores de 1998, Brener deixou o clube no fim daquela temporada.
Um novo capítulo: Projeto social em Itaboraí
Atualmente, Brener dedica-se a um projeto esportivo em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, onde trabalha na Secretaria de Esportes. O projeto atende crianças entre cinco e 12 anos, mostrando que o amor pelo futebol e a vontade de fazer a diferença continuam vivos em sua trajetória.

