Renúncia após chegada de coordenador
O diretor estatutário da base do Corinthians, Carlos Roberto Auricchio, conhecido como Nenê do Posto, apresentou seu pedido de demissão nesta segunda-feira. A decisão ocorreu poucas horas após o clube confirmar a contratação de Ricardo Drubscky para a função de coordenador da base.
Divergências com o executivo da base
A principal queixa de Nenê do Posto é em relação ao trabalho do executivo Erasmo Damiani, contratado no final do ano passado para gerenciar o dia a dia da base corintiana. Nas últimas semanas, Damiani tem implementado mudanças estruturais, dispensando profissionais com longo tempo de serviço e trazendo novos nomes.
“O Damiani só traz cara que ele conhece, que é da confiança dele. Não sou contra trocar profissionais, mas precisa tirar quem é fraco, não quem é bom. Ele mandou embora o Ricardo Oliveira, da captação, e agora o Robson (Zimerman, ex-coordenador) para trazer o Drubscky. Os dois são profissionais excelentes, com bons serviços prestados ao Corinthians. Qual o critério das demissões? Qual a desculpa? Estão trocando apenas por trocar”, declarou Nenê em entrevista ao ge.
Interferência política e falta de alinhamento
Além das divergências sobre a gestão de profissionais, o ex-diretor estatutário também reclama de interferência de conselheiros no departamento e de ter sido deixado de lado pelo novo executivo, que recebeu autonomia para realizar as mudanças consideradas necessárias.
“Você lembra o que o Fabinho Soldado e o Memphis falaram na final da Copa do Brasil sobre interferência política no clube? É sempre assim aqui no Corinthians, eles estão certos. Há pessoas que ficam por trás e não colocam a cara porque sabem que terão rejeição da torcida. Todo mundo sabe quem é, não preciso falar nomes aqui.”
Nenê do Posto também expressou frustração por não ter sido incluído em reuniões importantes sobre o futuro da base, como um encontro realizado na semana passada com a presença do presidente Osmar Stabile, do executivo de futebol Marcelo Paz e do próprio Erasmo Damiani. “Eu era o diretor da base e ainda não conhecia o Marcelo Paz. Como que isso pode acontecer? Não posso continuar assim. Por que eu estava lá? Queria alinhar o trabalho, falar sobre as expectativas para a base, mas não fui chamado para a reunião. Estou há 60 anos no Corinthians, faço um trabalho voluntário e não tiro meu dinheiro daqui. Saio pelo meu bem-estar”, finalizou.
Posicionamento do executivo da base
Após a publicação da reportagem, Erasmo Damiani enviou um comunicado ao ge defendendo as contratações e a reestruturação do departamento. Ele alega que todas as mudanças seguiram critérios técnicos de mercado e foram solicitadas pelo presidente do clube.
“A minha chegada ao Corinthians, como Executivo da Base, tem como intuito principal a reestruturação do Departamento de Formação de Atletas. Reestruturação, aliás, solicitada pelo presidente. Alguns cargos, que constatamos serem redundantes, foram extintos. Outros, foram ocupados por profissionais com salários menores, sem deixar, jamais, de priorizar a excelência na qualidade do serviço prestado ao clube. Todas as mudanças foram feitas criteriosamente, sempre respaldadas pelo aspecto técnico, como sempre fiz ao longo da minha carreira. Todos que aqui chegaram, sem exceção, vieram pelo seu currículo e vasta experiência na formação. Sendo que, ao contrário do que vem sendo dito, apenas um trabalhou comigo diretamente – Guilherme Nascimento, técnico do Sub-17, em 2022 e 2023. Enfim, todos muito bem avaliados e respeitados no cenário do futebol de base do Brasil”, declarou Damiani.

