O desabafo silencioso de Arrascaeta
O meia uruguaio Giorgian De Arrascaeta revelou em entrevista ao podcast “10 & Faixa”, comandado pelo ex-jogador Diego Ribas, que a sua comemoração em forma de protesto, inspirada em Riquelme, após marcar um gol pelo Flamengo contra o Bahia em maio de 2023, foi um recado direto à diretoria do clube na época. O gesto de levar as mãos às orelhas, que ele nunca mais repetiu, foi motivado por uma percepção de injustiça por parte da diretoria em relação a ele.
“Estávamos em um momento crítico, digamos, com algumas pessoas da diretoria. E foi um gol que, foi 1 a 0, acredito que foi contra o Bahia, gol de cabeça. Foi o único gol que coloquei a mão na orelha do Riquelme. Porque estava vendo que, não sei, estavam sendo injustos comigo em algumas coisas, e eu sentia essa necessidade”, explicou Arrascaeta.
Renovação congelada e clima de insatisfação
Naquele período, o Flamengo enfrentava negociações de renovação de contrato com diversos jogadores. No entanto, as conversas com Arrascaeta foram congeladas pela diretoria, que alegou ter outras prioridades. O meia, com contrato até o fim de 2026, sentiu-se preterido, o que gerou insatisfação em seu estafe. A condução do processo de renovação, que inicialmente seria resolvida após a Copa do Mundo de Clubes, acabou esfriando a relação entre o jogador e a diretoria, culminando em uma postagem enigmática do jogador nas redes sociais em julho, que dizia: “O tempo põe cada um em seu lugar, cada rei em seu trono e cada palhaço em seu circo…”. O novo vínculo, que o manteve no clube até 2028, só foi anunciado em novembro.
2023: O ano mais difícil e a possibilidade de saída
Questionado sobre o momento mais desafiador em sua passagem pelo Flamengo, Arrascaeta apontou o ano de 2023, marcado pela ausência de títulos após sete temporadas. O jogador confessou que chegou a cogitar deixar o clube devido à dificuldade em corresponder às expectativas em campo e à série de derrotas em finais importantes. A luta contra as lesões também foi um fator crucial, gerando medo e limitações que ele precisou superar com ajuda terapêutica.
Um sonho europeu adiado e a adaptação ao Brasil
Apesar de ter jogado por uma década no futebol brasileiro, Arrascaeta revelou que, em sua juventude, nutria o desejo de atuar na Europa. Ele acredita que o futebol europeu, mais intenso e físico, poderia ter moldado seu estilo de forma diferente. Contudo, o meia se sente realizado no Brasil, onde seu jogo, mais técnico, foi aprimorado. Ele também comentou sobre sua adaptação à Seleção Uruguaia, sugerindo que seu estilo de jogo se encaixaria melhor em uma equipe como a brasileira, conhecida por sua técnica e criatividade.
Rebeldia na juventude e aprendizado no Flamengo
Arrascaeta também relembrou sua juventude e a fase de rebeldia, especialmente no Cruzeiro, onde chegou a protagonizar situações inusitadas em jogos-treino, incluindo um gol contra. Ele admitiu que precisou amadurecer e se tornar mais profissional, especialmente no início de sua trajetória no Flamengo, quando era a contratação mais cara do clube, mas se encontrava na reserva. A pressão e a cobrança intensa no Rubro-Negro foram fatores determinantes em seu crescimento como jogador e pessoa, com a terapia desempenhando um papel fundamental em sua evolução.

