Botafogo Apostou na Antecipação para a Bolívia, Mas Poucos Jogadores Aclimatados Tiveram Espaço na Estreia da Libertadores
A estreia do Botafogo na Copa Libertadores da América, diante do Nacional Potosí, na Bolívia, foi marcada por uma estratégia incomum. Visando mitigar os efeitos da altitude, o clube optou por enviar um grupo de nove jogadores com quase uma semana de antecedência ao país sul-americano. A ideia era proporcionar uma adaptação mais eficaz às condições desafiadoras de mais de 4 mil metros acima do nível do mar. No entanto, após o revés por 1 a 0, a estratégia gerou questionamentos, uma vez que a maioria desses atletas previamente aclimatados não foi utilizada no confronto decisivo.
A Manobra Estratégica e Seus Resultados Inesperados
A decisão de desmembrar o elenco para a viagem à Bolívia foi tomada em conjunto pela comissão técnica, a diretoria e o proprietário John Textor. A intenção era clara: oferecer aos jogadores uma vantagem competitiva, permitindo que se acostumassem gradualmente com a falta de oxigênio e outros impactos fisiológicos da altitude. Os nove escolhidos para essa missão foram Christian Loor, Léo Linck, Gabriel Abdias, Kadu, Kauan Toledo, Kauã Cruz, Marquinhos, Bernardo Valim e Wallace Davi.
Sob o comando de Rodrigo Bellão, técnico do sub-20, este grupo realizou os primeiros treinamentos em solo boliviano, antes mesmo da chegada do restante da delegação e do técnico principal, Martín Anselmi. A expectativa era que, ao menos, uma parcela significativa desses atletas pudesse compor a equipe titular, demonstrando os benefícios da aclimatação prévia.
Poucos Beneficiados em Campo
Contudo, a realidade em campo apresentou um cenário distinto. Dos nove jogadores que chegaram antes, apenas o goleiro Léo Linck e o recém-chegado Wallace Davi iniciaram a partida como titulares. Wallace Davi atuou até os 11 minutos do segundo tempo, quando foi substituído por Villalba, enquanto Léo Linck permaneceu no gol durante os 90 minutos.
A escalação inicial do Botafogo contou com Léo Linck; Vittinho, Bastos, Barboza, Mateo Ponte (Ythallo); Alex Telles, Newton, Wallace Davi (Villalba); Montoro (Kauan Toledo), Barrera (Marquinhos) e Matheus Martins (Kadir).
O volante Marquinhos foi acionado no decorrer do jogo, trazendo novamente dois jogadores de ofício para o meio-campo após a saída de Wallace Davi. Até então, Barrera vinha atuando em uma função mais recuada. Já Kauan Toledo teve uma participação mínima, entrando em campo apenas aos 44 minutos do segundo tempo, substituindo Montoro, que demonstrava sinais de desgaste físico.
Silêncio Coletivo e o Futuro Imediato
Curiosamente, durante a coletiva de imprensa pós-jogo, o técnico Martín Anselmi não foi questionado sobre a pouca utilização dos jogadores que chegaram com antecedência e, teoricamente, estariam em melhores condições de enfrentar a altitude. A ausência dessa pergunta evidencia um certo silêncio em torno da decisão tática, apesar da clara intenção do clube em capitalizar a adaptação prévia.
A estratégia de enviar parte do elenco mais cedo à Bolívia, embora ambiciosa, não se traduziu em um aproveitamento expressivo dos jogadores que buscaram essa vantagem. A derrota por 1 a 0, apesar de um resultado desfavorável, não impede o Botafogo de avançar na competição, já que o time é considerado favorito para reverter o placar no jogo de volta.
Próximo Desafio: Taça Rio
O Botafogo já volta suas atenções para o próximo compromisso. No sábado, o Alvinegro enfrenta o Boavista, no Estádio Elcyr Resende, em Saquarema (RJ), no jogo de ida da semifinal da Taça Rio. A partida está marcada para as 21h (horário de Brasília).
Ainda que o foco principal seja a Libertadores, a performance na Bolívia levanta discussões sobre a gestão de elenco e a aplicação de estratégias de adaptação em competições com viagens internacionais, especialmente em locais de condições climáticas e geográficas extremas.

