Operação Policial Aprofunda Investigação sobre Venda Clandestina de Espaços VIP no Estádio do São Paulo
A Polícia Civil de São Paulo deu um passo significativo na apuração de um esquema de exploração irregular de camarotes no Estádio do Morumbi. Rita de Cássia Adriana Prado foi intimada a comparecer para depoimento nesta terça-feira, às 10h, como parte de um inquérito que visa desvendar a comercialização clandestina desses espaços.
Adriana Prado é apontada pelas autoridades como uma peça central na intermediação de um esquema que teria envolvido figuras proeminentes do clube. As investigações preliminares indicam a participação de Douglas Schwartzmann, ex-diretor adjunto das categorias de base do São Paulo, e de Mara Casares, que ocupou cargos de destaque nas diretorias feminina, cultural e de eventos, além de ser ex-esposa do ex-presidente Julio Casares.
Detalhes da Investigação e Envolvimento de Ex-Dirigentes
O caso está sob a responsabilidade do Departamento de Polícia de Proteção a Cidadania (DPPC), em conjunto com a terceira delegacia especializada em crimes de lavagem de dinheiro. A força-tarefa, em colaboração com o Ministério Público, busca esclarecer possíveis irregularidades cometidas por diretores do clube durante a gestão de Julio Casares, período que abrange de 2021 até o início de 2026. O delegado Tiago Fernando Correia lidera as apurações.
Atualmente, três inquéritos distintos tramitam, todos tratando o São Paulo Futebol Clube como potencial vítima. Além da investigação sobre a venda ilegal de camarotes, outras suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção no clube social também estão sendo apuradas, embora ainda não tenham gerado novas intimações formais.
Áudio Revelador e o Papel da Intermediária
Em novembro de 2026, um áudio divulgado pelo portal ge trouxe à tona a suposta participação de Douglas Schwartzmann e Mara Casares em um esquema que teria causado prejuízos financeiros ao clube. A gravação detalha a utilização de um camarote específico no setor leste do estádio, conhecido internamente como “sala presidencial”.
Segundo o conteúdo do áudio, o direito de uso deste espaço teria sido cedido por dirigentes a Rita de Cássia Adriana Prado, identificada como a principal intermediária no esquema. Acredita-se que Prado era responsável pela gestão e exploração comercial do camarote, com ingressos sendo comercializados a preços elevados. Um exemplo citado é a venda de ingressos por valores que alcançaram R$ 2,1 mil para a apresentação da cantora Shakira, em fevereiro de 2026. Apenas com o camarote “3A”, o faturamento estimado na época teria chegado a R$ 132 mil.
Conflitos e Ações Legais Paralelas
A relação entre as partes envolvidas, no entanto, parece ter se deteriorado nos meses seguintes. Em 10 de junho de 2026, a empresa de Rita de Cássia Adriana Prado, a The Guardians Entretenimento Ltda., entrou com uma ação judicial na 3ª Vara Cível de São Paulo. A ação foi movida contra Carolina Lima Cassemiro, representante da Cassemiro Eventos Ltda.
No processo judicial, Adriana Prado alega que Carolina Cassemiro teria retirado, sem autorização, um envelope contendo 60 ingressos destinados ao camarote em questão. Esse desdobramento legal adiciona mais uma camada de complexidade às investigações policiais, sugerindo possíveis desentendimentos e conflitos internos decorrentes do esquema.
Próximos Passos da Investigação
O depoimento de Rita de Cássia Adriana Prado representa o primeiro ato formal de oitiva neste inquérito. Até o momento, Douglas Schwartzmann e Mara Casares não foram intimados a depor. A convocação de novas oitivas dependerá da avaliação da Polícia Civil sobre as informações obtidas com o testemunho de Prado, indicando uma abordagem cautelosa e progressiva na condução das apurações.
A investigação sobre a venda ilegal de camarotes é apenas uma das frentes de apuração que envolvem a gestão do São Paulo Futebol Clube em períodos recentes. A expectativa é que o depoimento de Adriana Prado forneça subsídios importantes para o avanço das investigações e para a identificação de todos os responsáveis pelas práticas ilícitas.
Contexto Histórico e Relevância para o Clube
O caso ganha relevância ao investigar supostas irregularidades durante a gestão de um ex-presidente do clube, um período em que a transparência e a ética nas administrações esportivas são cada vez mais cobradas por torcedores e órgãos fiscalizadores. A venda clandestina de espaços VIP em estádios pode gerar prejuízos significativos aos clubes, além de minar a confiança na gestão e nos processos internos.
O envolvimento de ex-dirigentes em esquemas de venda ilegal levanta questionamentos sobre a governança e os controles internos adotados pelo São Paulo Futebol Clube. A atuação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público demonstra a seriedade com que as autoridades tratam essas denúncias, buscando coibir práticas que possam lesar o patrimônio e a reputação de instituições esportivas.
A continuidade das investigações e a possível responsabilização dos envolvidos servirão como um marco importante para a gestão futura do clube, reforçando a necessidade de compliance e de mecanismos robustos de fiscalização em todas as áreas de atuação.

