Direito de Participação Eleitoral do Fiel Torcedor é Tema Central em Proposta de Mudança Estatutária do Timão
O futuro do voto para o sócio-torcedor corintiano está em debate acirrado. O Conselho Deliberativo do Sport Club Corinthians Paulista encaminhou aos seus membros um projeto ambicioso de reforma estatutária, com votação prevista para o dia 9 de março de 2026. Uma das questões mais espinhosas e que gera maior expectativa entre a Fiel é a manutenção ou não do direito de participação eleitoral para os membros adimplentes do programa de fidelidade.
Após um período de intensas audiências públicas, onde o tema foi amplamente discutido, o texto final apresentado preserva a possibilidade de que o direito a voto do sócio-torcedor seja vetado. Essa abertura para a não concessão do voto gerou desdobramentos significativos nas discussões internas do clube.
Histórico da Discussão e Opções em Jogo
Durante a audiência pública realizada em dezembro de 2026, dedicada especificamente a este ponto, não houve manifestações públicas contrárias à ideia de conceder o direito de voto ao sócio-torcedor. Diante desse cenário, Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, havia sinalizado a intenção de sugerir à Comissão da Reforma Estatutária a exclusão da cláusula que negaria o direito de voto aos sócios-torcedores do projeto.
No entanto, o projeto final trouxe uma reviravolta, apresentando três alternativas distintas de redação para o artigo em questão. A primeira opção prevê que o Fiel Torcedor conquiste o direito a voto apenas quatro anos após a aprovação da reforma. Uma segunda alternativa, mais inclusiva, permitiria que o sócio-torcedor exercesse seu direito de voto já na eleição que ocorrerá neste ano de 2026. A terceira e última proposta, que mantém a redação vigente, exclui completamente o sócio-torcedor do processo eleitoral.
Os conselheiros terão a responsabilidade de escolher qual dessas três propostas melhor representa os interesses do clube e de sua torcida.
Posicionamentos e Transparência no Processo
Romeu Tuma Júnior, em declarações ao portal ge, explicou a dinâmica das discussões e a inclusão das diferentes emendas. “Todas as propostas foram recebidas durante os trabalhos e as audiências públicas. Na última reunião, restrita ao Conselho, alguns conselheiros propuseram (a redação que mantém o sócio-torcedor sem direito a voto). Eu não concordo, mas eu não sou o dono disso. A comissão respeitou as regras do regimento da reforma”, justificou.
A transparência no processo de reforma estatutária tem sido um ponto destacado pela gestão, buscando acomodar as diversas visões e demandas internas. A comissão responsável pela reforma trabalhou para garantir que todas as vozes fossem ouvidas e consideradas.
Caminho para a SAF e Controle Institucional
Além da questão do voto, o projeto de reforma estatutária abre caminho para uma eventual transformação do Corinthians em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Contudo, essa possibilidade vem acompanhada de requisitos e limitações, que se mostram menos restritivos do que na primeira versão do projeto apresentada anteriormente.
A versão inicial do texto impedia a aquisição do controle majoritário por investidores externos, determinando que a gestão institucional permanecesse sob o comando do próprio clube. Agora, o novo texto busca equilibrar a necessidade de investimentos com a proteção do patrimônio e da identidade corintiana.
Propostas para a Gestão da SAF
Uma das propostas centrais do novo texto visa proibir a celebração de qualquer negócio que resulte na perda do controle institucional do clube. A ideia é que o Corinthians sempre mantenha um poder de veto sobre decisões estratégicas.
Outra sugestão apresentada estipula que o clube deverá reter, no mínimo, 10% do capital social votante. Essa cláusula garante que o voto afirmativo do Corinthians seja indispensável para a aprovação de matérias consideradas estratégicas e essenciais, conforme previsto na legislação e nos instrumentos societários aplicáveis.
Aprovação da Transformação em SAF
A decisão de transformar o clube em SAF, ou de separar o departamento de futebol para tal modalidade, seguirá um processo rigoroso. Inicialmente, a proposta deverá ser aprovada pelo Conselho Deliberativo. Em seguida, será necessário um parecer, embora não vinculante, do Conselho de Orientação (Cori). Por fim, a medida precisará do aval de, pelo menos, dois terços dos sócios presentes em uma Assembleia Geral.
Este conjunto de regras visa garantir que qualquer mudança significativa na estrutura do clube seja realizada com ampla discussão e aprovação.
Outras Alterações Estatutárias
A reforma estatutária abrange uma série de outras modificações importantes na “constituição” corintiana. Entre elas, destaca-se o aumento do mandato dos dirigentes, buscando maior estabilidade e continuidade na gestão do clube. Detalhes sobre a duração dos mandatos e as novas regras de governança ainda serão amplamente divulgados.
A expectativa é que a reforma estatutária, uma vez aprovada, traga mais clareza e segurança jurídica para o futuro do Corinthians, adaptando o clube aos novos desafios do futebol moderno e garantindo a proteção de seus valores e de sua torcida.
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