Carpini Expõe Crise Interna e Ansiedade Pré-Clássico Rei em Entrevista Exclusiva
O técnico do Fortaleza, Thiago Carpini, abriu o jogo em uma conversa franca e reveladora com o Globo Esporte, detalhando os turbilhões de emoções e incertezas que antecedem a grande final do Campeonato Cearense 2026 contra o arquirrival Ceará. Em um desabafo sincero, Carpini admitiu ter ponderado sobre sua permanência no clube após a saída de figuras-chave que o trouxeram, como Marcelo Paz e Sérgio Papellin, líderes que foram essenciais em sua contratação.
Os Desafios da Reconstrução no Pici
Carpini não hesitou em classificar o período atual como um dos mais desafiadores de sua trajetória profissional. A necessidade de remontar um elenco competitivo para disputar competições de relevância nacional, somada à perda de atletas considerados fundamentais, impôs um cenário complexo. A instabilidade administrativa, com a saída de dirigentes importantes logo após sua chegada, gerou um clima de incerteza que o levou a questionar o projeto.
“É uma situação peculiar”, confessou Carpini. “Ser contratado por um grupo de pessoas, chegar em dezembro, conhecer o clube, retornar em janeiro e encontrar um cenário completamente diferente, com muitas ausências na diretoria e no elenco, é algo que me fez repensar se aquele era realmente o rumo que eu buscava. Minhas dúvidas nunca foram sobre o Fortaleza como instituição, mas sim sobre a configuração da gestão e do projeto.”
O treinador relembrou a conversa que selou sua vinda para o Tricolor cearense, destacando as pessoas envolvidas. “Na véspera do meu acerto, eu tinha propostas de clubes da Série A em andamento. Fui convencido a vir para o Fortaleza pela visão de projeto apresentada por Marcelo Paz e sua equipe. Fui recebido por nomes como Paz, Júlio Manso, Sérgio Papellin, Daniel de Paula e Alexsandro Boeck. Hoje, poucos desses rostos permanecem. Muitos dos jogadores que compunham aquele elenco inicial também já não estão mais aqui. Não me lamento, nem deixei de trabalhar um dia sequer. No entanto, a realidade é que estou diante de um dos maiores desafios da minha carreira.”
A Dor das Perdas e a Busca por Soluções
A estratégia inicial da comissão técnica era clara: manter a base do elenco para garantir a continuidade e o aprimoramento do trabalho. Contudo, o cenário mudou drasticamente, forçando ajustes significativos. A saída de peças cruciais, como Bareiro, Moisés e Breno Lopes, foi um golpe duro. Carpini lamentou a impossibilidade de contar com esses jogadores, que, em sua visão, elevariam consideravelmente o nível do time para as competições da Série B.
“Tínhamos um planejamento bem definido para a temporada, que envolvia a permanência da maior parte do nosso elenco. Infelizmente, muitas coisas mudaram. Tivemos que fazer mexidas, e a perda de atletas como Bareiro, Moisés e Breno Lopes foi sentida. São jogadores com potencial para elevar o patamar da equipe, especialmente pensando na Série B. Mas, diante da realidade, o foco é não lamentar e valorizar ao máximo os atletas que temos à disposição hoje”, ponderou o comandante.
O Peso e a Importância do Clássico-Rei em 2026
O Fortaleza chega às finais do Campeonato Cearense 2026 em um momento de reconstrução, mas com um retrospecto positivo na temporada. O time acumula sete vitórias e três empates em dez partidas disputadas. O adversário, o Ceará, ostenta o título de bicampeão estadual e não perde para o Tricolor desde 2026, adicionando uma camada extra de rivalidade e pressão ao confronto.
Carpini enfatizou a mentalidade que busca incutir em seus jogadores: o clássico não é um jogo qualquer. “Procurei transmitir aos atletas a importância de encarar este clássico com a seriedade que ele exige. As finais valem o título e isso, por si só, já é um ingrediente especial. Estamos há dois anos sem conquistar esse troféu, e os jogadores já entenderam a necessidade de demonstrar competitividade e entrega total em campo.”
O treinador demonstra estar ciente da magnitude dos desafios que se apresentam. O único encontro entre as equipes na temporada até o momento resultou em um empate sem gols, evidenciando a paridade. Carpini trabalha para não transferir o peso das temporadas anteriores para o elenco atual.
“Minha abordagem com os atletas, tanto os que chegaram quanto os remanescentes, é focar no presente. Reconhecemos que o jejum é incômodo, especialmente pela grandeza do Fortaleza. No entanto, é fundamental mantermos o equilíbrio e não carregarmos o fardo dos resultados passados. Precisamos construir nosso próprio caminho nesta final”, declarou.
A Superação Contra o Maguary-PE e o Olhar para o Futuro
A classificação para a primeira final do Campeonato Cearense 2026 veio após uma vitória suada e de virada contra o Maguary-PE, uma equipe da Série D do Campeonato Brasileiro. Carpini destacou a determinação do elenco em superar as adversidades, mesmo diante das vaias recebidas na Arena Castelão.
“Eu conversei muito com os atletas durante a semana sobre a importância de manter a concentração e a entrega, independentemente das circunstâncias. A reação que tivemos contra o Maguary, buscando a virada mesmo com a pressão, demonstra o caráter desse grupo. É essa força de vontade que precisamos levar para as finais contra o Ceará.”
A estratégia para a final contra o Ceará envolverá uma análise detalhada do adversário e a busca por explorar os pontos fortes do próprio time. Carpini acredita que, apesar dos desafios e das perdas, o Fortaleza possui peças capazes de protagonizar uma grande campanha e, quem sabe, quebrar o jejum histórico na maior rivalidade do futebol cearense em 2026.

