Flamengo Amarga Novo Revés na Recopa e Paquetá Encontra o Eco de um Trauma Passado
A noite de quinta-feira em 2026 deixou um gosto amargo e a ressaca da derrota para o Lanús na final da Recopa Sul-Americana ainda paira sobre o elenco do Flamengo. O placar de 3 a 2, que selou o vice-campeonato após a prorrogação, representa o segundo título que escapa do clube neste início de temporada, mergulhando o Rubro-Negro em um período de questionamentos e crise, algo pouco visto nos últimos anos.
No entanto, para Lucas Paquetá, a frustração assume contornos ainda mais pessoais. A perda de uma decisão internacional em pleno Maracanã, diante de um adversário argentino, não é uma novidade amarga para o meia. Nove anos atrás, em 2017, um jovem Paquetá, então com 20 anos e despontando como uma das grandes promessas do clube, viveu uma experiência dolorosamente similar.
Do Promessa ao Ícone: A Evolução e a Repetição do Cenário
Em 2017, Paquetá já era peça fundamental no esquema tático do técnico Reinaldo Rueda, mostrando uma versatilidade que o levava a atuar até mesmo como falso centroavante em momentos de ausência de jogadores como Guerrero e Vizeu. A final da Copa Sul-Americana contra o Independiente foi palco de uma atuação memorável do então jovem talento.
Naquela ocasião, Paquetá foi titular e demonstrou em campo toda a sua qualidade: dribles desconcertantes, arrancadas que desequilibravam a defesa adversária e passes precisos que criavam chances claras de gol. Chegou a dar um passe açucarado para Everton, que, diante do goleiro, desperdiçou uma oportunidade de ouro. O próprio Paquetá, com faro de artilheiro, balançou as redes em um lance de pura oportunismo. Contudo, a história não teve o final feliz esperado. Um pênalti cometido por Cuéllar, convertido por Barco, selou o empate em 1 a 1, resultado que, somado à vitória do Independiente por 2 a 1 na Argentina, garantiu o título sul-americano para os argentinos.
O Retorno e a Busca por Reabilitação
Nove anos depois, Paquetá retorna ao Ninho do Urubu com um status completamente diferente. Longe de ser uma promessa, ele se consolidou como um jogador de renome internacional, com passagens de sucesso pelo futebol europeu e ostentando o título de contratação mais cara da América do Sul em 2026, com um investimento de 42 milhões de euros (aproximadamente R$ 260 milhões).
A expectativa era de que o meia fosse o catalisador para a conquista de títulos e a exorcização de fantasmas passados. Contudo, a adaptação e o encaixe na equipe comandada por Filipe Luís ainda parecem em construção. Contra o Lanús, Paquetá iniciou a partida no banco de reservas, sendo acionado apenas aos 18 minutos do segundo tempo, em uma das janelas de substituição do treinador, no lugar de Plata.
Apesar de ter tido uma boa finalização defendida pelo goleiro adversário, o camisa 20 não conseguiu reverter o quadro. Pior ainda, falhou na recomposição defensiva no lance que resultou no gol de empate do Lanús, um erro que pesou na derrota e no vice-campeonato.
A Fome de Títulos e o Jejum de Conquistas Decisivas
Paquetá, que esteve presente e atuou em campanhas vitoriosas do Campeonato Carioca em 2017, quando o Flamengo conquistou o título, agora se vê diante de um novo cenário de frustração em decisões importantes. Se em 2017 a juventude e a inexperiência de equipe poderiam ser atenuantes, em 2026 a cobrança é maior.
O Flamengo, com um elenco recheado de estrelas e altas expectativas, busca incessantemente a reconquista de títulos de expressão. A derrota na Recopa, somada a outros tropeços neste início de ano, intensifica a pressão sobre jogadores e comissão técnica. Para Paquetá, a oportunidade de apagar a dolorosa memória de 2017 foi desperdiçada, e a sede por conquistas ainda permanece insaciável.
A repetição de um cenário traumático, mesmo com papéis invertidos e uma carreira consolidada, acende um alerta para o Flamengo. A busca por um recomeço vitorioso esbarra em fantasmas do passado, e a capacidade do elenco de superar esses obstáculos determinará o rumo da temporada de 2026.

