Presidente da Federação Paulista de Futebol é alvo de apuração do Ministério Público por gestão temerária e ilícitos financeiros.
O comando da Federação Paulista de Futebol (FPF) está sob os holofotes do Ministério Público de São Paulo. Reinaldo Carneiro Bastos, atual presidente da entidade que rege o futebol no estado, figura como um dos principais investigados em um inquérito que apura supostas irregularidades graves em sua gestão. As suspeitas incluem gestão fraudulenta, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, levantando sérias questões sobre a transparência e a legalidade das operações financeiras da FPF.
A investigação, conduzida pelo 23º Distrito Policial de Perdizes e já encaminhada ao Departamento de Polícia Judiciária para a próxima fase de diligências, concentra-se em infrações à Lei de Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e à ordem tributária. Curiosamente, a própria Federação Paulista de Futebol é considerada a vítima dessas supostas práticas ilícitas, conforme apontam os promotores responsáveis pelo caso.
Até o momento, Reinaldo Carneiro Bastos declarou que não foi formalmente notificado pela Justiça sobre a existência deste inquérito. A notícia sobre a investigação foi inicialmente divulgada pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e posteriormente confirmada por outros veículos de comunicação, como o ge.
Detalhes da Investigação Apontam para Transação Suspeita
As apurações preliminares sugerem que Reinaldo Carneiro Bastos teria envolvimento direto na venda de uma empresa especializada em serviços de limpeza. A negociação teria movimentado a expressiva quantia de R$ 15,5 milhões. O ponto que mais chamou a atenção dos investigadores foi o fato de R$ 11,5 milhões desse valor terem sido pagos em espécie, uma modalidade de transação que, segundo os promotores, “configura circunstância atípica e incompatível com práticas comerciais ordinárias”.
Essa característica da operação levanta bandeiras vermelhas, indicando uma possível tentativa de ocultar a origem ou o destino dos recursos, característica comum em esquemas de lavagem de dinheiro. A discrepância entre o valor pago em dinheiro e as práticas de mercado habituais é um dos pilares da investigação que busca desvendar a fundo a natureza dessa transação e a participação do presidente da FPF.
Cenário Eleitoral na FPF em Meio às Suspeitas
O inquérito surge em um momento crucial para a Federação Paulista de Futebol, que se prepara para realizar sua eleição presidencial. O pleito, agendado para o dia 25 de março de 2026, definirá o comando da entidade para o quadriênio de 2027 a 2030. O edital já foi publicado, e a disputa promete ser acirrada.
Reinaldo Carneiro Bastos, o atual mandatário, figura como candidato à reeleição. Caso seja vitorioso, este seria seu quarto mandato à frente da FPF, o que também representaria seu último período de gestão, conforme as regras estatutárias que limitam o número de reeleições. Ele assumiu a presidência em 2015, sucedendo Marco Polo Del Nero, que deixou o cargo para assumir a CBF antes de ser banido do futebol em decorrência do escândalo de corrupção conhecido como Fifagate.
Desde 2015, Bastos foi reeleito por aclamação em 2018 e 2022, consolidando sua liderança. No entanto, o cenário para a eleição de 2026 parece ser diferente. Há um movimento crescente de opositores que buscam lançar uma candidatura rival para desafiar a hegemonia de Reinaldo Carneiro Bastos.
Um nome que tem despontado como potencial adversário é o do advogado Wilson Marqueti Júnior. Ele possui experiência no meio esportivo, tendo ocupado o cargo de Procurador-Geral do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) paulista, o que lhe confere conhecimento das dinâmicas internas e das necessidades do futebol estadual.
O Caminho para uma Nova Liderança na FPF
O estatuto da FPF estabelece critérios claros para o registro de chapas candidatas. Para que uma candidatura seja formalizada, é necessária a subscrição de, no mínimo, 12 clubes filiados. Essa exigência inclui representantes de diferentes divisões: cinco clubes da Série A1, três da Série A2, dois da Série A3, um da Segunda Divisão e uma liga amadora. Essa estrutura visa garantir uma representatividade ampla dentro da federação.
As candidaturas devem ser apresentadas formalmente até 15 dias antes da data da eleição, o que significa que o prazo final para registro é 10 de março de 2026. Esse período é crucial para que as oposições possam se organizar, angariar os apoios necessários e apresentar suas propostas em contrapartida à gestão atual.
A investigação em curso adiciona uma camada de complexidade e incerteza ao processo eleitoral da FPF. As suspeitas de irregularidades financeiras e documentais podem influenciar a percepção dos clubes e dos envolvidos sobre a continuidade da atual gestão, abrindo espaço para novas lideranças que prometem maior transparência e responsabilidade na condução do futebol paulista.
A apuração do Ministério Público é um passo fundamental para esclarecer os fatos e, caso confirmadas as irregularidades, responsabilizar os envolvidos. Paralelamente, a eleição de 2026 definirá o futuro da FPF, em um contexto que clama por renovação e integridade na gestão esportiva.

