A busca por uma estrutura mais unificada e eficiente no futebol brasileiro ganha força com um clamor crescente: clubes querem CBF na mesa de discussão para criação de liga única no Brasil. A necessidade de um diálogo inclusivo para moldar o futuro do esporte tem sido cada vez mais vocalizada por representantes de diversas agremiações, sinalizando uma evolução nas conversas que até então ocorriam de forma mais informal.
Nos últimos dias, a possibilidade de uma liga única deixou o campo das especulações e ganhou contornos institucionais. Reuniões estratégicas entre grupos como a Libra e a Federação de Futebol do Centro-Oeste e Sudeste (FFU), anteriormente conhecida como Futebol Forte União, evidenciaram a urgência em estabelecer um plano de ação conjunto. Em documentos oficiais, ambas as entidades sublinham a importância da participação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nesse processo decisório.
A Libra, em comunicado recente, destacou o “rápido avanço na formação de uma Liga Nacional em conjunto com a CBF e com a FFU”. Essa declaração reforça a visão de que a colaboração é o caminho mais promissor para a consolidação de um modelo de gestão que beneficie todo o ecossistema do futebol.
Paralelamente, a FFU, em carta direcionada aos seus clubes associados, ressaltou que “é essencial que todos os atores do futebol nacional se sentem à mesma mesa”. A entidade enfatiza que “o diálogo entre clubes da FFU, os clubes da Libra e a CBF é o caminho para alcançar esse objetivo”, demonstrando uma clara disposição em buscar consensos.
A própria CBF tem demonstrado abertura para essa colaboração. O presidente da entidade, Samir Xaud, já manifestou em agosto do ano passado a intenção de compartilhar a gestão da futura liga com os clubes. Essa postura contrasta com a abordagem da gestão anterior, que delegou a maior parte da articulação para as equipes. No entanto, divergências sobre a forma e o nível de participação da CBF ainda persistem.
Líderes da Libra admitem a possibilidade de a CBF ter representação em um eventual conselho de gestão da liga. Já a FFU tende a manter a administração primariamente nas mãos dos clubes. Essa nuance nas expectativas demonstra os desafios inerentes à construção de um acordo que contemple as diferentes visões e interesses.
A unificação de forças entre Libra e FFU esteve próxima de se concretizar em 2026, quando um memorando de entendimento estava em vias de ser assinado. Contudo, o documento não foi finalizado, e o cenário se complicou com o racha interno na Libra, desencadeado pela ação judicial do Flamengo contestando a divisão dos direitos de transmissão. A assembleia mais recente marcou o primeiro encontro protocolar do grupo após esse período de turbulência, e relatos indicam um otimismo renovado, com sinais de um início de diálogo para a resolução da disputa.
Diálogo Renovado e Representatividade na Libra
A escolha dos novos representantes dos clubes na Libra sinaliza uma tentativa de pacificação interna. Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, e Raul Aguirre, CEO do Bahia, foram nomeados como titulares, com Harry Massis (São Paulo) e Odorico Roman (Grêmio) como suplentes. Essa composição busca equilibrar as diferentes correntes dentro do grupo, acomodando as visões de clubes como Flamengo e Grêmio, e Bahia e São Paulo. A permanência dos clubes gaúchos no grupo, especialmente o Grêmio, que flertava com a FFU, é vista como um ponto positivo.
A vontade de incluir a CBF no processo de criação da liga é unânime entre os membros da Libra, que contam, inclusive, com o apoio da Conmebol para essa empreitada. A FFU, por sua vez, mantém uma relação mais distante com a entidade, algo que remonta à eleição de Xaud e ao alinhamento da maioria dos clubes do grupo com Reinaldo Carneiro Bastos. Mesmo assim, a FFU decidiu criar um comitê com o objetivo de “interlocução imediata” com a CBF e a Libra, reafirmando o compromisso com a “priorização da criação de uma liga única”.
Clubes querem CBF na mesa de discussão para criação de liga única no Brasil: O Caminho da Negociação
A formação de uma liga única no Brasil é um projeto complexo, que envolve a harmonização de interesses de diferentes grupos e a superação de divergências históricas. A participação ativa da CBF é vista por muitos como um elemento crucial para a legitimação e o sucesso dessa empreitada. A expectativa é que, com todos os principais atores sentados à mesa, seja possível construir um modelo de gestão mais democrático, transparente e eficaz, capaz de impulsionar o futebol brasileiro a um novo patamar.
A articulação entre os clubes, com o apoio de entidades como a Conmebol, e a disposição da CBF em dialogar, abrem um horizonte promissor para a consolidação de uma liga que realmente represente os interesses do futebol nacional. A superação de divergências internas e a busca por um consenso são os próximos passos essenciais para transformar essa visão em realidade.
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Estrutura dos Blocos Atuais
Para entender o cenário atual, é importante conhecer a composição dos principais blocos que negociam a futura liga:
Futebol Forte União (FFU):
- Série A: Corinthians, Fluminense, Coritiba, Cruzeiro, Botafogo, Athletico-PR, Chapecoense, Internacional, Mirassol, Vasco
- Série B: América-MG, Athletic, Atlético-GO, Avaí, Botafogo-SP, Ceará, CRB, Criciúma, Cuiabá, Fortaleza, Goiás, Juventude, Londrina, Novorizontino, Operário, Ponte Preta, Sport e Vila Nova
- Série C: Amazonas, Figueirense e Ituano
- Série D: CSA e Tombense
Libra:
- Série A: Atlético-MG, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Bahia, Red Bull Bragantino, Remo, São Paulo, Santos e Vitória
- Série C: Paysandu, Brusque, Ferroviária, Guarani e Volta Redonda
- Série D: ABC e Sampaio Corrêa
A consolidação de uma liga única é um passo fundamental para o desenvolvimento sustentável do futebol brasileiro. A inclusão da CBF neste processo é vista como um fator determinante para o sucesso da empreitada. O caminho é de diálogo e negociação, visando o melhor para o esporte nacional.
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