Estrangeiros de 17 países avaliam Superliga e vida no Brasil: raio-x aponta pontos fortes e desafios. A elite do vôlei brasileiro, conhecida como Superliga, atrai talentos de diversas partes do globo, e um levantamento inédito revela as impressões de 26 atletas internacionais sobre a competição e a vida em terras tupiniquins. Com 12 equipes em cada naipe, a liga nacional se fortalece não apenas com craques locais como Thaisa, Macris, Bruninho e Lucão, mas também com a valiosa contribuição de jogadores vindos de 17 nacionalidades distintas, representando quatro continentes.
Para compilar este panorama, a reportagem contatou cada um dos 26 atletas estrangeiros, explorando suas motivações para escolher o Brasil, a percepção sobre o nível técnico da Superliga, a qualidade das instalações esportivas, os aspectos mais prazerosos da vivência por aqui, seus pratos brasileiros preferidos, ídolos nacionais e as maiores dificuldades de adaptação.
Estrangeiros de 17 países avaliam Superliga e vida no Brasil: raio-x aponta pontos fortes e desafios
O balanço geral é altamente positivo. A Superliga recebe elogios consistentes quanto ao seu nível de competitividade e à estrutura oferecida pelos clubes. Os atletas demonstram grande apreço pela cultura brasileira, embora a barreira do idioma ainda se apresente como um obstáculo para alguns. Apenas a Oceania não teve representantes nesta temporada de 2026.
O Palco da Paixão: Avaliação das Quadras Brasileiras
A infraestrutura dos ginásios brasileiros foi um ponto de interesse para os estrangeiros. As opiniões variam, abrangendo desde instalações modernas até aquelas com décadas de história. O Maracanãzinho, por exemplo, é palco de jogos de grande porte, como os que o Sesc-Flamengo protagoniza.
Maria Koleva, da Bulgária e atuando pelo Praia Clube, comenta: “Os ginásios são muito bons. O clima e a ventilação não são os meus preferidos, mas é uma questão de costume. Fico feliz que nossa quadra seja exclusiva para o vôlei, pois na Europa é comum dividirmos o espaço com outros esportes, como o basquete.”
Juan Velasco, da Colômbia e jogador do Cruzeiro, compartilha sua visão: “Eu avalio a estrutura dos ginásios brasileiros como boa, daria nota 7 de 10. Existem locais que deixam a desejar, mas há outros incríveis, que são um sonho para jogar.”
Sabores, Sorrisos e Sol: O Que Mais Encanta no Brasil
Quando questionados sobre o que mais gostam de fazer no país, a culinária brasileira surge como um dos grandes atrativos. A exploração de restaurantes e a descoberta de novos sabores são atividades frequentes. A energia contagiante e a receptividade do povo brasileiro também figuram entre os pontos altos, assim como o clima ensolarado, um contraste bem-vindo para atletas de países com invernos rigorosos, como americanos, canadenses e russos.
Praias paradisíacas, o vibrante carnaval, a riqueza cultural e um estilo de vida mais descontraído também foram frequentemente mencionados nas respostas dos atletas.
Ana Marcelin, de Honduras e jogando pelo Maringá, declara: “O que eu mais gosto é comer! Adoro visitar diferentes restaurantes, padarias e sorveterias nos lugares que tenho a oportunidade de conhecer.”
Masa Kirov, da Sérvia, que atua pelo Sesc-Flamengo, expressa seu contentamento: “Eu amo o estilo de vida e as pessoas. Todos são muito positivos. Gosto de atividades ao ar livre e de descobrir novos lugares.” Para aprofundar sobre outros aspectos do esporte, saiba mais sobre Giulia Gávio e Carol Sallaberry, a nova dupla do vôlei de praia de olho em Los Angeles 2028.
Superando Barreiras: Adaptação e Conexões
A adaptação ao Brasil, embora possa apresentar desafios, é marcada por experiências positivas. A simpatia e a prestatividade dos brasileiros facilitam a integração.
Jenna Gray, dos Estados Unidos e jogando pelo Osasco, relata sua experiência: “No início, o idioma era uma barreira, mas os brasileiros são muito simpáticos e prestativos, então superei esse medo rapidinho.”
Harry Andrés Copete, da Colômbia e atleta do Monte Carmelo, é mais direto: “Para ser sincero, não achei muito difícil me adaptar, pois, sendo colombiano, sinto que as coisas não são muito diferentes. Eu já sabia um pouco do idioma antes de vir e consegui me comunicar sem problemas.”
Jennifer Nogueras, de Porto Rico e atuando pelo Tijuca, destaca a segurança como um ponto de atenção inicial, mas que foi rapidamente superado: “Para mim, foi a segurança. Tive que mudar alguns hábitos. O idioma é parecido com o espanhol, e consegui me comunicar. A cultura é muito bonita, tem semelhanças com a porto-riquenha, e senti que estava em casa aqui.”
A força da Superliga se reflete na presença de talentos de diversas origens, enriquecendo o cenário nacional e promovendo um intercâmbio cultural e esportivo valioso. A competição se consolida como um dos principais destinos para atletas de ponta que buscam desafios de alto nível e uma experiência de vida enriquecedora.
Confira também a análise do confronto entre Minas e Suzano na Superliga Masculina e o duelo entre Fluminense e Osasco na Superliga Feminina.
Os Protagonistas Internacionais da Superliga em 2026
A Superliga Feminina conta com 17 atletas de 11 países:
- Honduras: Ana Marcelin (Maringá)
- Estados Unidos: Caitlin Baird (Osasco), Jenna Gray (Osasco), Morgahn Fingal (Praia Clube), Nia Reed (Sesi-Bauru), Payton Caffrey (Praia Clube), Simone Lee (Sesc Flamengo)
- Venezuela: Nelmaira Valdez (Fluminense), Roslandy Acosta (Sesi-Bauru)
- Canadá: Hilary Johnson (Minas)
- Polônia: Julia Nowicka (Minas)
- Rússia: Maria Khaletskaia (Minas)
- Argentina: Bianca Cugno (Osasco)
- Sérvia: Masa Kirov (Sesc-Flamengo)
- Bulgária: Maria Koleva (Praia Clube)
- República Tcheca: Ema Kneiflová (Tijuca)
- Porto Rico: Jennifer Nogueras (Tijuca)
Já a Superliga Masculina reúne 9 atletas de 7 países:
- Egito: Hisham Ewais (Monte Carmelo)
- Colômbia: Harry Andrés Copete (Monte Carmelo), Juan Velasco (Cruzeiro)
- Argentina: Gaspar Bittar (JF Vôlei), Bruno Lima (Campinas)
- Cuba: Maykrol Chapman Navarro (Guarulhos)
- Irã: Javad Karimsouchelmaei (Minas)
- Belize: Ernest Broaster (Goiás)
- Barbados: Rajé Alleyne (JF Vôlei)
Para entender mais sobre a competição, confira o duelo estratégico entre Sesc-Flamengo e Mackenzie. E sobre a importância da saúde mental no esporte, leia como a capitã do Brusque Vôlei celebrou o título da Superliga B com homenagem à psicóloga.

