Por que Lucas Paquetá precisa estar na Copa do Mundo? A resposta se tornou ainda mais clara após sua atuação decisiva no recente triunfo do Flamengo sobre o Independiente Medellín pela Libertadores. O camisa 10 rubro-negro demonstrou em campo a versatilidade e a inteligência tática que o credenciam a ser uma peça-chave no esquema da Seleção Brasileira em 2026.
Em um jogo marcado pela goleada de 4 a 1, Paquetá foi o catalisador de lances cruciais. No primeiro gol, ele se projetou como meia-atacante, recebeu a bola de Ayrton Lucas, dominou com a precisão de um maestro e finalizou com categoria no canto esquerdo do goleiro. Pouco depois, em um lance de pura perspicácia – e, para alguns, com uma pitada de audácia –, ele recuperou a posse no campo de ataque, iniciando uma jogada que resultou no cruzamento de Arrascaeta para o gol de Bruno Henrique.
Esses dois momentos emblemáticos ilustram a capacidade de Paquetá de operar como um verdadeiro pêndulo em campo. Ele transita com fluidez entre as tarefas defensivas e a chegada ao ataque, uma característica que se tornou seu cartão de visitas e que o projetou internacionalmente. Essa dinâmica foi fundamental em sua passagem pela Premier League, onde se destacou pelo West Ham e chamou a atenção de gigantes europeus, como o Manchester City de Pep Guardiola, embora uma negociação tenha sido frustrada por questões alheias ao seu desempenho em campo.
A Versatilidade que Transcende Posições
O confronto pela Libertadores marcou a terceira partida consecutiva de Lucas Paquetá como titular do Flamengo. Essa sequência, algo que não ocorria desde fevereiro, sinaliza sua readaptação e importância crescente no clube. Seu retorno ao Ninho do Urubu, após um período oscilante entre o banco e o time principal, que coincidiu com sua ausência na última convocação da Seleção, parece ter ficado para trás.
Agora, Paquetá reafirma seu status de titular indiscutível, justamente por injetar no Flamengo essa mecânica de jogo que o torna imprevisível e eficiente. Sua atuação contra o Independiente Medellín o viu atuar como segundo homem do meio-campo, com a responsabilidade de armar o jogo atrás de Arrascaeta. Contudo, sua capacidade de atuar mais avançado, quase como um falso nove, ou até mesmo como um atacante de ofício, expande suas possibilidades táticas.
Por que Lucas Paquetá precisa estar na Copa do Mundo: Uma Necessidade Tática
O atual panorama da Seleção Brasileira, sob o comando de Carlo Ancelotti, tem apresentado um sistema com quatro atacantes de ofício. Embora esses jogadores, notadamente Matheus Cunha, demonstrem capacidade de variar suas posições e migrar para o meio, essa configuração me gera preocupações, especialmente em confrontos contra adversários mais qualificados e taticamente disciplinados. A experiência de um revés acachapante, como o 4 a 1 sofrido para a Argentina em tempos de Dorival, serve de alerta, onde a equipe pouco conseguiu produzir.
Embora o trabalho de Ancelotti venha aprimorando esse desenho tático, tornando-o menos arriscado, a necessidade de ter uma alternativa confiável, um plano B, é latente. Precisamos de um jogador capaz de preencher o meio-campo, transformando um potencial 4-3-3 em um sólido 4-5-1 quando os pontas recuam. Essa função exige um atleta com a capacidade de recompor defensivamente e, em seguida, projetar-se rapidamente para o ataque.
É exatamente essa a característica que Lucas Paquetá executa com maestria. O próprio Ancelotti reconhece o potencial do jogador para desempenhar essa função e já o testou em amistosos. No entanto, os resultados desses testes, como as derrotas para Japão (3 a 2) e Bolívia (1 a 0), não foram os esperados, levando alguns a descartarem sua inclusão. Contudo, para aprofundar sobre as nuances táticas do futebol internacional, confira também a análise sobre as decisões da Conmebol em casos de protestos.
Acredito que essas duas derrotas não devem ser motivo para arquivar o potencial de Paquetá. Sua inclusão na Copa do Mundo transcende a mera qualidade técnica; é uma questão de pragmatismo e de ter à disposição uma peça que pode alterar a dinâmica da equipe com uma simples mudança tática. Ele é o jogador mais adequado para oferecer essa flexibilidade ao ataque brasileiro.
Paquetá: O Elemento Surpresa e a Adaptação
Embora a comissão técnica explore outras opções, como Gabriel Sara, que esteve presente na última convocação, é em Lucas Paquetá que Ancelotti encontra a ferramenta mais precisa para adaptar o estilo de jogo da Seleção quando necessário. Sua capacidade de ditar o ritmo, de quebrar linhas defensivas com dribles e passes precisos, e sua disposição para o trabalho defensivo o tornam um jogador completo.
Sua presença na equipe pode oferecer diferentes configurações táticas, desde um meio-campo mais robusto até ataques mais verticais e imprevisíveis. A versatilidade de Paquetá permite que a Seleção não fique refém de um único modelo de jogo, tornando-a mais resiliente contra diferentes adversários e cenários de partida. Saiba mais sobre a importância de jogadores versáteis no futebol moderno em nosso artigo sobre o desenvolvimento de jovens talentos no meio-campo.
A capacidade de Paquetá de atuar em diversas posições no setor ofensivo e no meio-campo o torna um trunfo valioso. Ele pode iniciar jogadas, criar oportunidades de gol e também finalizar. Essa multifuncionalidade é crucial em um torneio de curta duração como a Copa do Mundo, onde cada jogador precisa ser capaz de contribuir de diferentes maneiras.
Um Olhar Para o Futuro e a Experiência Essencial
A experiência de Paquetá em ligas europeias de alto nível, como a Premier League, confere-lhe uma maturidade e um entendimento tático que são inestimáveis. Ele está acostumado a enfrentar defesas sólidas e a lidar com a pressão de grandes jogos. Essa vivência é fundamental para jogadores que representam o Brasil em competições de ponta.
A Seleção Brasileira, em sua busca pelo hexacampeonato, precisa de jogadores que combinem talento individual com inteligência coletiva. Lucas Paquetá se encaixa perfeitamente nesse perfil. Sua capacidade de leitura de jogo e sua habilidade em executar diferentes funções táticas o tornam um jogador indispensável para o sucesso da equipe.
Entender a importância da projeção de jovens talentos para a Seleção é crucial, e Paquetá representa a consolidação desse processo. Sua evolução contínua e sua capacidade de adaptação o posicionam como um jogador que pode agregar valor significativo ao elenco brasileiro na próxima Copa do Mundo. Ele não é apenas uma opção, mas uma necessidade tática para garantir flexibilidade e poder de fogo.
Portanto, a conclusão é clara: Lucas Paquetá não é apenas um jogador talentoso, mas uma peça estratégica fundamental. Sua presença na Copa do Mundo de 2026 é justificada por sua versatilidade, sua inteligência tática e sua capacidade de elevar o nível de jogo da Seleção Brasileira. Ele é o tipo de jogador que pode decidir partidas e adaptar a equipe a diferentes cenários, algo essencial para a conquista de um título mundial.
Para mais análises sobre o futebol brasileiro e internacional, confira nosso artigo sobre o retorno de Gabriel Paulista e sua relevância para o Vitória, e também a história do goleiro do Sporting Cristal e o incidente com o celular.

