Por que os gols de falta diminuíram? Alex reflete e acredita em falta de confiança do batedor. Essa é a pergunta que ecoa nos gramados brasileiros, e o lendário Alex, ex-meia e agora técnico, traz uma perspectiva intrigante sobre o tema. Décadas atrás, o futebol nacional era um celeiro de craques capazes de transformar cobranças de falta em gols espetaculares. Nomes como Zico, Marcelinho Carioca, Rogério Ceni e Djalminha são apenas alguns dos mestres que encantavam o público com sua precisão e categoria. No entanto, testemunhar a rede balançar após um tiro livre direto fora da área tem se tornado uma raridade cada vez maior.
Uma análise detalhada realizada pelo Gato Mestre, a pedido do ge, corrobora essa percepção, revelando uma tendência de queda contínua nos gols de falta na Série A do Campeonato Brasileiro. O levantamento abrange tanto as cobranças diretas quanto as executadas em dois toques, evidenciando uma diminuição notável nos tentos anotados.
A Perspectiva de Alex: Medo de Errar e a Perda da Ousadia
O debate sobre a escassez de gols de falta não é novo e tem mobilizado treinadores, jogadores, preparadores físicos e jornalistas. Uma das linhas de raciocínio mais difundidas sugere que a redução nos treinamentos dessa especialidade seria um fator crucial, visando evitar o desgaste físico e minimizar o risco de lesões.
Contudo, Alex, que brilhou nos anos 90 e 2000 como um exímio cobrador e hoje comanda o Athletic, propõe uma visão um pouco diferente. Para o técnico, embora possa haver razões técnicas por trás da diminuição, o principal vilão seria o receio de falhar. Ele acredita que a pressão atual é diferente daquela vivenciada em sua época de jogador.
“A principal diferença do que a gente encontra hoje para o que se tinha antigamente, talvez por que antigamente a gente tinha uma pressão externa menor do que se tem hoje, é que antigamente você tentava acertar. Hoje o cara tem a preocupação se vai errar”, explicou Alex.
O treinador enfatiza a importância de incentivar os atletas a explorarem suas qualidades. “O que eu tento passar para eles é o seguinte: você bate bem na bola… por que não tentar? Em algum momento você vai bater, às vezes vai dar certo, às vezes não vai dar. O que eu passo para todos eles é que todos nós temos algo de bom. Então vamos valorizar o que temos de bom”, completou.
Essa filosofia foi posta em prática recentemente, quando Alex incentivou o meia Pedro Oliveira, conhecido por sua habilidade em cobranças de falta, a arriscar um chute durante a partida entre Athletic e América-MG, válida pela Série B do Brasileirão.
Números Confirmam a Tendência: A Queda nas Cobranças de Falta
Para além das percepções, os dados concretos confirmam a tese de uma diminuição acentuada nos gols de falta. O estudo do Gato Mestre, que analisou as dez primeiras rodadas da Série A do Campeonato Brasileiro desde 2013, revela uma queda progressiva e alarmante.
A edição de 2026, por exemplo, figura entre as com menor número de gols de falta, registrando apenas cinco tentos, todos em cobranças diretas. Esse patamar é semelhante ao de 2019. As edições de 2021 (quatro gols), 2022 e 2025 (três gols cada) são as únicas a apresentarem um desempenho ainda inferior no mesmo recorte.
Um fato que chama a atenção é que as cinco piores marcas em termos de gols de falta, considerando as 14 edições analisadas, concentram-se nos últimos oito Brasileiros, a partir de 2019. Isso demonstra uma redução consistente e gradual na efetividade das bolas paradas na elite do futebol nacional.
Para se ter uma noção da magnitude dessa queda, a Série A de 2013 registrou 15 gols em cobranças de falta nas primeiras dez rodadas, sendo 12 diretas e três em jogadas de dois toques – o maior número observado no período. Em seguida, aparecem os campeonatos de 2015, 2017 e 2018, com 10 gols, e as edições de 2014 e 2024, com oito gols.
Por que os gols de falta diminuíram? Alex reflete e acredita em falta de confiança do batedor
A análise dos números reforça a visão de Alex. A queda na quantidade de gols de falta está intrinsecamente ligada a uma diminuição nas tentativas diretas ao gol. No Brasileirão de 2026, foram cobradas 123 faltas com intenção de marcar. No ano anterior, esse número foi de 129, e em 2026, de 128. Em contrapartida, a temporada de 2013, que liderou em gols de falta, contou com 209 tentativas, o maior volume no período, seguida por 2014 (198 tentativas) e 2020 (185 tentativas).
Essa redução nas tentativas, segundo Alex, é um reflexo direto da falta de confiança. Os jogadores parecem mais receosos em assumir a responsabilidade de bater uma falta direta, optando, talvez, por jogadas mais seguras ou simplesmente evitando a cobrança quando a oportunidade surge.
A falta de gols de falta no futebol moderno é um fenômeno complexo, influenciado por diversos fatores. Enquanto alguns apontam para a evolução tática dos adversários e a maior preparação física dos goleiros, a perspectiva de Alex adiciona uma camada psicológica importante: a hesitação em arriscar, moldada pela pressão e pelo medo do erro.
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