Maternidade e Campo: Zagueira do Galo Expressa Saudade e Amor Incondicional Longe do Filho no Dia das Mães
A dolorosa realidade de estar longe do filho no Dia das Mães, zagueira do Atlético-MG desabafa: “Tudo na minha vida”. A data especial, que deveria ser de celebração e abraços apertados, traz consigo um misto de emoções para Karen Cristina, zagueira do Atlético-MG. Em meio à rotina intensa de treinos e recuperação de lesão, a atleta compartilhou a saudade que aperta o peito ao pensar em Ravi Lucca, seu filho de dois anos. A vida de uma atleta de alto rendimento, por mais gratificante que seja, impõe sacrifícios, e a distância, especialmente em momentos tão significativos, revela a profundidade desse amor e dedicação.
A emoção transbordou em uma conversa por vídeo com o pequeno Ravi, capturada na Vila Olímpica. O sorriso que iluminou o rosto de Karen, do início ao fim da chamada, demonstra a força do vínculo que une mãe e filho, uma conexão que transcende laços de sangue e se solidifica na alma. Karen Cristina faz questão de reafirmar seu compromisso e carinho, buscando proporcionar o melhor para o herdeiro, mesmo que isso signifique estar fisicamente distante em datas comemorativas.
A Distância Imposta pelo Futebol e a Superação Materna
Aos dois anos, Ravi Lucca já aprendeu a lidar com a ausência materna. Residente em São Paulo, a cerca de 580 quilômetros de Belo Horizonte, o menino vive com sua mãe biológica. Karen aproveita cada folga em seu calendário de jogos para encurtar essa distância, mas a agenda apertada do futebol feminino nem sempre permite esses reencontros tão desejados.
“Às vezes eu fico triste, mas fico feliz por poder proporcionar uma boa vida para ele. Eu ligo para ele todos os dias. Dizem que ser mãe é fazer sacrifícios. Na escola dele teve uma trend de dia das mães e só a outra mãe dele conseguiu ir. Dói, porque é um momento que eu queria acompanhar”, confessou Karen em entrevista ao ge.
A recuperação de uma lesão no joelho direito impedirá que Karen Cristina esteja fisicamente presente para celebrar o Dia das Mães ao lado de Ravi. O Atlético-MG viaja para São Paulo neste domingo, para enfrentar o Palmeiras pelo Brasileirão Feminino. No entanto, a zagueira permanecerá em Belo Horizonte, focada em seu tratamento na Vila Olímpica. A dedicação ao filho é a principal motivação de Karen em campo.
“Agora minhas fichas são 100% nele. Tudo que eu entrego em campo é para ele. Dar condições melhores. Então às vezes eu abro mão, a gente se esforça tanto para não faltar nada e no final falta a gente. O Ravi é tudo na minha vida.”
A homenagem ao filho está presente até nos detalhes do dia a dia. No Galo, Karen veste a camisa de número 24, um número que simboliza o ano em que Ravi nasceu, reforçando a conexão constante entre mãe e filho. Para aprofundar sobre histórias inspiradoras no futebol, confira também a ação solidária de jogadores do Fortaleza em prol de mães e crianças.
Uma Mãe de Alma: A História de Karen e Ravi
A jornada de Karen com Ravi começou quando a então companheira descobriu a gravidez. Na época, o casal estava separado, mas diante da decisão da mãe biológica de não seguir com a gestação, Karen não hesitou em assumir a responsabilidade. “Ela falou assim: ‘Eu não quero ele (o bebê). Eu não tenho estrutura agora para ter um filho’. Eu fui calma e falei: ‘Eu assumo ele. Você fica com ele. Eu assumo a responsabilidade de mãe’. Porque meu sonho sempre foi ser mãe de menino”, relembrou a jogadora.
Durante a gravidez, Karen retomou o relacionamento com a mãe de Ravi, mas atualmente não estão mais juntas. Contudo, a amizade e o respeito mútuo permanecem. Entenda melhor sobre a trajetória de Wendell no São Paulo, um exemplo de renascimento e superação no futebol.
A gestação não foi um período tranquilo. A mãe biológica de Ravi enfrentou momentos de estresse e complicações, como sangramentos. Karen, desde o início, esteve presente, oferecendo todo o suporte necessário. Ela conversava com o filho ainda na barriga, enviando áudios que eram reproduzidos para Ravi, que reagia com chutes, confirmando a forte conexão que se estabelecia.
“Eu mandava áudio falando com ele e ela colocava na barriga. E aí ela colocava e ele toda vez que ele escutava minha voz, ele chutava, ele chutava muito. Meu olho brilhava e eu pensava: ‘Olha, ele está chutando, ele está me entendendo’. E eu conversava de tudo com ele.”
A Força do Vínculo: Encontros e Recordações
Karen não pôde estar presente no nascimento de Ravi, pois se encontrava no Mato Grosso, jogando pelo Mixto. O primeiro contato com o filho foi por meio de uma videochamada, um momento que a marcou profundamente e selou seu amor instantâneo. O encontro pessoalmente ocorreu meses depois, um momento de pura emoção.
“Quando ela abriu a porta, eu vi aquele pacotinho na cama. Meu olho brilhou. Eu saí pegando ele no colo e eu não sabia como pegar, ele era tão pequenininho ainda. E ele abriu o olhinho, ele dava aquele sorrisinho banguelo (risos)”, recordou.
Com o passar do tempo, os encontros se tornaram mais desafiadores devido à rotina de jogos. No período de recuperação da lesão, Ravi passou um mês em Belo Horizonte, proporcionando à mãe um período mais tranquilo e com mais tempo para estar ao lado dele. As lembranças de Ravi acompanham Karen de forma literal. Uma pulseira com o nome do filho gravado e um chaveiro em sua mochila são objetos que a conectam a ele diariamente.
Em momentos de saudade, Karen recorre ao cobertor de Ravi, que ainda guarda o cheiro do filho. A atleta também planeja uma tatuagem em homenagem a ele, um registro permanente desse amor. “Eu ando com essa ‘cobertinha’ desde o dia que ele nasceu. Todo canto que eu vou. Ainda tem o cheirinho dele. Quando ele vem, eu pego ela. Às vezes eu vou viajar com ela.”
Ravi ainda não teve a oportunidade de assistir à mãe jogar ao vivo, mas acompanha seus jogos pela televisão. Um vídeo gravado pela mãe de Ravi, mostrando o pequeno reconhecendo a mãe na tela e gritando “É a mamãe!”, emocionou Karen profundamente. O sonho da zagueira é poder entrar em campo um dia com seu filho, um momento que simbolizaria a união de suas duas maiores paixões: o futebol e Ravi Lucca.
A dedicação materna no esporte é um tema recorrente. Em outro exemplo de superação e força, saiba mais sobre os jovens talentos que impulsionaram o Cruzeiro em uma partida contra o Bahia.
O amor de mãe, mesmo à distância, é uma força inabalável. A história de Karen Cristina é um testemunho de que os sacrifícios no esporte podem ser recompensados com a alegria de proporcionar um futuro promissor aos filhos, e que a conexão emocional é capaz de superar qualquer obstáculo geográfico. Para entender mais sobre a paixão de torcedores, relembre a importância de um palco histórico para o Fortaleza.
Em um universo onde as mães atletas enfrentam desafios únicos, a história de Karen ressalta a importância do apoio familiar e a resiliência que move essas mulheres a perseguirem seus sonhos, mesmo quando divididas entre o campo e o lar. Descubra também como o Vasco garantiu sua vaga na final da Libertadores de Beach Soccer, mostrando a diversidade de paixões e conquistas no esporte.

