Maradona no Cruzeiro, e Ronaldo com camisa do Boca? Histórias aproximam ídolos de rivais desta terça. O universo do futebol é repleto de coincidências e momentos que desafiam a lógica, e a rivalidade entre Boca Juniors e Cruzeiro, que se enfrentam nesta noite de terça-feira pela Copa Libertadores, é palco de algumas dessas narrativas. Dois dos maiores astros que já encantaram o planeta, Diego Armando Maradona e Ronaldo Fenômeno, protagonizaram episódios curiosos que, de formas distintas, conectaram o clube argentino ao time mineiro, mesmo que um deles nunca tenha vestido a camisa azul.
Ronaldo e o Desejo Incessante de Trocar Camisa com o Boca
A memória de 1994 guarda um capítulo particular na história de um confronto entre Cruzeiro e Boca Juniors pela Libertadores. Naquele ano, o então jovem Ronaldo, já um fenômeno em ascensão, demonstrou um desejo peculiar durante a partida: trocar de camisa com um jogador do time argentino. Segundo relatos do ex-jogador Gabriel Mac Allister, que atuava pelo Boca na época, o atacante brasileiro não poupou esforços para conseguir o feito.
Mac Allister, em uma participação em um programa televisivo argentino em 2005, detalhou a insistência de Ronaldo. “Com 15 minutos, o 9 (Ronaldo Fenômeno) falou: trocar camisetinha. No segundo tempo, eu já estava cheio dos pedidos de trocar camisetinha. Ele ia pra lá, para cá, eu quase machucava o pescoço quando ele passava. Ele era infernal”, relembrou o ex-atleta.
A persistência do camisa 9 era notável, mesmo após marcar gols. Mac Allister, por sua vez, revelou uma certa irritação com a insistência, declarando que “Eu não queria saber de mais nada. Só queria agarrá-lo e arrebentá-lo. Não troquei a camisa”. A frustração do argentino em não ceder à troca era palpável, mas o desejo de Ronaldo era compreensível, dada a magnitude do adversário.
Mesmo sem a troca imediata no campo, a história ganhou um desfecho peculiar. Ao final da partida, após marcar um golaço, Ronaldo foi chamado para uma entrevista, mas antes de conceder as declarações, fez um último pedido: “Deixa eu trocar de camisa aqui…”. A troca, no entanto, não se concretizou ali. Mac Allister seguiu para o vestiário com a camisa do Boca, e Ronaldo, por sua vez, permaneceu com a do Cruzeiro, em mais uma lembrança que une esses dois gigantes do futebol.
Maradona e a Quase Passagem pelo Cruzeiro: Uma Oportunidade Perdida
Enquanto Ronaldo buscava uma lembrança de um duelo contra o Boca Juniors, o Cruzeiro, em outra época, esteve perto de ter um dos maiores craques da história em seus quadros: Diego Armando Maradona. Na década de 1980, o clube mineiro teve a chance de contar com o talento do Pibe, mas a negociação não avançou.
Benecy Queiroz, que na época atuava como supervisor de futebol do Cruzeiro, revelou em 2020 ao ge que Maradona foi oferecido ao clube durante uma excursão pela Argentina. A ideia era que o jovem Maradona participasse da excursão com a equipe, e posteriormente, um acordo formal fosse negociado.
“Esteve perto do Cruzeiro (sim). Na época, a situação era levá-lo para ele participar da excursão. E, na volta, o empresário iria negociar. O Ilton (Chaves, técnico) e nós fomos unânimes e vimos que ele era muito bom jogador”, comentou Benecy.
A decisão final, no entanto, recairia sobre o então presidente do clube, Felício Brandi. Segundo Benecy, o dirigente não demonstrou interesse em dar continuidade à negociação. “Ligamos ainda para o Felício (Brandi, então presidente), mas ele não achou interessante de acompanhar a delegação. E aí ficou nisso”, explicou o ex-supervisor.
As incursões do Cruzeiro pela Argentina ocorreram em 1971 e 1980. Em 1971, Maradona tinha apenas 11 anos, ainda um garoto promissor. Já em 1980, o craque estava em sua fase final no Argentinos Juniors, clube que o revelou, antes de seguir para o futebol europeu.
O empresário Jorge Gutman, responsável pela organização das excursões do Cruzeiro na Argentina, foi quem apresentou a ideia de trazer Maradona. “A pedido do Gutman, ainda fomos assistir ele no time pequeno que ele jogava (Argentinos Juniors). Fomos assistir, o Ilton aprovou por tudo que ele fez. Mas precisava da autorização do Felício”, detalhou Benecy.
A justificativa para a recusa, segundo Benecy, era a força do elenco do Cruzeiro na época. “Na época, o Felício não achou interessante, porque ele não era jogador nosso. E a gente tinha Dirceu, Piazza, Zé Carlos, tinha um bom time. Por isso, não foi efetivado”, completou.
Conexões Inusitadas no Futebol
Essas histórias, embora não resultem em Maradona vestindo a camisa do Cruzeiro ou Ronaldo trocando oficialmente com um jogador do Boca Juniors em campo, demonstram como o destino e as oportunidades moldam as trajetórias no futebol. A rivalidade entre Boca e Cruzeiro, que se acirra nesta terça-feira, ganha contornos ainda mais interessantes com essas conexões inesperadas entre ídolos de diferentes épocas e nacionalidades.
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O futebol é feito de ‘e se?’, e as histórias de Maradona e Ronaldo com clubes rivais reforçam essa ideia, tornando cada confronto ainda mais especial. Saiba mais sobre a busca do Fluminense por vitórias cruciais em Superando Desafios: Fluminense Amplia Ingressos e Busca Vitória Crucial.

