Índice do Artigo
- Pontos Principais
- Prato na mesa: a base de tudo
- Livro na mão: o antídoto contra as telas
- Bola no pé: o último degrau
- O legado que vai além do gramado
- Perguntas Frequentes
- Por que o celular foi proibido na base do Palmeiras?
- O que significa o slogan ‘prato na mesa, livro na mão e bola no pé’?
- Quais os benefícios observados desde a implementação da diretriz?
Pontos Principais
- Abel Ferreira proibiu o uso de celulares nas dependências da base do Palmeiras, substituindo telas por livros.
- O técnico português inaugurou o Espaço Literário Abel Ferreira, incentivando a leitura entre os jovens atletas.
- O mantra ‘prato na mesa, livro na mão e bola no pé’ norteia a nova filosofia de formação humana antes do futebol.
- Coordenador da base, João Paulo Sampaio e especialistas apontam redução da ansiedade e melhora na convivência.
- O legado vai além do campo: mesmo que não se tornem jogadores profissionais, os jovens sairão cidadãos melhores.
A nova diretriz da base Palmeiras, comandada por Abel Ferreira, não é sobre táticas ou contratações – é sobre formar seres humanos. Em resumo, a nova diretriz da base Palmeiras consiste em três pilares: garantir alimentação digna, estimular a leitura e, só então, trabalhar o futebol. Celulares foram proibidos para reduzir a ansiedade e promover convivência real. O objetivo é formar cidadãos antes de atletas.
O Palmeiras nunca mais será o mesmo. E não estamos falando de títulos, contratações ou esquemas táticos. A revolução que sacode a Academia de Futebol 2 é silenciosa, mas barulhenta em seus efeitos: celulares foram banidos, livros viraram armas e o prato de comida ganhou status de prioridade máxima. Abel Ferreira, o técnico multicampeão, abriu o coração e revelou a diretriz que promete transformar a base alviverde de dentro para fora.
Quando nossa equipe chegou ao CT da base, a primeira coisa que encontrou foi uma placa fria: ‘Proibido celular’. Ela está na entrada, nos corredores, nos alojamentos. Não há para onde correr. O que antes era um vício silencioso entre os jovens – rolar o feed infinito, responder stories, perder horas em joguinhos – virou coisa do passado. No lugar, cresce uma biblioteca com o nome do próprio técnico: o Espaço Literário Abel Ferreira.
Prato na mesa: a base de tudo
Abel Ferreira nunca escondeu sua origem humilde. Crescido no Penafiel, em Portugal, o treinador aprendeu cedo que um estômago vazio não pensa em mais nada. ‘Quando cheguei ao Brasil, não o conhecia na sua profundidade. Só depois que comecei a entender que primeiro vinha o prato na mesa’, disse ele, com os olhos marejados durante a homenagem. A fome, segundo ele, é o maior inimigo do talento. Por isso, um dos primeiros passos da nova política foi garantir alimentação de qualidade para todos os meninos da base, muitos vindos de realidades duras.
João Paulo Sampaio, coordenador da base, reforçou que a alimentação é o alicerce. ‘Não adianta querer um craque se ele não tem energia para treinar’, explicou. A medida vai além do refeitório: há nutricionistas de plantão, cardápios personalizados e um olhar atento para quem chega abaixo do peso. Confira também como o contrato de camaronês no Palmeiras com multa bilionária revela a nova postura do clube com suas joias.
Livro na mão: o antídoto contra as telas
Se a comida alimenta o corpo, o livro alimenta a mente. E foi exatamente essa a aposta de Abel. O técnico, membro da Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC), não só apoiou como idealizou a retirada dos celulares. ‘Há muitos moleques que às vezes não são ensinados, não são incentivados com um livro que pode transformar uma vida’, disparou.
O Espaço Literário Abel Ferreira já conta com centenas de exemplares, doados por atletas e funcionários. Fernando Truyts, coordenador de serviço social da base, explicou que a ansiedade disparada pelos celulares era um problema silencioso. ‘Não é só tirá-los da tela, é também dar outras oportunidades para que eles possam ter acesso aos livros. A leitura amplia os horizontes, traz desenvolvimento cognitivo, reflete, cresce’, afirmou. Para aprofundar, veja o histórico do Flamengo após Copas do Mundo e entenda como a preparação mental faz diferença.
Bola no pé: o último degrau
Sim, o futebol ainda importa. Mas ele vem por último. ‘Prato na mesa, livro na mão e bola no pé’ não é um slogan bonito – é a hierarquia da formação. Abel Ferreira repetiu a frase que aprendeu no Penafiel e que hoje ecoa nos corredores do CT: ‘Primeiro formamos o homem, depois o jogador.’
Os resultados já aparecem. Segundo relatos de dentro do clube, a convivência entre os atletas está muito mais saudável. Os jovens que antes se isolavam com fones e telas agora conversam, trocam ideias sobre os livros que leram e até sugerem novas obras para o acervo. A ansiedade deu lugar à curiosidade.
O legado que vai além do gramado
Mais do que formar craques, o Palmeiras quer formar cidadãos. Abel Ferreira, em sua reflexão favorita, disse que ‘não sabe para onde vai, mas vai por aí’. E esse caminho é feito de livros, pratos cheios e a certeza de que um menino alimentado e letrado pode ser qualquer coisa – até mesmo um grande jogador.
João Paulo Sampaio lembrou de Endrick e Vitor Reis como exemplos de quem se beneficiou dessa filosofia. ‘Além do legado do treinador, nada mais justo do que a gente abrir o espaço de leitura. É uma criação que prioriza o contato dos meninos que nunca puderam falar com o Abel. Depois, eles podem ser os novos Endrick’s’, disse.
Para quem duvida do poder de uma revolução silenciosa, vale conferir como o Botafogo também mudou o futuro de um goleiro com uma decisão relâmpago. Cada clube tem seu método – o Palmeiras escolheu o caminho humano.
Perguntas Frequentes
Por que o celular foi proibido na base do Palmeiras?
O principal motivo é combater a ansiedade e o isolamento social. Estudos mostram que o uso excessivo de telas prejudica o desenvolvimento cognitivo e emocional dos jovens. A proibição visa substituir o tempo de tela por convivência, leitura e atividades que estimulem o raciocínio.
O que significa o slogan ‘prato na mesa, livro na mão e bola no pé’?
Criado por Abel Ferreira, o lema estabelece a ordem de prioridades na formação dos atletas: primeiro garantir alimentação de qualidade, depois incentivar a leitura e o desenvolvimento intelectual, e por último trabalhar o futebol. É uma filosofia que coloca o ser humano antes do jogador.
Quais os benefícios observados desde a implementação da diretriz?
Segundo a comissão técnica, houve melhora significativa na convivência entre os jovens, redução de casos de ansiedade e maior engajamento em atividades culturais. O espaço literário cresceu com doações dos próprios atletas, e a leitura virou hábito entre as promessas alviverdes.
A revolução de Abel Ferreira não é barulhenta, mas seus ecos vão durar muito além de uma temporada. No fim das contas, o maior troféu que um clube pode conquistar é ver um menino crescer com dignidade – dentro e fora de campo. Acesse nosso artigo sobre a gestão no futebol feminino e entenda como outros clubes estão repensando suas bases.

