Índice do Artigo
- Pontos Principais
- O choque de gestão que quase jogou tudo para o alto
- Números que impressionam, mas não enchem estádio
- Contexto: crise financeira e saída de ídolos
- O paradoxo de Carpini: profissional exemplar, mas mal-amado
- O que esperar do futuro?
- Perguntas Frequentes
- Por que Thiago Carpini pensou em deixar o Fortaleza?
- Quais foram os principais resultados de Carpini no Fortaleza?
- Por que a torcida se distanciou de Carpini?
Pontos Principais
- Thiago Carpini foi contratado por antiga gestão, quase saiu após mudança na diretoria e enfrentou um elenco desfalcado.
- Apesar da instabilidade, o técnico cumpriu todas as metas: título cearense, vice da Copa do Nordeste, classificação na Copa do Brasil e G-6 na Série B.
- O relacionamento com a torcida nunca esquentou: protestos, venda de mando de campo e uma resposta polêmica que gerou um pedido de desculpas público.
- O clube vive crise financeira de R$ 300 milhões, o que impactou a relação com jogadores e torcedores.
A passagem de Carpini no Fortaleza foi uma montanha-russa de emoções. Contratado em dezembro de 2026, o técnico chegou com moral de quem havia feito bons trabalhos, mas logo se viu no olho do furacão. A saída do CEO Marcelo Paz e de outros dirigentes que o contrataram fez o treinador pensar em pedir as contas ainda em fevereiro de 2026. “Imagina ser contratado por algumas pessoas, chegar em dezembro, ver um clube, voltar em janeiro e encontrar um novo clube? Realmente cheguei a pensar se esse era o projeto para mim”, desabafou na época. A passagem de Carpini no Fortaleza teve choque com a diretoria, metas cumpridas dentro de campo, mas um distanciamento crescente da torcida que virou caso de polícia nas arquibancadas.
O técnico ficou. E, contra todas as probabilidades, entregou resultados. O time tricolor conquistou o Campeonato Cearence, foi vice-campeão da Copa do Nordeste, avançou às oitavas da Copa do Brasil (onde enfrentará o Palmeiras) e segura o quinto lugar na Série B, com 31 pontos. Nada mal para quem viu saírem nomes como Adam Bareiro, Moisés, Breno Lopes e, mais recentemente, Pocchetino e Brítez. Mas o que explica, então, o esfriamento com a torcida? Por que um treinador com números tão bons viu sua relação com o torcedor virar pó?
O choque de gestão que quase jogou tudo para o alto
Carpini foi a aposta do então CEO Marcelo Paz, que hoje está no Corinthians. Com a saída de Paz, o treinador perdeu a ponte direta que tinha com a diretoria. Sérgio Papellin, outro nome forte da antiga gestão, também foi para o Vitória. “Fui recebido pelo Paz, Júlio Manso, Papellin, Daniel de Paula e Boeck. Ninguém mais está aqui. Poucos daquele elenco estão aqui”, disse Carpini, deixando claro o isolamento. O departamento de futebol também mudou regras internas, como o acesso de familiares ao centro de treinamento. O clima ficou pesado.
Mesmo assim, o treinador seguiu em frente. Mas a perda de jogadores-chave foi um golpe duro. Bareiro era a referência ofensiva, Moisés dava experiência no meio, e Breno Lopes era o motor pelas pontas. Com o orçamento apertado – o clube acumula uma dívida de aproximadamente R$ 300 milhões, segundo o CEO Pedro Martins –, a reposição foi feita com nomes de menor apelo: Pedro Henrique, Neris e Nathan Fogaça. Em meio a esse cenário, o Vasco também enfrenta dificuldades no mercado e busca um ponta artilheiro para evitar o desespero. As semelhanças entre os clubes mostram que a crise de reforços não é só no Pici.
Números que impressionam, mas não enchem estádio
Os resultados de Carpini são inegáveis. A tabela abaixo resume os principais feitos até o momento (julho de 2026):
| Competição | Desempenho | Detalhes |
|---|---|---|
| Campeonato Cearense | Campeão | Título conquistado com campanha consistente |
| Copa do Nordeste | Vice-campeão | Derrotado na final pelo rival Ceará |
| Copa do Brasil | Oitavas de final | Enfrentará o Palmeiras em agosto (fora de casa) |
| Série B | 5º lugar (G-6) | 31 pontos, a 4 do líder |
E o que a torcida fez? Protestou. Em abril, um grupo organizado foi ao CT cobrar mais raça. A resposta de Carpini foi um tiro no pé: “Burro eu não sou”, disparou em entrevista coletiva. A frase ecoou nas redes sociais e criou uma barreira que nunca foi totalmente desfeita. Mais tarde, ele se desculpou: “Se por algum momento eles se sentiram desrespeitados, peço desculpa, porque não foi a minha intenção.” Mas a mágoa ficou.
A prova do distanciamento veio com a venda do mando de campo para a partida contra o Palmeiras, na Copa do Brasil. O jogo será na Arena Pantanal, em Cuiabá. Um clube que não consegue lotar o estádio para um duelo tão importante mostra que o casamento com a torcida está em crise. Assim como o Botafogo, que dominou o jogo mas tropeçou na ineficiência ofensiva, o Fortaleza parece não conseguir converter bom futebol em apoio nas arquibancadas.
Contexto: crise financeira e saída de ídolos
Não dá para falar da passagem de Carpini sem mencionar a grave crise financeira que assola o Leão do Pici. A dívida de R$ 300 milhões é um torniquete que aperta cada contratação. Brítez, por exemplo, foi para o Vitória após desentendimento por luvas atrasadas. Pocchetino também saiu sem alarde. O Palmeiras viveu situação semelhante com a novela Danilo, que recusou três propostas e fechou a janela de reforços. No Fortaleza, a falta de investimento fez com que a torcida perdesse a paciência. Eles veem os resultados virem, mas sentem falta de um elenco competitivo e de uma direção que converse com o torcedor.
Além disso, a diretoria endureceu o acesso ao CT, o que criou um muro entre o clube e os fãs. Medidas internas, como limitar entrada de familiares e funcionários, foram interpretadas como falta de transparência. O CEO Pedro Martins tenta equilibrar as contas, mas o legado de Marcelo Paz deixou saudades – ou não, dependendo do ponto de vista.
O paradoxo de Carpini: profissional exemplar, mas mal-amado
Se formos olhar apenas os números, Carpini merecia estátua. Mas futebol não é só estatística. O treinador nunca conseguiu criar uma identidade com a torcida. Seu estilo pragmático, as declarações explosivas e a sensação de que ele estava de passagem (como realmente estava) o distanciaram. A venda do mando contra o Palmeiras é a pá de cal na relação.
Porém, vale um mea-culpa: o Fortaleza não é um clube fácil. A pressão em um time que acabou de brigar para subir na Série A (agora está na B por rebaixamento) é enorme. Carpini segurou a barra em meio a saídas, dívidas e desconfiança. No Flamengo, Léo Ortiz treina e dá esperança de volta, mostrando que um jogador pode salvar uma defesa – no Fortaleza, a defesa de Carpini ainda resiste, mas a do ataque contra a torcida não.
O que esperar do futuro?
A diretoria da SAF, sob comando de Pedro Martins, avalia o trabalho de Carpini com lupa. As metas foram cumpridas, mas o desgaste é real. A Série B é longa, e o Fortaleza briga pelo acesso. Se o time continuar no G-6 e avançar na Copa do Brasil, talvez o técnico ganhe sobrevida. Se perder para o Palmeiras e cair de rendimento, a paciência pode acabar.
Uma coisa é certa: a passagem de Carpini pelo Fortaleza deixará marcas. Seja pelo choque inicial, pelas metas batidas ou pelo distanciamento da torcida, seu nome já entrou na história do clube – para o bem e para o mal. Enquanto isso, em outros clubes, a farra de gastos em cartões corporativos gera escândalos, como no São Paulo. No Leão, o problema é o oposto: falta dinheiro, e sobra talento para fazer omelete sem ovos.
Fonte: dados oficiais do Fortaleza EC e reportagens do GE. Consulte o site oficial do Fortaleza para mais informações sobre o clube.
Perguntas Frequentes
Por que Thiago Carpini pensou em deixar o Fortaleza?
O técnico revelou que, após a saída do CEO Marcelo Paz e de outros dirigentes que o contrataram, sentiu que o projeto havia mudado radicalmente. Em fevereiro de 2026, ele admitiu ter considerado não continuar, mas decidiu seguir trabalhando e cumpriu as metas estabelecidas pela nova diretoria.
Quais foram os principais resultados de Carpini no Fortaleza?
Em apenas seis meses, Carpini conquistou o Campeonato Cearense, foi vice-campeão da Copa do Nordeste, avançou às oitavas de final da Copa do Brasil (enfrentará o Palmeiras) e mantém o time na zona de acesso da Série B (5º lugar, com 31 pontos). Todos os objetivos traçados no início da temporada foram atingidos.
Por que a torcida se distanciou de Carpini?
O relacionamento azedou após protestos em abril, quando o treinador respondeu com a frase “Burro eu não sou”. Depois ele pediu desculpas, mas a mágoa permaneceu. A baixa presença de público e a venda do mando de campo para o jogo da Copa do Brasil contra o Palmeiras são evidências da falta de conexão entre o técnico e os torcedores.

