Índice do Artigo
- Pontos Principais
- O pesadelo começou em abril e não parou mais
- O que o Cruzeiro diz sobre as lesões?
- Mudanças internas: ciclo menstrual, treino e recuperação
- Ranking de lesões no LCA no Brasileirão Feminino
- O impacto tático: a defesa desmontada
- Libertadores: o sonho adiado
- O que esperar do futuro?
- O lado humano: o medo de Byanca Brasil
- Uma epidemia no futebol feminino?
- Perguntas Frequentes
- Quantas jogadoras do Cruzeiro sofreram lesão no LCA?
- O que o Cruzeiro mudou para evitar novas lesões?
- Qual é o ranking de lesões no LCA no Brasileirão Feminino?
Pontos Principais
- O Cruzeiro lidera casos de lesão no LCA na elite do Brasileirão Feminino, com seis atletas no departamento médico.
- Atacantes, zagueiras e meio-campistas foram atingidas; a mais recente é Paloma Maciel, lesionada na seleção.
- O clube admite mudanças no treino, no monitoramento do ciclo menstrual e na recuperação das jogadoras.
- Todas as atletas passaram por cirurgia com o médico do clube, Dr. Sérgio Campolina, e devem voltar só em 2026.
Cruzeiro lidera casos de lesão no LCA na elite do Brasileirão Feminino; veja ranking e entenda por que o time, finalista da edição passada, virou um case de alerta. São seis jogadoras lesionadas no ligamento cruzado anterior em poucos meses, um número que assusta qualquer departamento de futebol.
O problema ganhou contornos dramáticos dentro do elenco. A atacante Byanca Brasil admite que o clima é de apreensão. “Sensação de medo”, diz ela, ao ver companheiras caindo uma atrás da outra. A frase resume o momento delicado de um clube que viu o sonho da Libertadores virar preocupação com o departamento médico.
O pesadelo começou em abril e não parou mais
A primeira ruptura foi da atacante Milena, em 16 de abril. Treze dias depois, Gaby Soares deixou o campo com expressão de dor. Dias mais tarde, o diagnóstico: segunda ruptura de LCA da carreira. Aos 22 de maio, foi a vez de Ravenna, de apenas 17 anos, que estava convocada para a seleção de base. Seis dias depois, Tainara e Laura Felipe engrossaram a lista. E, para fechar o ciclo de terror, a zagueira Paloma Maciel se machucou durante um período de treinos na Granja Comary, com a seleção brasileira principal.
Ou seja, em menos de quatro meses, o clube viu seis atletas caírem. O impacto tático foi devastador. A defesa ficou sem opções, o planejamento para a Libertadores virou pó e o time, que havia feito mudanças para uma temporada importante, passou a conviver com desfalques em série.
Em situações assim, a gente sempre observa o efeito cascata. E não é exagero: quando uma lesão grave acontece, a confiança do grupo inteiro abala. A preocupação de Byanca Brasil não é isolada. Pelo que observamos na prática, o trauma psicológico pode ser tão cruel quanto a lesão física.
O que o Cruzeiro diz sobre as lesões?
Luiza Parreiras, gestora do futebol feminino, foi direta. “Isso nos trouxe um questionamento da qualidade do nosso trabalho. A partir do momento que a gente falou ‘não, nosso trabalho é muito bom’, as pessoas que estão vendo são muito competentes. O clube nos dá condição e não vamos tratar como fatalidade. Vamos tratar com o que realmente precisamos melhorar”.
A fala é forte, mas a gestora foi além. Ela explicou que a mudança não é apenas na prevenção, mas num cuidado mais atento para melhorar processos, principalmente com um olhar individualizado para cada atleta. O discurso dela, na prática, significa que o clube percebeu que não basta reforçar o aquecimento ou pedir mais cuidado. É preciso entender o corpo de cada jogadora.
Para aprofundar essa discussão sobre pressão e elenco enxuto, confira também o caso do jovem meio-campista do Avaí que ruma para Portugal, outro cenário que muda os bastidores do futebol nacional.
Mudanças internas: ciclo menstrual, treino e recuperação
Na tentativa de frear a onda de lesões, o Cruzeiro virou uma espécie de laboratório. O clube passou a controlar a carga interna e externa dos treinos, além de monitorar diariamente o ciclo menstrual de cada atleta. A ideia é entender como cada jogadora responde a cada fase do ciclo e ajustar a intensidade dos trabalhos.
O questionário pré-treino e pós-treino virou rotina. O foco em recuperação, o chamado recovery, também ganhou destaque. Isso inclui sono, alimentação e práticas adotadas dentro do clube, até nos dias de folga. O objetivo é reduzir o risco de reincidência, já que lesões no LCA têm alta taxa de retorno.
As seis jogadoras passaram por cirurgia com o Dr. Sérgio Campolina, médico do clube. A equipe dele, que atende o departamento masculino, se uniu ao núcleo feminino para estudar as causas e acompanhar de perto a recuperação. A previsão é que todas voltem a atuar somente no próximo ano.
Vale lembrar que o futebol feminino tem características específicas. Estudos mostram que a incidência de lesão no LCA em mulheres é significativamente maior do que em homens, por fatores anatômicos, hormonais e biomecânicos. O Cruzeiro, mesmo sem conclusões fechadas, está na direção certa ao individualizar o acompanhamento.
Ranking de lesões no LCA no Brasileirão Feminino
O Cruzeiro lidera com folga, mas a lista é assustadora. Veja os números:
| Clube | Casos de LCA |
|---|---|
| Cruzeiro | 6 |
| Grêmio | 3 |
| Botafogo | 1 |
| Internacional | 1 |
| América-MG | 1 |
| Bahia | 1 |
| Ferroviária | 1 |
| Juventude | 1 |
| Palmeiras | 1 |
Os demais clubes não registraram casos na temporada atual. Procurado pela reportagem, o Corinthians preferiu não informar se houve algum episódio internamente. O silêncio, no mínimo, gera perguntas.
É um retrato preocupante do campeonato. Enquanto o Grêmio aparece atrás do Cruzeiro com metade dos casos, a maioria dos times teve ao menos uma atleta atingida. Isso acende um sinal amarelo para toda a elite do futebol feminino.
O impacto tático: a defesa desmontada
O número de lesões não é só estatística. O Cruzeiro perdeu peças-chave e viu o sistema defensivo desmoronar. A zagueira Paloma Maciel, lesionada na seleção, era uma das referências. Tainara e Laura Felipe, que caíram no mesmo dia, também atuam no setor de trás. Com a defesa em frangalhos, o time sofreu uma queda de desempenho nítida.
Para entender melhor como desfalques podem destruir uma campanha, veja o que aconteceu com o Fluminense, que perdeu Thiago Silva e Freytes para o clássico contra o Vasco. A ausência de zagueiros titulares é um golpe difícil de absorver.
Libertadores: o sonho adiado
O Cruzeiro fez mudanças no elenco justamente para brigar em alto nível na Libertadores. A temporada era para ser especial. Em vez disso, o clube convive com um hospital. A gestora Luiza Parreiras admite que o planejamento foi atingido em cheio. Mas ela também faz questão de ressaltar que o trabalho não é ruim, e sim que precisa de ajustes.
O discurso interno é de não tratar as lesões como fatalidade. Existe uma crença de que o problema pode ser controlado com dados, tecnologia e atenção individualizada. É uma aposta ousada, mas necessária. O futebol feminino brasileiro não pode normalizar seis rompimentos de LCA em um mesmo clube.
A lesão de Paloma na Granja Comary escancara outro ponto: o problema não é só do Cruzeiro. A seleção brasileira também precisa olhar com atenção para a carga de jogos e treinos das atletas. Quando uma jogadora se machuca em período de convocação, a responsabilidade é de todos.
A notícia ganhou repercussão nacional e expõe uma crise silenciosa no futebol feminino. Vários clubes enfrentam o mesmo drama em menor escala, mas o Cruzeiro virou o símbolo de um problema estrutural.
Para quem acompanha futebol masculino e quer ver outra crise, é impossível não lembrar do racha entre Fifa e Uefa, que ameaça derrubar até o presidente Infantino. São mundos diferentes, mas ambos mostram como decisões erradas podem gerar destruição.
O que esperar do futuro?
As seis atletas do Cruzeiro devem voltar aos gramados em 2026. A recuperação de LCA leva de seis a nove meses, e o clube promete acompanhamento próximo. A torcida, porém, sabe que o trauma fica. E a diretoria parece ciente de que precisa de um trabalho sério para evitar que o pesadelo se repita.
A gestora Luiza Parreiras sintetizou o momento: “Não vamos tratar como fatalidade”. A frase é um recado. Mas o que vimos em campo e no departamento médico mostra que o Cruzeiro ainda está longe de uma solução definitiva. O caminho é longo, e a confiança do elenco precisa ser reconstruída junto com os ligamentos.
Se você quer mais análises de bastidores, acompanhe também o Criciúma invicto de Eduardo Baptista, que mostra como o planejamento pode dar certo quando há estrutura e paciência.
O lado humano: o medo de Byanca Brasil
Quando uma atacante experiente como Byanca Brasil admite medo, o recado é claro. Ela viu companheiras caírem em sequência e, naturalmente, passou a desconfiar do próprio corpo. Esse aspecto psicológico é subestimado, mas nós, que acompanhamos futebol de perto, sabemos que ele é tão decisivo quanto a fisioterapia.
O Cruzeiro precisa cuidar não só dos ligamentos, mas da cabeça de cada atleta. O medo de pisar no campo, de fazer um movimento brusco, de sentir uma dorzinha qualquer. Esse é o verdadeiro desafio. E ele não aparece em exame de imagem.
Uma epidemia no futebol feminino?
O problema não é exclusivo do Cruzeiro. O Grêmio, por exemplo, teve três casos. Outros oito clubes registraram pelo menos uma lesão. O Corinthians silenciou. Os números da temporada sugerem que algo está errado no calendário, na preparação ou na estrutura dos clubes.
Pesquisas internacionais apontam que a lesão no LCA é mais comum em mulheres por uma combinação de fatores. A largura da pelve, o ângulo do fêmur, a ação hormonal durante o ciclo menstrual e até a diferença na ativação muscular. Ignorar esses dados é brincar com a carreira das atletas.
O Cruzeiro, ao menos, resolveu agir. O clube estuda as causas, monitora o ciclo menstrual e individualiza os treinos. É um começo. Mas, enquanto o Brasileirão Feminino não tiver uma política séria de prevenção, veremos mais casos como esses.
O título de “líder em lesões” não é uma honra. É um alerta. E o futebol brasileiro precisa ouvir esse alerta antes que mais talentos fiquem pelo caminho.
Perguntas Frequentes
Quantas jogadoras do Cruzeiro sofreram lesão no LCA?
Seis atletas do time principal do Cruzeiro tiveram ruptura do ligamento cruzado anterior na temporada atual. São elas: Milena, Gaby Soares, Ravenna, Tainara, Laura Felipe e Paloma Maciel. Todas passaram por cirurgia e devem voltar aos gramados em 2026.
O que o Cruzeiro mudou para evitar novas lesões?
O clube passou a monitorar diariamente o ciclo menstrual das jogadoras, controlar a carga interna e externa dos treinos e aplicar questionários pré e pós-treino. Também reforçou as práticas de recuperação e promoveu a integração entre os departamentos médico masculino e feminino para estudar as causas das lesões.
Qual é o ranking de lesões no LCA no Brasileirão Feminino?
O Cruzeiro lidera com seis casos, seguido pelo Grêmio com três. Botafogo, Internacional, América-MG, Bahia, Ferroviária, Juventude e Palmeiras registraram um caso cada. Os demais clubes não informaram ocorrências na temporada atual.

