Índice do Artigo
- Pontos Principais
- Reforma do Estatuto em frangalhos: o que aconteceu na votação
- Os números da derrota da Reforma do Estatuto
- Por que a Reforma do Estatuto assustou a situação?
- O que estava em jogo na Reforma do Estatuto?
- O peso político da decisão
- O futuro do São Paulo após a derrota da Reforma do Estatuto
- Perguntas Frequentes
- O que foi reprovado no Conselho Deliberativo do São Paulo?
- Quantos conselheiros votaram na Reforma do Estatuto?
- A rejeição da Reforma do Estatuto pode afetar a eleição do São Paulo?
Pontos Principais
- A Reforma do Estatuto do São Paulo foi reprovada por ampla maioria no Conselho Deliberativo.
- Todos os 11 blocos de alterações e o estudo de viabilidade para a SAF caíram na votação.
- O placar escancara a força política do grupo do presidente Harry Massis na briga sucessória.
- Decisão acontece a poucos meses da eleição que Definirá o próximo mandato no clube.
Reforma do Estatuto em frangalhos: o que aconteceu na votação
A Reforma do Estatuto do São Paulo sofreu um revés histórico. Em votação híbrida encerrada na tarde desta quinta-feira, o Conselho Deliberativo rejeitou todas as propostas de alteração do Estatuto Social do clube, incluindo o polêmico estudo de viabilidade para a criação de uma SAF. O placar foi contundente: 239 dos 255 conselheiros votaram, e nenhum dos 12 itens passou.
Ou seja: quem esperava uma modernização da gestão tricolor terá que esperar. A diretoria atual, liderada por Harry Massis, respirou aliviada, mas o recado político foi claro. A maioria dos conselheiros demonstrou que não aceita mudanças estruturais em um momento tão sensível do clube, com eleição marcada para dezembro.
Confira também como o Nubank Parque se tornou marco histórico para os torcedores do Palmeiras — um exemplo de como os bastidores dos clubes brasileiros seguem movimentados.
Os números da derrota da Reforma do Estatuto
Para entender a dimensão da rejeição, organizamos os votos por bloco. O resultado não teve surpresas: a maioria dos conselheiros seguiu o discurso dos grupos situacionistas, que pediam mais tempo para analisar as 54 sugestões de mudança.
| Bloco de votação | Votos contra | % | Votos a favor | % |
|---|---|---|---|---|
| Transparência, Ouvidoria e Compliance | 122 | 52,94% | 111 | 46,64% |
| Governança institucional e separação de funções | 127 | 53,96% | 109 | 45,80% |
| Planejamento, orçamento, execução e responsabilização | 125 | 52,52% | 112 | 47,06% |
| Contratos e continuidade administrativa | 130 | 54,62% | 107 | 44,96% |
| Segurança jurídica e quórum estatutário | 126 | 52,94% | 110 | 46,22% |
| Transparência financeira e acompanhamento da gestão | 123 | 51,68% | 114 | 47,90% |
| Conselho Fiscal | 126 | 52,94% | 111 | 46,64% |
| Responsabilidade de dirigentes e conselheiros | 123 | 51,68% | 114 | 47,90% |
| Conselho de Administração | 131 | 55,04% | 106 | 44,54% |
| Receitas digitais e exploração da marca | 122 | 51,26% | 114 | 47,90% |
| Transparência e prestação de contas | 125 | 52,52% | 112 | 47,06% |
| Estudo de viabilidade para sociedade empresária (SAF) | 136 | 57,14% | 99 | 41,60% |
Repare que até o bloco que tratava da criação de uma comissão para estudar a SAF, algo bem menos agressivo do que a implementação imediata, foi derrotado por 136 votos contra 99. Pelo que observamos na prática, a rejeição não foi técnica, mas política.
Por que a Reforma do Estatuto assustou a situação?
A resposta está no calendário. Com a eleição presidencial marcada para dezembro, qualquer mudança estatutária seria vista como uma tentativa de alterar as regras do jogo em plena disputa. Para aprofundar a atmosfera de decisão nos clubes, veja como o Vasco venceu com um a menos na Copa do Brasil e virou a chave em um momento crítico.
Nos bastidores, a ala ligada ao presidente Harry Massis trabalhou duro para enterrar a proposta. O argumento? Os conselheiros não teriam tido tempo suficiente para analisar as 54 alterações. Mas a verdade é que a cúpula tricolor viu na reforma uma ameaça direta à estrutura de poder atual.
Entre as mudanças mais sensíveis estava a substituição da liderança do Conselho de Administração. Pela proposta, o presidente do clube deixaria de comandar automaticamente o colegiado. Em vez disso, os nove membros — incluindo três independentes escolhidos por uma empresa de recrutamento — votariam internamente entre si.
Isso na prática tiraria de Massis o controle direto sobre decisões estratégicas. E não é só: o orçamento do São Paulo passaria a ser elaborado pelo Conselho de Administração, e o compliance seria subordinado ao colegiado, não mais à diretoria executiva. Para qualquer cartola acostumado a mandar e desmandar, é uma mudança e tanto.
O que estava em jogo na Reforma do Estatuto?
Nós analisamos as propostas que foram ao Conselho e separamos os pontos mais espinhosos. O texto da comissão previa uma verdadeira reforma administrativa, com foco em transparência e profissionalização da gestão.
- Conselho de Administração com composição ampliada e membros independentes.
- Fim da presidência automática do clube no comando do colegiado.
- Orçamento elaborado pelo Conselho, com poder de aprovação.
- Compliance ligado ao Conselho, e não à diretoria.
- Acesso a contratos de jogadores, comissão técnica e intermediários.
- Planejamento estratégico de três a cinco anos.
Curiosamente, até a fixação de um teto para os salários dos conselheiros independentes — que hoje é de 70% do maior salário do funcionalismo público, cerca de R$ 46 mil — virou motivo de briga. A reforma queria acabar com esse limite, mas a maioria preferiu manter tudo como está.
O peso político da decisão
O resultado da votação não pode ser encarado apenas como uma rejeição técnica. É um recado direto para as eleições de dezembro. A base governista provou que ainda domina o Conselho Deliberativo. Mas a margem apertada em blocos como Transparência (123 a 114) e Receitas Digitais (122 a 114) mostra que a oposição não está morta.
Em conversas informais, conselheiros que votaram contra a reforma admitiram que a proposta até tinha méritos. O problema, segundo eles, foi a pressa. Outros, porém, enxergam a derrota como um atestado de que o grupo de Massis teme perder privilégios.
Outro ponto que movimentou os bastidores foi a possível venda de atletas. O São Paulo pode negociar o lateral Enzo Díaz até 11 de setembro, e esse tipo de transação costuma esquentar os ânimos entre conselheiros. Não por acaso, o assunto surgiu na véspera da votação.
O futuro do São Paulo após a derrota da Reforma do Estatuto
Agora, o estatuto segue com as regras antigas, e quem quiser mudá-las terá que lutar na próxima gestão. A eleição de dezembro vai escolher o novo presidente do clube, e os mesmos conselheiros que votaram hoje terão papel decisivo. A discussão sobre SAF e fair play financeiro também está em outros clubes, como o Vasco, que vive um imbróglio com Palmeiras e Crefisa.
Para o torcedor são-paulino, a sensação é de déjà vu. Enquanto outros clubes avançam em modelos de gestão mais modernos, o Tricolor segue travado em disputas internas. A rejeição da reforma não impede que novas propostas sejam apresentadas no futuro, mas por ora o discurso da profissionalização saiu derrotado.
Em nossa avaliação, quem perde com isso é o próprio clube. A transparência e a separação de funções são ferramentas fundamentais para evitar crises. Enquanto os grupos políticos não abrirem mão de pequenas fatias de poder, o São Paulo continuará refém de acordos de bastidor.
Perguntas Frequentes
O que foi reprovado no Conselho Deliberativo do São Paulo?
Foram reprovadas todas as 54 sugestões de emendas ao Estatuto Social, divididas em 11 blocos, além do estudo de viabilidade para a transformação do futebol em SAF. Ou seja, nenhuma alteração entrou em vigor.
Quantos conselheiros votaram na Reforma do Estatuto?
Dos 255 conselheiros titulares do Conselho Deliberativo, 239 compareceram à votação híbrida. Participaram votos presenciais e online, em um pleito que começou na quarta-feira à noite e terminou na tarde de quinta-feira.
A rejeição da Reforma do Estatuto pode afetar a eleição do São Paulo?
Sim. A votação deixou evidente a força da situação nos bastidores. O grupo do presidente Harry Massis venceu todos os blocos, mas a margem em alguns deles foi pequena. Isso pode influenciar a sucessão em dezembro, mas também mostrou que a oposição, mesmo minoritária, tem espaço para crescer.

