Queda de Times Menos Ricos no Brasileirão: Vexame ou Reflexo da Dificuldade de Sobrevivência?
Análise aponta que rebaixamento de clubes com menor investimento não deve ser tratado como vergonha, mas como consequência de um campeonato extremamente competitivo e caro.
O rebaixamento de clubes com menor capacidade de investimento no Campeonato Brasileiro é frequentemente recebido com indignação e rotulado como “vexame” ou “vergonha”. No entanto, uma análise mais profunda revela que essa percepção ignora a notória dificuldade de se manter na elite do futebol nacional, especialmente para equipes com orçamentos mais limitados.
A Realidade dos Promovidos na Elite
Nos últimos dez anos (2015-2024), um total de 40 clubes foram promovidos à Série A. Desses, impressionantes 24 (60%) não conseguiram se manter na elite por mais de três temporadas, caindo novamente para a segunda divisão. Mais alarmante ainda, 15 desses 40 times caíram logo após a primeira temporada. Esses números demonstram que a permanência na Série A é uma tarefa árdua, e não um direito adquirido.
Comparativo Internacional Revela Desigualdade
Quando comparado com as principais ligas europeias, o Brasileirão se destaca pela sua imprevisibilidade e pelo alto aproveitamento dos times na parte inferior da tabela. Times que caíram no Brasil com 37% de aproveitamento e 43 pontos, como Fortaleza e Ceará em 2025, teriam posições mais confortáveis em campeonatos como o espanhol, inglês ou italiano, onde o limite de rebaixados é menor e a pontuação para se salvar é significativamente inferior.
Gestão Responsável vs. Realidade Financeira
A declaração de Marcelo Paz, CEO do Fortaleza, que admitiu que a ascensão de um clube com gestão responsável como a do Leão do Pici trazia a certeza de que “em algum momento iríamos cair”, ressoa com a dura realidade financeira do futebol brasileiro. A queda de um clube exemplar em gestão, como o Fortaleza, que permaneceu sete anos na elite, disputando competições internacionais, envia uma mensagem preocupante. Isso contrasta com a salvação de clubes que acumulam dívidas e atrasos em pagamentos, como o Internacional.
Sobrevivência é o Verdadeiro Desafio
Ser campeão brasileiro é um feito grandioso, mas a luta pela permanência na Série A, com recursos limitados, é um desafio igualmente complexo, se não maior. O alto número de rebaixamentos anuais (quatro), somado à competitividade acirrada, torna a elite do futebol brasileiro um dos ambientes mais difíceis do mundo para se manter. Portanto, tratar a queda de equipes menos abastadas como um mero “vexame” é desconsiderar o quão difícil é, de fato, sobreviver no Brasileirão.

