Brenão no futsal ganhou um novo capítulo depois de o pivô chegar aos 251 kg, perder 108 kg e voltar a jogar pelo Botafogo. Aos 143 kg, ele ainda enfrenta limites físicos e receio de lesões, mas diz que sua missão não depende apenas de retomar uma carreira profissional em alto nível: também quer inspirar pessoas e acompanhar o crescimento dos três filhos.
Fatos centrais da notícia
- Brenão chegou a 251 kg e relata ter eliminado 108 kg; atualmente está com 143 kg.
- O pivô voltou às quadras e integrou o Botafogo no Estadual adulto, competição em que a equipe foi vice-campeã.
- Além do futsal, ele usa sua história para falar de saúde mental, obesidade e preconceito.
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Brenão no futsal: a volta começou depois de um vídeo viral
A trajetória de Breno Eduvige, conhecido como Brenão, não foi uma sequência planejada de etapas esportivas. O retorno ganhou impulso após um vídeo em que ele jogava uma partida de X1 circular nas redes sociais, no fim de 2022. Na época, pesava cerca de 225 kg. A repercussão fez o jogador imaginar que talvez pudesse voltar a se dedicar ao futsal.
Antes disso, porém, havia uma história de luto e sofrimento que não aparecia na quadra. Brenão perdeu o pai quando tinha cinco anos. Na infância, encontrou na bola uma companhia e um refúgio, mas afirma que demorou a compreender o impacto da ausência. A depressão foi diagnosticada perto do período da pandemia, enquanto o ganho de peso se intensificava.
O avanço na balança coincidiu com mudanças importantes na vida familiar. Brenão estava com 150 kg quando nasceu sua primeira filha e chegou a 180 kg no ano seguinte, com a chegada da segunda. Em 2020, ultrapassou os 200 kg. Ele relata que a preocupação sobre conseguir ser presente para as filhas se misturou à dificuldade de lidar com a própria saúde emocional.
O jogador conta que iniciou terapia e, ao longo do acompanhamento, passou a relacionar a depressão à lacuna deixada pela morte do pai. Segundo ele, as sessões semanais continuam sendo uma parte importante da rotina. Brenão também diz que o suporte psicológico o ajuda a enfrentar a exposição nas redes e os comentários de quem julga sua aparência ou sua condição física.
A dimensão pública da história cresceu junto com o retorno às quadras. Hoje, o perfil do pivô no Instagram reúne mais de um milhão de seguidores, e seus vídeos acumulam dezenas de milhões de visualizações. A forma como atletas contam experiências pessoais também ganhou espaço no jornalismo esportivo, como mostra a repercussão da narração premiada de Cliver Huamán, marcada pela força da narrativa e pela conexão com o público.
Do gol decisivo ao convite do Botafogo
O vídeo de 2022 não significou uma retomada imediata da carreira. Brenão afirma que, naquele momento, ainda não conseguia enxergar com clareza a gravidade do peso que havia alcançado. A mudança de postura veio no fim de 2026, quando decidiu cuidar da saúde e voltou a jogar com um grupo de amigos.
Em uma das partidas, marcou um gol nos últimos segundos. O lance foi publicado nas redes e teve grande repercussão. A partir dali, segundo o jogador, a possibilidade de voltar a competir deixou de parecer distante. Ele terminou o Campeonato Carioca amador com seis gols e recebeu o convite para defender o Botafogo no Estadual adulto.
A equipe terminou a competição como vice-campeã. Brenão, no entanto, não participou de boa parte do torneio porque passou por uma cirurgia bariátrica. A informação ajuda a dimensionar a complexidade do retorno: a volta ao esporte aconteceu em paralelo a um processo de tratamento e de mudanças corporais, não como resultado de uma transformação instantânea.
De 251 kg para os atuais 143 kg, a diferença relatada é de 108 kg. O número representa uma mudança expressiva, mas não significa que o processo esteja encerrado. Brenão calcula que ainda gostaria de perder cerca de 50 kg para chegar ao peso que considera ideal e prevê que também terá de lidar com o excesso de pele após o emagrecimento.
Ele estima que uma futura cirurgia para retirada de pele poderia remover aproximadamente 15 kg. A possibilidade, porém, aparece como parte de um plano adiante, não como procedimento já realizado. Antes disso, o jogador fala em continuar o processo de recondicionamento físico e proteger o corpo para evitar uma lesão que possa interromper sua evolução.
Brenão no futsal encara limites físicos e preconceito
Na quadra, o pivô precisa conciliar vontade de competir com a cautela exigida por seu momento físico. Ele relata que, aos 143 kg, ainda está se adaptando a movimentos e esforços diferentes daqueles a que o corpo estava acostumado. O receio de se machucar influencia a maneira como participa das partidas.
Brenão descreve uma escolha tática: com a bola, procura ser útil e tomar decisões rápidas; sem ela, reconhece que pode ter dificuldades para contribuir na marcação. Por isso, diz que tenta soltar a bola depressa e evitar situações que deixem a equipe vulnerável a um contra-ataque. Não é apenas uma questão de vontade de jogar: a função de pivô exige deslocamentos, disputa de espaço e transições que dependem de preparo físico.
Esse cuidado também explica por que a volta às quadras não deve ser confundida com uma garantia de carreira longa no alto rendimento. O próprio atleta considera que, quando concluir etapas de recondicionamento e tratar o excesso de pele, poderá estar perto dos 35 anos. Ele reconhece que viver profissionalmente do futsal no Brasil é difícil e não trata a permanência no esporte como resultado certo.
O ambiente esportivo acrescenta outra camada de pressão. Brenão relata receber manifestações de apoio, mas também conviver com preconceito e comentários sobre seu corpo. Ele afirma que não quer romantizar a obesidade nem apresentar uma condição extrema como se fosse normal. A cautela é relevante porque sua história pessoal não substitui orientação médica e não deve ser interpretada como uma fórmula aplicável a outras pessoas.
A adaptação dentro de uma equipe pode envolver ajustes de função, ritmo e tomada de decisão, como ocorre em outras histórias do futebol, a exemplo da adaptação de Newton à zaga do São Paulo. No caso de Brenão, o desafio é específico: encontrar formas de contribuir com o Botafogo enquanto trabalha para recuperar capacidade física sem ignorar os riscos que ele próprio identifica.
Uma missão que vai além do resultado esportivo
O pivô afirma que gostaria de chegar a menos de 100 kg, um peso que diz não recordar quando teve. Ainda assim, não coloca esse objetivo como única medida de sucesso. Para ele, recuperar qualidade de vida, estar presente na criação dos três filhos e compartilhar a própria experiência também são metas centrais.
Essa mudança de perspectiva não apaga o desejo de jogar em alto nível. Brenão diz que ficaria feliz se conseguisse voltar ao melhor rendimento, mas afirma estar em paz caso isso não aconteça. A carreira esportiva, nesse cenário, é uma possibilidade importante, não a única justificativa para seguir o tratamento e manter a rotina de atividade.
A experiência também evidencia a diferença entre visibilidade e recuperação. Um vídeo viral pode atrair seguidores e abrir portas, mas não resolve sozinho questões de saúde mental, condicionamento ou tratamento. A repercussão ajudou Brenão a considerar a volta ao esporte; a continuidade depende de acompanhamento, tempo e decisões compatíveis com suas condições físicas.
As redes sociais transformaram o jogador em referência para pessoas que acompanham sua evolução, mas a exposição traz custos. Ele relata que os julgamentos podem ser difíceis e atribui à terapia um papel importante para lidar com essa pressão. Ao compartilhar a rotina, Brenão ocupa um espaço público que pode gerar identificação, embora também exija cuidado para não reduzir uma trajetória complexa a números ou imagens de antes e depois.
O próprio futsal oferece um contraste entre o sonho individual e as exigências concretas do esporte. A modalidade cobra aceleração, mudanças rápidas de direção, recomposição defensiva e participação coletiva. No caso de um atleta em processo de emagrecimento e recondicionamento, o retorno precisa considerar não só a capacidade de marcar gols, mas também a tolerância aos esforços e a recuperação entre partidas.
Histórias de retomada também mobilizam torcedores porque colocam o resultado esportivo em perspectiva, como ocorreu com a virada do River que reacendeu a esperança do Fluminense. Para Brenão, porém, a principal transformação não cabe em um placar: está na possibilidade de continuar construindo uma vida que, durante muito tempo, ele diz ter imaginado como se já estivesse encerrada.
O próximo passo de Brenão no futsal depende de saúde e tempo
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde em janeiro de 2026 apontaram que mais de um quarto da população brasileira vive com obesidade. O dado ajuda a situar a dimensão coletiva do tema, mas não torna iguais as histórias individuais. Brenão faz questão de falar a partir da própria experiência, sem apresentar seu percurso como solução universal ou minimizar a necessidade de cuidado profissional.
Seu caso reúne três frentes que seguem em aberto: a continuidade do emagrecimento, a recuperação física para competir e a relação com a saúde mental. A bariátrica e a perda de peso relatada são marcos importantes, mas a rotina ainda inclui cautela com lesões e a expectativa de uma possível cirurgia para retirada de pele. Cada etapa tem limites e prazos próprios.
O retorno ao Botafogo já representou uma conquista concreta depois de anos de afastamento e de um peso que chegou a 251 kg. O que virá depois permanece incerto, inclusive a possibilidade de atuar novamente em alto nível. Brenão, porém, não condiciona sua história a uma resposta definitiva sobre a carreira: seu próximo objetivo é seguir avançando com segurança, estar ao lado dos filhos e usar a própria voz para apoiar quem enfrenta uma luta semelhante.


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