A zaga do Botafogo ganhou novo desenho no início do trabalho de Tite: Marçal foi titular ao lado de Ferraresi nos dois jogos mais recentes, enquanto Justino ainda não recebeu minutos com a nova comissão. A mudança ocorre com Lucas Monzón e Arthur Chaves fora por problemas físicos, às vésperas do duelo com o Internacional, no sábado, pela 32ª rodada do Brasileirão.
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Zaga do Botafogo: escolhas de Tite apontam nova hierarquia
A vitória sobre a Chapecoense, no último fim de semana, marcou o primeiro triunfo de Tite à frente do Botafogo. O resultado trouxe alívio ao começo do trabalho, mas a formação defensiva continua em observação. Até aqui, o treinador alternou nomes na zaga e, nas duas partidas mais recentes, repetiu Marçal e Ferraresi.
O recorte das quatro partidas da equipe sob o comando do técnico revela uma sequência de ajustes. Na estreia, contra o Mirassol, a dupla foi formada por Monzón e Ferraresi. Diante do Vasco, Arthur Chaves ocupou a vaga ao lado do venezuelano. Nos compromissos seguintes, contra Coritiba e Chapecoense, Marçal foi escolhido para completar a linha defensiva.
A repetição da parceria entre Marçal e Ferraresi pode indicar uma preferência imediata, mas ainda não basta para afirmar que Tite definiu a zaga titular. As ausências de Monzón e Arthur Chaves pesaram nas escolhas, e o treinador ainda está no início do processo de avaliação. O próximo jogo pode oferecer um novo sinal, caso os jogadores indisponíveis não retornem.
O cenário também mostra como a defesa de um time pode passar por mudanças sem que isso, isoladamente, signifique uma ruptura completa. No São Paulo, por exemplo, a alternância de peças e treinadores conviveu com resultados defensivos consistentes, como analisado neste recorte sobre a defesa do São Paulo. No Botafogo, a resposta dependerá da combinação entre disponibilidade dos atletas, confiança da comissão e desempenho em campo.
Marçal ganha vaga, mas a improvisação traz decisões delicadas
Marçal é lateral-esquerdo de origem e já está acostumado a atuar improvisado como zagueiro. Essa experiência ajuda a explicar por que Tite recorreu ao jogador diante das ausências. Na temporada, ele foi titular 11 vezes em 20 partidas, com cinco dessas escalações na defesa central. Os números mostram que a função não é inédita para ele, embora sua posição de origem seja outra.
Usar um lateral na zaga oferece uma alternativa para preencher uma lacuna sem recorrer a um atleta sem experiência naquele papel. Ao mesmo tempo, a mudança exige atenção à dinâmica da linha: posicionamento, cobertura, comunicação com o parceiro e adaptação às responsabilidades de defender a área são aspectos que precisam funcionar em conjunto. A escolha, portanto, resolve uma necessidade imediata, mas não elimina a importância de recuperar os zagueiros de origem.
Não há, nos dados disponíveis, elementos para atribuir a mudança a uma falha individual de Justino ou a uma avaliação definitiva sobre o jovem. O fato concreto é que ele não entrou em campo desde a chegada da nova comissão. Em uma sequência curta, a ausência de minutos pode decorrer das decisões iniciais do treinador e da formação escolhida, sem significar que o jogador tenha sido retirado dos planos para o restante da temporada.
Essa distinção importa porque a disputa por posição não é medida apenas pelo número de partidas em que um atleta começa jogando. Também envolve as opções disponíveis em cada rodada, o perfil necessário para o adversário e a condição física do elenco. Para Justino, voltar a ser utilizado dependerá de uma oportunidade concreta e da resposta da equipe técnica, não apenas do histórico que construiu antes da chegada de Tite.
Os números mostram Ferraresi como peça mais constante
Entre os jogadores utilizados na zaga nesta temporada, Ferraresi aparece como o nome de maior presença. Ele soma 30 jogos e começou 28 como titular. Além disso, foi escalado nas quatro partidas de Tite à frente do Botafogo, um dado que o coloca como a referência mais estável do setor neste início de trabalho.
Justino registra 23 jogos, com 18 titularidades, enquanto Monzón tem 11 partidas e 10 vezes entre os titulares. Arthur Chaves soma duas aparições, ambas desde o início. Marçal, por sua vez, acumula 20 jogos e 11 titularidades, sendo cinco como zagueiro. A comparação ajuda a separar duas situações: Ferraresi tem maior continuidade, enquanto a escolha do parceiro ainda está sujeita a mudanças.
Os números de temporada não devem ser lidos como uma classificação automática de mérito. A quantidade de jogos pode refletir disponibilidade, concorrência e circunstâncias de cada partida, e não apenas a preferência técnica. Ainda assim, o contraste entre os 30 jogos de Ferraresi e a falta de minutos recentes de Justino é um indicador claro de como a hierarquia mudou desde o início do novo comando.
Para a comissão, manter Ferraresi como ponto fixo pode facilitar a construção de uma parceria mais estável, desde que o companheiro esteja disponível e consiga cumprir a função. A questão imediata é definir quem oferece a melhor resposta ao lado dele: Marçal, pela experiência recente na posição, ou um dos zagueiros de origem quando estiver liberado para voltar. A sequência de partidas será determinante para essa avaliação.
Desfalques mantêm a disputa aberta na defesa
Arthur Chaves está em recuperação depois de sofrer um trauma na região da bacia e do abdômen. Monzón sentiu dores musculares na panturrilha durante a preparação para o confronto com o Coritiba. Desde então, nenhum dos dois voltou a aparecer entre os relacionados, segundo as informações disponíveis. A ausência simultânea reduziu as opções de Tite e ajuda a explicar a presença de Marçal no setor.
Enquanto a situação médica dos dois não se traduz em retorno ao grupo, o treinador precisa equilibrar continuidade e necessidade. Repetir uma dupla pode ajudar na comunicação e no entendimento das coberturas, mas manter uma escalação também depende das condições de cada jogador e do planejamento para a partida. Não há confirmação de que Monzón ou Arthur Chaves estarão disponíveis contra o Internacional.
O problema de elenco não é exclusivo do Botafogo. Em outra disputa do futebol brasileiro, o Fortaleza também se preparou para um compromisso com baixas e dúvidas no grupo, como mostra o cenário de desfalques e opções do Fortaleza. Para qualquer comissão técnica, a ausência de titulares exige avaliar não só quem pode ocupar a vaga, mas como a mudança afeta o conjunto e as alternativas durante o jogo.
O Botafogo volta a campo no sábado, às 16h30, no horário de Brasília, contra o Internacional. A partida é válida pela 32ª rodada do Brasileirão e coloca frente a frente equipes em situações distintas na tabela: o clube carioca aparece em 11º, com 39 pontos, enquanto o time gaúcho ocupa o 17º lugar, com 32.
Duelo com o Internacional pode testar a nova formação
O confronto tem peso para os dois lados, mas o contexto da classificação não transforma a escalação da zaga em uma escolha isolada. Para o Botafogo, a prioridade será encontrar uma combinação capaz de sustentar o plano da equipe e evitar que as ausências obriguem a defesa a mudar novamente. Se Marçal começar, será mais uma oportunidade de consolidar sua adaptação ao setor central.
Se Tite optar por outro nome, a troca também não apagará o que os jogos recentes indicam: Ferraresi é, até agora, o defensor mais utilizado pelo treinador, e Justino ainda busca a primeira participação sob a nova comissão. A diferença entre os casos é importante. Um jogador tem sido presença constante; o outro perdeu a sequência que possuía antes da mudança no comando.
A luta por pontos na reta final também pode alterar o peso de cada decisão. O Atlético-MG, por exemplo, transformou o Brasileirão em parte de sua estratégia para buscar vaga na Libertadores, em um cenário que mostra como a tabela pode influenciar prioridades e escolhas dos clubes. No Botafogo, o objetivo imediato é atravessar o duelo com o Internacional com uma defesa organizada e manter a equipe competitiva.
A resposta mais concreta sobre a hierarquia virá da escalação e do que acontecer em campo. Até lá, os fatos apontam Ferraresi como titular recorrente, Marçal como alternativa que ganhou espaço e Justino sem participação desde a chegada de Tite. Com Monzón e Arthur Chaves ainda fora dos relacionados, a comissão terá de decidir entre preservar a dupla recente ou buscar outra composição para a zaga.
Para o Botafogo, o caminho mais prudente é tratar Marçal como uma solução útil, sem confundir improvisação com definição permanente, e acompanhar a recuperação dos zagueiros ausentes. Já para Justino, a disputa continua aberta: recuperar espaço dependerá de novas oportunidades e de mostrar resposta quando for chamado. O jogo contra o Internacional será o próximo capítulo de uma defesa que ainda está sendo montada.

