O padel de Abel Ferreira ganhou espaço permanente na rotina do Palmeiras: o clube construiu uma quadra na Academia de Futebol, em 2026, para que o técnico português e sua comissão pudessem jogar e aliviar a pressão entre as partidas. Na manhã da classificação alviverde à final da Libertadores, na quarta-feira, o grupo voltou à quadra antes de Abel comandar a equipe em busca de sua quarta decisão continental pelo clube.
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Padel de Abel virou válvula de escape na rotina do Palmeiras
A relação do treinador com o esporte ajuda a explicar por que uma quadra foi instalada dentro do centro de treinamento. Depois de falar sobre a classificação à final, Abel descreveu o padel como uma forma de transpirar, lidar com o peso das derrotas e se preparar para o próximo compromisso. A declaração também revelou o quanto a atividade se tornou parte de sua rotina fora do campo.
O comentário foi feito em tom de desabafo e brincadeira, mas expôs uma dimensão pouco visível do trabalho de um técnico de alto rendimento. A cobrança por resultados não termina quando o treino acaba: decisões táticas, sequência de jogos, pressão externa e recuperação emocional se acumulam ao longo da temporada. Para Abel e seus auxiliares, o padel funciona como uma pausa ativa em meio a esse ambiente.
O treinador chegou a dizer que talvez não continuasse no comando do Palmeiras por tanto tempo se não tivesse o espaço para jogar. A fala não deve ser entendida como um anúncio sobre seu futuro, mas como uma maneira enfática de reconhecer o papel que a atividade exerce em sua rotina. O esporte virou uma espécie de válvula de escape para o grupo português.
A quadra também ganhou protagonismo por estar dentro da Academia de Futebol, ao lado de campos de treinamento. O acesso facilita encaixar partidas em dias de trabalho, sem deslocamentos longos para fora do clube. É uma solução prática para uma comissão técnica cuja agenda depende dos treinos, das viagens e da preparação para cada rodada.
Da experiência no PAOK à quadra construída no CT
O contato de Abel com o padel começou antes de sua chegada ao Palmeiras. Durante a passagem pelo PAOK, na Grécia, ele e os auxiliares João Martins, Vitor Castanheira, Tiago Costa e Carlos Martinho conheceram a modalidade e passaram a praticá-la. O esporte é especialmente popular em países como Espanha e Portugal, e acabou conquistando os integrantes da comissão técnica.
Nos primeiros anos no Brasil, entre 2020 e 2022, o grupo costumava atravessar a Avenida Marquês de São Vicente para jogar no Santo Padel, localizado no complexo do Nacional Atlético Clube, perto da Academia. Eles fizeram aulas e alugaram quadras repetidas vezes. A construção de uma estrutura dentro do Palmeiras, em 2026, transformou um hábito externo em uma opção disponível no próprio centro de treinamento.
Na ocasião, Abel celebrou a iniciativa do clube e brincou que o espaço parecia ter sido feito para que o treinador pudesse jogar quando estivesse estressado. A quadra, portanto, não nasceu apenas como uma instalação esportiva convencional. Ela respondeu a uma atividade que já fazia parte do cotidiano do técnico e de seus auxiliares.
O local tem cerca de 200 metros quadrados, piso verde e cobertura. Fica próximo ao campo de grama sintética, ao estacionamento e ao refeitório dos funcionários, em uma área de circulação do centro de treinamento. Embora a ideia tenha relação direta com o grupo português, o uso não se limita à comissão de Abel: jogadores, funcionários e convidados também já passaram por lá.
Entre os visitantes citados estão os pilotos Enzo Fittipaldi, que competiu na Fórmula 2, e Pedro Boesel. Ainda assim, o tema costuma aparecer pouco nas conversas públicas dos integrantes da comissão. A discrição contrasta com a competitividade que, segundo relatos, surge quando eles entram em quadra.
Como o padel funciona e por que muda o ritmo do jogo
O padel é disputado exclusivamente em duplas e lembra o tênis em alguns aspectos, mas tem diferenças importantes. A quadra é fechada, menor que a de tênis e cercada por paredes de vidro e grades laterais. Essas superfícies não servem apenas para delimitar o espaço: depois de quicar no chão, a bola pode bater nelas e continuar em jogo.
Essa possibilidade altera a leitura dos pontos. No tênis, a bola que atinge a parede encerra a jogada; no padel, o rebote pode oferecer uma nova oportunidade de devolução. Por isso, os jogadores precisam observar não só a trajetória inicial da bola, mas também o ângulo e a velocidade que ela terá depois de tocar no vidro ou na grade.
A pontuação segue a lógica tradicional do tênis, com 15, 30, 40 e game. Um set é vencido por quem alcança seis games, e a partida termina quando uma dupla conquista dois sets. O saque é feito por baixo e na diagonal, em vez do movimento por cima característico do tênis. A bola precisa quicar na quadra antes de tocar nas paredes ou grades para que o ponto continue.
A raquete também é diferente: é menor e não tem o encordoamento típico do tênis. Somados à quadra compacta e aos rebotes nas paredes, esses elementos deixam as trocas dinâmicas e exigem reação rápida. A modalidade pode parecer simples para quem conhece tênis, mas as paredes criam situações próprias, que pedem adaptação de posicionamento e comunicação constante entre os parceiros.
O esporte chegou ao Brasil vindo da Argentina no fim da década de 1980 e se desenvolveu inicialmente com força no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. Depois, avançou para mercados como São Paulo e Rio de Janeiro. Entre os nomes conhecidos do futebol que praticam padel estão Ronaldo, Neymar e Abel.
Competição entre auxiliares e um espaço além do futebol
Na manhã que antecedeu a classificação à final da Libertadores, Abel contou que jogou com a comissão técnica e brincou que precisou recorrer a uma estratégia para vencer, já que os auxiliares treinavam sem que ele soubesse. A provocação ilustra como o esporte deixou de ser apenas uma atividade recreativa: a disputa entre eles também alimenta o envolvimento do grupo.
O perfil competitivo do treinador, conhecido nas partidas de futebol, aparece igualmente na quadra. Em 2026, o jogador de padel Rogerinho, que teve passagem pela seleção brasileira da modalidade, presenteou Abel com um par de raquetes. Na ocasião, descreveu o português como alguém intenso tanto no banco de reservas quanto durante os jogos de padel.
Essa combinação entre atividade física, lazer e competição ajuda a entender o valor do espaço no CT. A quadra não substitui descanso, preparação física ou acompanhamento profissional, nem há indicação de que seja apresentada pelo clube como tratamento de saúde. O sentido de terapia usado por Abel é uma forma de descrever o alívio e a mudança de foco que encontra ao jogar.
Há também um aspecto concreto: a partida coloca o grupo em movimento e cria uma atividade compartilhada fora das tarefas táticas. Em vez de cada integrante se afastar para uma rotina individual, comissão e jogadores podem se encontrar em uma disputa com regras próprias. Isso não elimina a pressão do calendário, mas abre uma janela de convivência em outro contexto.
O calendário intenso é uma das condições que tornam esses espaços convenientes para clubes de alto rendimento. Em uma semana com compromissos próximos, deslocar a equipe para uma atividade externa pode ser menos simples do que usar uma estrutura dentro do próprio centro de treinamento. A logística dos jogos também pesa, como ocorre nas rodadas do Brasileirão com partidas distribuídas em três dias, em que horários e transmissões se espalham pela semana.
O padel acompanha Abel em meio à pressão por resultados
A relação do treinador com a modalidade não significa que o futebol tenha ficado em segundo plano. Abel voltou à quadra na manhã de um dia decisivo e, horas depois, comandou o Palmeiras na classificação à final continental. O episódio mostra como a atividade é encaixada entre os compromissos, sem substituir a preparação técnica da equipe.
O momento esportivo ajuda a dimensionar a fala do português. Alcançar uma quarta final de Libertadores pelo Palmeiras representa uma marca de grande peso para o clube e para o treinador, que convive com cobrança constante por desempenho e resultados. A comemoração veio acompanhada de referências ao esforço emocional necessário para atravessar uma campanha eliminatória.
O Palmeiras também viveu outros episódios de destaque em decisões recentes, como a atuação de Carlos Miguel que o aproximou de uma marca associada a Marcos e impulsionou o clube à final, detalhada na cobertura sobre as defesas de Carlos Miguel pelo Palmeiras. No caso de Abel, a história que chamou atenção não foi uma decisão tática ou uma contratação, mas a existência de um espaço pessoal de descompressão dentro do CT.
Até mesmo uma lesão já serviu de assunto para o treinador. Em maio, ele brincou que havia se machucado jogando padel e, por isso, não poderia ser opção para o ataque. A piada reforçou a intimidade com o esporte, mas também expôs um risco comum a qualquer atividade física: o lazer não elimina a possibilidade de contusão, sobretudo quando há disputa intensa.
A quadra construída em 2026 tornou permanente uma prática que começou longe do Palmeiras e acompanhou Abel desde a passagem pela Grécia. Hoje, ela oferece ao treinador e à comissão uma alternativa rápida para se movimentar, competir e mudar o foco entre partidas. A classificação à final da Libertadores colocou o padel novamente sob os holofotes; para o grupo, porém, a quadra já faz parte da rotina do clube.
O episódio mostra como a estrutura de um centro de treinamento pode atender não apenas às necessidades diretamente ligadas ao campo, mas também a hábitos que ajudam a organizar o cotidiano de uma comissão técnica. Para Abel, o padel não é uma solução mágica para a pressão: é um intervalo ativo, acessível e compartilhado antes de voltar ao trabalho que define sua temporada.

