Pedro na Libertadores terminou mais uma campanha sem gol em jogos eliminatórios: em 2026, o centroavante não marcou nos cinco compromissos de mata-mata do Flamengo, que caiu diante do Estudiantes após disputa de pênaltis. Titular na partida de volta, o camisa 9 não conseguiu converter em gols a participação ofensiva, e o time encerrou a série sem balançar a rede e com apenas três finalizações na direção do gol.
Fatos centrais da notícia
- Pedro não marcou nos cinco jogos de mata-mata do Flamengo na Libertadores de 2026.
- O clube foi eliminado pelo Estudiantes após não fazer gols na série e perder nos pênaltis.
- Leonardo Jardim justificou a escalação do centroavante pela expectativa de maior posse de bola.
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Pedro na Libertadores: um jejum que voltou a pesar
A eliminação amplia um dado incômodo para Pedro: em cinco das sete temporadas consideradas, ele encerrou a participação do Flamengo em fases eliminatórias da Libertadores sem marcar. As exceções foram 2022, ano da campanha do título, e 2025, quando fez um gol contra o próprio Estudiantes, no Rio de Janeiro.
O recorte não significa que o atacante tenha passado todas essas temporadas sem gols no torneio. A diferença está no momento em que eles aconteceram. Em 2026, por exemplo, o camisa 9 anotou duas vezes na competição, mas nenhuma durante os cinco jogos de mata-mata. A produção na fase de grupos, portanto, não se repetiu quando a margem para erro diminuiu.
Esse contraste ajuda a explicar por que a estatística ganhou força após a queda. Em confrontos eliminatórios, cada oportunidade desperdiçada pode alterar o rumo de uma série, especialmente quando a equipe não consegue marcar no tempo regulamentar. Ainda assim, o dado individual precisa ser lido junto com o desempenho coletivo: o Flamengo também teve dificuldade para criar chances claras e acertou somente três finalizações no alvo.
O retrospecto de Pedro na Libertadores mostra variações acentuadas. Em 2022, fez 12 gols em 13 partidas, nove deles no mata-mata. Quatro saíram contra o Tolima, outros quatro diante do Vélez e um contra o Corinthians. Foi uma participação decisiva na campanha invicta que terminou com o título rubro-negro.
Na edição de 2026, o atacante marcou duas vezes em dez jogos. Um desses gols aconteceu em duelo eliminatório contra o Estudiantes, no Maracanã. Já em 2026, repetiu o total de dois gols na competição, também em dez aparições, mas sem marcar na fase decisiva, que teve cinco partidas para o Flamengo.
Os números de Pedro na Libertadores por temporada
O histórico disponibilizado mostra que as campanhas não foram iguais em quantidade de jogos, titularidades ou oportunidades em mata-mata. A comparação mais útil não é apenas somar gols: é separar a produção total daquela registrada em confrontos eliminatórios.
- 2026: dois gols em dez jogos, três como titular; nenhum gol em cinco partidas de mata-mata.
- 2025: dois gols em dez jogos, cinco como titular; um gol no mata-mata, contra o Estudiantes, em casa.
- 2024: cinco gols em seis jogos, com seis titularidades; nenhum gol na partida eliminatória disputada.
- 2023: três gols em seis jogos, cinco como titular; sem gol em mata-mata, no qual não atuou.
- 2022: 12 gols em 13 jogos, sete como titular; nove gols em sete partidas eliminatórias.
- 2021: dois gols em dez jogos, duas titularidades; nenhum gol em cinco partidas de mata-mata.
- 2020: dois gols em cinco jogos, duas titularidades; nenhum gol na partida eliminatória.
Os dados também exigem cuidado na interpretação. Uma temporada sem gol em mata-mata pode refletir poucos minutos ou ausência de participação naquela etapa, como ocorreu em 2026, e não necessariamente uma sequência de atuações completas sem marcar. Já em 2026, Pedro esteve em campo nos cinco jogos decisivos, mas terminou essa fase sem gols.
O rendimento extraordinário de 2022, com nove gols eliminatórios, é um ponto fora da curva e evidencia a capacidade que o centroavante já demonstrou nesse tipo de confronto. Ao mesmo tempo, a distância entre aquela campanha e as mais recentes alimenta a cobrança por regularidade, sobretudo porque o Flamengo costuma depender de gols de seus atacantes em jogos de alta pressão.
Por que Leonardo Jardim escolheu Pedro como titular
Após a partida, Leonardo Jardim explicou que escalou Pedro porque esperava um Flamengo com mais posse de bola. Na avaliação do treinador, o centroavante oferece características mais adequadas ao jogo posicional, enquanto Bruno Henrique é mais útil quando há espaço para atacar em velocidade e explorar transições.
O técnico também levou em conta o encontro anterior entre as equipes no Rio, quando Pedro marcou o gol da vitória sobre o Estudiantes. Jardim argumentou que o camisa 9 havia ajudado o time a conservar a bola e a ocupar o campo adversário, fatores que pesaram na escolha para a partida de volta.
A decisão tinha uma lógica tática identificável, mas o resultado não confirmou o cenário esperado. Se a equipe pretende controlar a posse, precisa transformar circulação em presença na área, aproximações e finalizações em condições favoráveis. Ter mais a bola, isoladamente, não garante que o centroavante receba em zonas perigosas ou consiga concluir com espaço.
Na justificativa do treinador, também aparece uma diferença de perfil entre os dois atacantes. Pedro tende a oferecer referência central e apoio para a construção em espaço curto; Bruno Henrique costuma ser associado a movimentos de profundidade e arrancadas. A escolha, portanto, não se resumia a decidir quem é o melhor jogador, mas a selecionar a característica considerada mais compatível com o plano para aquele jogo.
Esse tipo de decisão faz parte do trabalho de preparação de uma equipe para partidas decisivas. Em outra cobertura do site, a análise sobre mudanças de escalação antes de um duelo decisivo mostra como o desenho tático e as opções disponíveis podem alterar o plano de jogo. No caso rubro-negro, porém, a escolha de Pedro não conseguiu produzir o gol necessário para manter viva a campanha.
Três finalizações no alvo expõem problema coletivo
A discussão sobre o jejum do camisa 9 não pode esconder um número central da eliminação: o Flamengo acertou apenas três chutes na direção do gol do Estudiantes. Nenhum deles partiu dos centroavantes utilizados por Jardim. O dado resume uma dificuldade que vai além da eficiência individual, pois indica que o time teve pouco volume de conclusões realmente ameaçadoras.
Para avaliar um atacante, gols e finalizações são importantes, mas o contexto de criação também conta. Uma equipe pode ter posse territorial e, ainda assim, produzir poucos passes que rompam linhas, cruzamentos em boas condições ou combinações próximas à área. Quando isso acontece, o centroavante pode ficar dependente de bolas disputadas ou de uma única oportunidade clara.
Também há uma diferença entre chegar ao último terço e transformar a chegada em finalização no alvo. O número de chutes certos divulgado após a partida não permite, sozinho, medir a qualidade de todas as jogadas, mas ajuda a dimensionar a falta de ameaça direta. Com tão poucas conclusões na direção da meta, o Flamengo tinha menos possibilidades de marcar e reduzir a pressão sobre o ataque.
O desempenho coletivo é especialmente relevante em uma série que terminou nos pênaltis. A disputa da marca da cal decide a classificação depois que o jogo não estabelece um vencedor no tempo regulamentar, mas a necessidade de chegar a esse desempate também evidencia que a equipe não conseguiu resolver a eliminatória com gols durante a partida. A ausência de gols do centroavante é parte da história; a escassez de finalizações certas completa o quadro.
O que a eliminação muda para o ataque rubro-negro
Para o Flamengo, a principal consequência esportiva é o fim da caminhada continental nesta edição. Para Pedro, a eliminação encerra a Libertadores sem gol no mata-mata e recoloca em debate sua participação em jogos de maior pressão. A estatística chama atenção, mas não basta para concluir que o atacante perdeu capacidade decisiva: a campanha de 2022 e o gol de 2026 contra o Estudiantes são evidências de que ele já teve impacto nessa fase.
O ponto de atenção está na repetição do problema. Em 2026, Pedro marcou na competição, mas não conseguiu levar essa produção para as partidas eliminatórias. A comissão técnica terá de avaliar se a dificuldade veio da pouca criação, do encaixe entre o centroavante e o plano de jogo, da qualidade das chances ou de uma combinação desses fatores. Os dados divulgados não permitem atribuir toda a responsabilidade a um único jogador.
O caso também reforça a importância de separar desempenho individual e resultado da equipe. Um atacante pode cumprir tarefas de apoio e retenção sem marcar; por outro lado, a função de centroavante envolve transformar oportunidades em gols, especialmente quando o time precisa superar uma defesa organizada. A análise mais justa considera as duas dimensões: contribuição tática e produção ofensiva efetiva.
O Flamengo mantém outras frentes e categorias em evidência no noticiário do clube. A disputa feminina, por exemplo, tem outro cenário competitivo, com Bahia e Flamengo nas semifinais da Copa. É uma competição distinta, mas a cobertura ajuda a situar que a eliminação continental da equipe masculina não representa o encerramento de toda a temporada rubro-negra.
A temporada de Pedro na Libertadores termina com dois gols em dez jogos e nenhum nos cinco compromissos eliminatórios. O número merece atenção, mas deve ser acompanhado pela análise da produção ofensiva do time e das características exigidas pelo plano de Jardim. Para voltar a transformar presença na área em resultado, o Flamengo precisa criar mais finalizações perigosas e encontrar formas de abastecer seus atacantes com regularidade; para Pedro, o próximo desafio será responder em campo quando surgir uma nova oportunidade decisiva.

