Flamengo protocola proposta à CBF para acabar com gramados sintéticos e critica clubes
Clube pede padronização e qualidade nos campos, citando a Europa e o risco para os atletas. Bap alfineta: “Campo de plástico não”.
O Flamengo protocolou, nesta terça-feira (26), uma proposta formal à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com o objetivo de aprimorar e padronizar a qualidade dos gramados em todo o país. Um dos pontos centrais da iniciativa é a eliminação dos campos sintéticos, cuja presença no Campeonato Brasileiro tende a aumentar a partir de 2026.
Programa de Padronização e Qualidade de Gramados
O documento, intitulado “Programa de Avaliação e Monitoramento da Qualidade de Gramados do Futebol Brasileiro”, detalha sugestões para elevar o nível dos campos, otimizar a prática esportiva e alinhar o futebol nacional às melhores práticas internacionais. O Flamengo argumenta que os gramados artificiais não oferecem as condições ideais para o alto rendimento, citando a proibição dessas superfícies nas principais ligas europeias e sul-americanas, e que nenhum país campeão mundial adota gramados sintéticos em suas principais competições.
Críticas à Superfície Sintética e o Impacto no Futebol
Durante a festa de encerramento do Campeonato Brasileiro, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim (Bap), reforçou a posição do clube. “Nós temos feito uma campanha contra o gramado de plástico. Ano que vem serão 18 estádios, seis de plástico. Não tem nenhum desses na Europa, na América do Sul. Ficam pegando ideia de países que têm 10 meses por ano de gelo, se não tiver um campo desse não joga futebol. No meu ponto de vista, é uma vergonha que se aceite isso no Brasil”, declarou Bap. Ele ainda acrescentou que clubes que priorizam a realização de shows em detrimento da qualidade do gramado deveriam “trocar de negócio” e “viver de show business”.
Preocupação com Jogadores e Proposta de Transição
A nota do Flamengo também destaca a preocupação com a saúde dos atletas, citando estudos que indicam maior incidência de lesões em gramados sintéticos. O clube argumenta que a adoção dessas superfícies, muitas vezes justificada pela redução de custos e pela realização de eventos, pode afastar jogadores de ponta do futebol brasileiro. Para mitigar os impactos, o Flamengo propõe um período de transição para a substituição dos gramados artificiais, com o fim previsto para o final de 2027 na Série A e até o final de 2028 na Série B.
CBF e a Necessidade de Discussão
O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, presente ao evento, reconheceu a relevância do tema, mas ponderou que a decisão cabe a cada clube. “É uma questão de cada clube. Cada um tem o seu estádio e o seu campo. Gramado é uma coisa que ainda vamos parar para acertar e discutir. Há clubes que têm sintético e clubes com naturais, cada um vai defender o seu lado. A gente vai chegar a uma hora que vamos ter de sentar e discutir isso”, afirmou.
O Flamengo aguarda a formalização de um grupo de trabalho pela CBF para aprofundar as discussões e buscar deliberações que possam ser implementadas a tempo para as próximas temporadas.

